
Com última doação aos 69 anos, Domingos Paulo Sosti recebeu certificado inédito e deixou legado que já segue vivo dentro da própria família
A trajetória de solidariedade de mais de cinco décadas ganhou um capítulo especial nesta quinta-feira (26), no Hemosul Coordenador, em Campo Grande. Aos 69 anos, o doador Domingos Paulo Sosti realizou sua última doação de sangue, encerrando um ciclo de 52 anos dedicados a salvar vidas, agora reconhecido com a entrega de um certificado inédito pela instituição. Ele completa 70 anos no próximo dia 11 de abril, idade limite para doação conforme a legislação vigente.



O momento foi ainda mais simbólico: a coleta do sangue foi realizada pela própria filha, Vanessa dos Santos, técnica em enfermagem do próprio Hemosul, tornando a despedida ainda mais marcante.
Uma vida dedicada a salvar vidas
Domingos iniciou sua jornada como doador aos 18 anos, em São Paulo, e manteve o compromisso ao longo de toda a vida. Durante décadas, transformou a doação de sangue em um gesto contínuo de cuidado com o próximo.
“Eu acho muito gratificante doar sangue, porque estamos ajudando o próximo. Já são 52 anos de doação. Se eu pudesse, doaria mais ainda, mas existe o limite de idade, que vai até os 70 anos”, afirmou.
Entre as muitas histórias marcantes, uma das mais emocionantes foi a doação que ajudou a salvar a vida da filha de um amigo. “Ela precisava com urgência. Isso me tocou muito, porque penso que ajudei aquela criança a ter uma vida inteira pela frente”.
Reconhecimento e marco para o Hemosul
Domingos encerrou oficialmente sua trajetória recebendo um certificado em homenagem à sua história de solidariedade. A iniciativa abriu caminho para que outros doadores, em situação semelhante, também possam solicitar o reconhecimento junto ao Hemosul.
“É um sentimento de muita gratidão. Pelo que fiz até hoje, sinto que é um reconhecimento, uma bênção”, destacou.



Legado que atravessa gerações
Mais do que números, a história de Domingos se refletiu diretamente dentro de casa. A filha, Vanessa, cresceu acompanhando o exemplo do pai e, nesta última doação, teve a oportunidade de estar ao lado dele também como profissional.
“Desde muito pequena, eu via ele chegando da doação, com orgulho. E eu sempre falava: ‘Quando eu crescer, quero ser doadora de sangue igual ao meu pai’”, relembrou.
Apesar do medo de agulha, Vanessa superou o receio e também se tornou doadora. “Ele sempre dizia que não doía, que o mais importante era o sentimento. Levei um tempo, mas hoje já tenho cerca de 4 a 5 anos como doadora”.
Vocação para o cuidado
A trajetória profissional de Vanessa também foi influenciada por esse ambiente de cuidado e solidariedade. Concursada da SES (Secretaria de Estado de Saúde) há quase 13 anos e com 22 anos de experiência na enfermagem, ela atua há cinco meses no Hemosul.
“Construí minha trajetória na enfermagem e hoje estou aqui, no Hemosul, vivendo isso de perto”, contou.
Orgulho e inspiração na família
Para Vanessa, ver o pai sendo homenageado foi motivo de emoção e orgulho, ainda mais por participar diretamente desse momento.
“Ele está prestes a completar 70 anos, mas tem um espírito jovem. É o tipo de pessoa que, se você ligar de madrugada pedindo ajuda, ele vai. Ele se doa para os outros, isso faz parte da essência dele”.
O exemplo também se estendeu aos irmãos. “Tenho uma irmã que também é doadora. Meu irmão ainda tem um pouco de medo, mas a gente sempre incentiva”.
Encerramento de um ciclo e início de outro
A última doação, que inicialmente seria apenas um registro institucional, acabou se transformando em uma homenagem familiar.
“Era para ser só uma comemoração para a página do Hemosul, mas virou uma homenagem minha para ele. Uma forma de retribuir tudo o que ele fez por mim”, destacou Vanessa.
O momento simbolizou mais do que um encerramento: representou a continuidade de um legado.
“Fecha um ciclo, mas começa outro. Ele encerrou essa fase com saúde, não por doença, mas porque chegou o tempo. Como diz a Bíblia, há tempo para todas as coisas”.



Incentivo à doação
Domingos deixou um recado direto à população: superar o medo e praticar a solidariedade.
“Muita gente tem medo por causa da agulha, mas não dói. Doar sangue é um gesto de amor. Todos deveriam doar, porque estamos salvando vidas”.
Como doar sangue
Para doar sangue, é necessário:
Antes da doação, todos os candidatos passam por triagem clínica para garantir a segurança do doador e de quem vai receber o sangue.
André Lima, Comunicação SES
Fotos: André Lima
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