
O deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para defender a construção da nova ponte que irá ligar Mato Grosso do Sul ao Paraná, anunciada na semana passada. O discurso foi proferido durante a sessão ordinária desta terça-feira, 24, da Casa de Leis.
A construção da nova ponte sobre o Rio Paraná, ligando Porto São José (PR) a Mato Grosso do Sul, associada à implantação de uma variante da BR-376 até Nova Andradina, configura uma das mais relevantes intervenções logísticas em planejamento no Centro-Oeste. O projeto reúne implantação de novos trechos, restauração e duplicações, estruturado para atender padrões de alto desempenho (Classe I-A do DNIT), voltados ao transporte de cargas pesadas.
A princípio, a proposta técnica prevê cerca de 32,4 km de rodovia nova, 19,2 km de adequações e 6,27 km de duplicações, além de interseções, faixas adicionais de ultrapassagem, pontes, viadutos e sistemas de drenagem, considerando áreas sensíveis a inundações. O pacote inclui ainda estudos completos topográficos, geotécnicos, hidrológicos, de tráfego e ambientais, assegurando viabilidade técnica e conformidade com o licenciamento.
Na tribuna, Hashioka destacou o caráter estruturante da obra, ressaltando que a ligação entre Mato Grosso do Sul e Paraná “representa uma transformação importante para a região e para o Brasil”, ao consolidar um novo eixo de integração logística. O parlamentar enfatizou que o projeto já avança na etapa de estudos técnicos, considerados essenciais para viabilizar a execução com segurança e eficiência.
Segundo Hashioka, a nova ligação não apenas aproxima os dois estados, como também reconfigura a dinâmica regional. “Estamos diante de um corredor que integra diferentes regiões e modais, com impacto direto no desenvolvimento econômico e na competitividade”, afirmou, ao defender a continuidade dos investimentos em infraestrutura como vetor de crescimento.
Nó logístico estratégico – O principal efeito estrutural recai sobre Nova Andradina, que deixa de ocupar posição periférica e passa a assumir papel central na malha logística. Inserido em um corredor que conecta Maringá (PR), sul de Mato Grosso do Sul e a fronteira com o Paraguai, o município tende a se consolidar como nó logístico estratégico, um ponto central de conexão que irá integrar diferentes modais de transporte, articulando fluxos regionais, nacionais e internacionais.
Essa mudança de status decorre da integração com a BR-267 e, consequentemente, com a Rota Bioceânica, que liga o Brasil aos portos do Pacífico via Paraguai, Argentina e Chile. O novo eixo amplia o alcance das cadeias produtivas, especialmente do agronegócio, com redução de custos logísticos, menor tempo de transporte e maior eficiência no escoamento da produção.
Com perfil de tráfego predominantemente voltado a caminhões pesados e bi-trens, o corredor atende diretamente à demanda do agronegócio, marcada pela sazonalidade das safras de soja e milho. A melhoria da infraestrutura reduz perdas, aumenta a competitividade e facilita o acesso a mercados internacionais.
Além disso, o projeto cria condições para atração de investimentos privados, com potencial instalação de indústrias, centros logísticos e armazéns. A valorização imobiliária e a expansão urbana ordenada também figuram entre os efeitos esperados, impulsionando o desenvolvimento local.
Hashioka reforçou que a obra terá impactos amplos: “Esse eixo logístico vai integrar regiões, gerar oportunidades e fortalecer a economia, especialmente no interior, promovendo desenvolvimento de forma mais equilibrada”.
Do ponto de vista operacional, a nova ligação proporcionará maior fluidez ao tráfego, redução do tempo de viagem e menor custo operacional de veículos. As duplicações e melhorias geométricas contribuem para a segurança viária, reduzindo acidentes e conflitos entre veículos leves e pesados.
O projeto também incorpora diretrizes ambientais rigorosas, com exigência de licenciamento federal, condução de estudos técnicos detalhados e adoção de medidas de mitigação de impactos, como passagens de fauna e gestão sustentável de recursos.
Em seu pronunciamento, Hashioka ressaltou que a preocupação ambiental é legítima e necessária, destacando que todas as etapas deverão observar a legislação vigente e os critérios técnicos dos órgãos competentes. O parlamentar ponderou, no entanto, que a execução da obra e a elaboração dos projetos não estão na esfera do Legislativo, cabendo aos órgãos responsáveis garantir que o empreendimento avance com equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental.
Eixo estruturante nacional – Em escala mais ampla, a obra consolida um corredor logístico de exportação, fortalece a integração entre regiões e contribui para a interiorização do desenvolvimento econômico. Ao conectar Mato Grosso do Sul ao Sul do país e às rotas internacionais, o projeto amplia a eficiência da cadeia produtiva brasileira.
Para Nova Andradina e toda a região do Vale do Ivinhema, o impacto é ainda mais significativo: a transformação em polo logístico posiciona os municípios como peças-chave na nova geografia econômica regional, com ganhos diretos em competitividade, infraestrutura e atração de investimentos.
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