
O novo Plano Clima, principal instrumento brasileiro de enfrentamento à crise climática, destaca uma iniciativa desenvolvida no Ceará como exemplo de solução inovadora para a transição energética sustentável. Trata-se do projeto da Usina-Modelo de Valorização Energética de Biogás e Lodo, desenvolvido pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Laboratório de Combustão, Energias Renováveis e Hidrogênio Verde (LACERH).
A tecnologia, em fase avançada de desenvolvimento e implantação, é considerada pioneira no mundo ao propor a transformação de biogás e lodo, subprodutos do tratamento de esgoto, em fontes de energia renovável. Pelo potencial de impacto ambiental e social, o projeto foi citado no Plano Clima como exemplo de ação alinhada à necessidade de redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) frente à crise climática global.
De acordo com o assistente de Inovação da Cagece, Thiago Dantas, o reconhecimento reforça a relevância da iniciativa no cenário nacional.
A Usina-Modelo tem como objetivo principal reduzir a emissão de gases de efeito estufa a partir do aproveitamento energético de resíduos do tratamento de esgoto. Um dos focos é o metano, gás com potencial de aquecimento global 28 vezes superior ao Dióxido de Carbono (CO₂). “Ao converter o metano em energia renovável, conseguimos reduzir significativamente as emissões e contribuir diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas”, explica Dantas.
Além dos benefícios ambientais, o projeto também amplia as possibilidades de acesso a investimentos sustentáveis. Segundo o assistente de inovação da Cagece, iniciativas desse tipo dialogam com a nova lógica global de financiamento climático, que prioriza soluções com impactos econômicos, sociais e ambientais positivos.
O projeto teve início com investimento de aproximadamente R$ 8 milhões, sendo R$ 3,4 milhões financiados pelo BNDES e o restante aportado pela Cagece. Os recursos foram destinados à UFC, sob gestão da Fundação FASTEF. Para a nova fase, voltada a testes operacionais e planejamento de expansão tecnológica, foi firmado um novo contrato com valor superior a R$ 4 milhões aportados pela companhia.
A Usina-modelo envolve o desenvolvimento de tecnologia de ponta, exigindo alto investimento, pesquisa intensiva e longo período de maturação. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de instalação em escala real na ETE Alameda das Palmeiras, no bairro Pedras, em Fortaleza, para testes e validação de sua eficiência.
Após esta fase, o projeto seguirá para as próximas etapas, que incluem o desenvolvimento do modelo de negócio e a busca por parceiros comerciais, com o objetivo de viabilizar a comercialização da tecnologia. “A expectativa é que a solução esteja pronta para ser lançada no mercado como um novo produto nos próximos anos”, explica o assistente de Inovação da companhia.
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