
Com o objetivo de fortalecer o diálogo com os povos originários e ampliar estratégias de inclusão digital, o Governo de Sergipe, por meio das secretarias de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan) e do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), realizou, nesta quarta-feira, 25, uma visita técnica à Aldeia Fulkaxó, em Pacatuba. A iniciativa integra o Conecta-SE, projeto desenvolvido em parceria com o Banco Mundial, e dá continuidade ao processo de escuta ativa com povos e comunidades tradicionais de Sergipe, com foco no mapeamento de demandas por habilidades digitais.
Na ocasião, foram apresentados os objetivos do projeto, instituído pela Lei nº 9.604/2025, que tem como eixos estratégicos a ampliação do acesso à banda larga, a modernização dos serviços públicos e o fomento à eficiência energética em edificações públicas. Com o avanço da digitalização do Estado, está prevista a oferta de capacitações em áreas como letramento digital e informática, que visam facilitar o acesso da população aos serviços públicos digitais, além de promover qualificação para oportunidades de emprego e renda.
Identificar as singularidades dos territórios e acolher as demandas locais são etapas fundamentais para orientar a oferta de capacitações, um processo que também tem sido realizado pelo Conecta-SE junto a comunidades quilombolas dos municípios de Laranjeiras e da Barra dos Coqueiros .
O coordenador social do projeto, Thiago Ismerim, destacou a importância da ação. “Essas visitas são muito importantes para o projeto porque precisamos pensar a transformação digital atrelada à transformação social. Então, precisamos entender a comunidade, as necessidades, o que eles querem e, assim, trazer algo efetivo, que tenha continuidade e que isso proporcione para eles o desenvolvimento da comunidade sem perder a essência. É importante frisar isso: a internet, a conexão, não pode descaracterizar a comunidade. Essa é uma ferramenta que abre diversas possibilidades”, explicou.
O coordenador de cursos de qualificação da Seteem, Francisco Rocha, ressaltou que entre os cursos previstos, está o de letramento digital. “Ele ensina a base das necessidades referentes às demandas de tecnologias da informação. A exemplo de utilizar um cartão de banco para acessar um cash, passar um e-mail, utilizar o WhatsApp e Instagram. Então, essa visita à comunidade indígena Fulkaxó nos deu a oportunidade de ouvir as demandas e o que vamos fazer é adequar o conteúdo programático para atingir as necessidades apresentadas por eles”, reforçou.
Impactos
Entre os desafios e oportunidades identificados durante a visita, destacaram-se, ainda, as necessidades de capacitação em áreas relacionadas ao marketing digital, com o objetivo de promover os trabalhos artesanais desenvolvidos pela comunidade. Na ocasião, também foi ressaltada a importância de ampliar a visibilidade da história, das tradições e das singularidades que caracterizam a aldeia, por meio do uso estratégico das ferramentas tecnológicas.
Para a indígena e articuladora social Josete Fulkaxó, a abertura de diálogo indica melhorias futuras. “Não temos muito contato com a cidade. Estamos na mata, esse é o foco de nós, indígenas, estar sempre na mata junto com as nossas plantas medicinais, e fica difícil pra gente usar a internet. Sempre que a gente precisa, tem que ir pra uma cidade. Trazendo ela para cá, não vai ter necessidade que a gente saia e vá pra uma cidade longe para resolver as nossas coisas”, ressaltou.
A iniciativa também foi celebrada pelo indígena Arthur Souza, que possui experiências em áreas como inteligência artificial e web designer. “Esse intercâmbio entre o governo e a Aldeia Fulkaxó é de grande benefício para nós. Trazendo acesso à internet e capacitações para nossos jovens, eles terão acessos que nunca tiveram pra lá na frente poderem ter um emprego, um negócio, através desses cursos. Para nós, é de extrema importância pra gente entender e buscar cada vez mais melhorias para nossa comunidade”, considerou.








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