
Após 13 anos, Sergipe retornou à rota dos transplantes renais com doador falecido e, em três meses, realizou nove transplantes de rim, sendo um no Hospital Universitário de Aracaju e oito na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC). Os transplantes com doador falecido são resultado de um contrato firmado entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e do Hospital de Cirurgia, no valor de R$ 241 milhões.
O transplante é o tratamento mais indicado para pacientes com doença renal crônica em estágio avançado, pois reduz a dependência da hemodiálise e aumenta a sobrevida. A realização dos procedimentos depende diretamente da doação de órgãos, considerada fundamental para ampliar o número de cirurgias e atender pacientes que aguardam na fila.
Uma paciente que enfrentava a doença renal crônica há três anos ganhou uma nova chance de vida após ser submetida a um transplante de rim no Hospital Cirurgia. A paciente, do município de Nossa Senhora da Glória, Jucilene Monteiro, de 52 anos, passou por um longo período de tratamento até chegar ao procedimento.
“Minha luta começou há cerca de três anos, quando comecei a sentir muito cansaço. Depois dos exames, veio o diagnóstico e iniciei o tratamento. Durante esse tempo, precisei fazer hemodiálise por cerca de 11 meses. Não é fácil, porque a gente passa a depender de uma máquina”, relatou.
Após meses de espera, o transplante foi realizado com sucesso. A paciente também destacou o atendimento recebido. “Fui muito bem atendida aqui no hospital, desde o início até a cirurgia. Com o procedimento, a expectativa é de mudança na rotina. Antes, enfrentava limitações causadas pelo cansaço e pela dependência do tratamento. Agora, pretendo retomar atividades do dia a dia com mais autonomia”, disse Jucilene.
Doação de órgãos
A doação de órgãos e tecidos depende da autorização familiar, mesmo que o desejo de ser doador tenha sido manifestado em vida. O protocolo é iniciado com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela Organização de Procura de Órgãos. Após confirmação da morte encefálica, os órgãos são disponibilizados aos pacientes compatíveis pela Central Estadual de Transplantes, seguindo normas do Sistema Nacional de Transplantes e supervisão do Ministério Público.
Dados da Central Estadual de Transplantes de Sergipe mostram que entre janeiro e março de 2026, Sergipe contabilizou 10 doadores. Foram disponibilizados oito corações, com três transplantes realizados; 12 fígados, com oito utilizados; e 25 rins, resultando em 17 transplantes. No caso das córneas, 35 foram captadas e 18 transplantadas. Na comparação entre os primeiros meses de cada ano, houve crescimento no número de doadores: foram nove no início de 2025 e 13 no mesmo período de 2026, reforçando o avanço da conscientização sobre a importância da doação de órgãos.


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