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A trajetória centenária do veterano mais antigo da Polícia Militar de Alagoas

Aos 102 anos, soldado João Neri construiu uma história que atravessou o tempo e ajudou na formação da identidade da Corporação

13/03/2026 às 18h48
Por: Redação Fonte: Secom Alagoas
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A trajetória centenária do veterano mais antigo da Polícia Militar de Alagoas - Wesley Ferreira / Ascom PM-AL
A trajetória centenária do veterano mais antigo da Polícia Militar de Alagoas - Wesley Ferreira / Ascom PM-AL
George Amorim / Ascom PM-AL

O olhar sereno e as mãos calejadas que acompanham o balanço de uma cadeira de madeira fazem parte da rotina tranquila de um homem que, talvez, não compreenda a dimensão de sua importância para a história da Polícia Militar de Alagoas. Ali reside o mais antigo policial vivo em nosso estado. Com uma trajetória centenária, o patriarca tornou-se um espelho dos valores da Corporação e perpetuou suas memórias às futuras gerações da família.

Com 102 anos, ele foi incorporado à Briosa em fevereiro de 1948. À época, o mundo ainda se recuperava dos impactos da 2ª Guerra Mundial, e a figura do militar era sinônimo de prestígio e respeito na sociedade. Desde então, foram 34 anos de serviços dedicados à Polícia Militar, sendo a maior parte do tempo na região que hoje corresponde à 3ª Companhia Independente. O veterano lembra que o serviço na época era bem diferente dos dias atuais.

“Eu destaquei por muito tempo em uma região conhecida como Uruba, lá em Atalaia. Antes, eu desempenhava a função de vaqueiro em uma fazenda naquela localidade. Daí, apareceu o convite para ser militar e eu aceitei, já que naquela época não existia concurso público”, relembrou.


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Além de Atalaia, João Neri também foi lotado nas cidades de Boca da Mata, Capela e no povoado Santa Efigênia. Na época, o policiamento funcionava de maneira menos sofisticada e com uma estrutura física simples. Segundo o soldado, a delegacia e o batalhão dividiam o mesmo espaço físico e até as funções acabavam se misturando.

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“A gente fazia o patrulhamento a cavalo, já que era uma região com muitas fazendas e vegetação; inclusive, o batalhão ficava em um local onde o acesso era bem difícil”.

Valores que vão além do tempo

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As marcas naturais da idade não permitem que ele descreva com detalhes parte de suas mais de três décadas dedicadas ao serviço policial. Porém, o seu relato não é feito de verbos, mas de gestos. Foi o exemplo de João que moldou a criação de toda uma geração. Entre os que se inspiraram no patriarca está seu filho, Celso Lúcio, de 54 anos. Embora não tenha seguido a carreira militar, ele conta como a força e a coragem do veterano formaram o alicerce da família.

“Trabalho há 19 anos como motorista de ônibus e tenho muito orgulho da criação que meu pai me proporcionou. Hoje, dedico minha vida a retribuir a ele ao menos uma parte de tudo o que ele fez por mim”, relatou.

Chama a atenção o fato de que o período de João Neri na reserva remunerada já é mais longo do que a própria trajetória completa de serviço ativo da grande maioria dos policiais atuais. São 44 anos de inatividade, um intervalo de tempo capaz de causar, para muitos, o esquecimento das antigas tradições. No entanto, o filho do veterano revela a permanência da essência militar no cotidiano do pai. Ele narra como, mesmo após quatro décadas longe dos quartéis, o veterano ainda preserva valores da caserna, especialmente a rigidez da rotina.


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“Meu pai sempre foi uma pessoa muito independente. Até os 80 anos, ele fazia suas coisas sozinho, mas com o avançar da idade foi preciso que passássemos a supervisioná-lo mais. Apesar disso, ele faz questão de manter atividades que fizeram parte de sua rotina, como o hábito de ir à feira todos os sábados. Embora ele não lembre ao certo qual é o dia da semana, sempre nos pergunta para saber se o sábado já chegou”, destacou o filho.

Além de Celso, João Neri tem outros três filhos, seis netos e dois bisnetos. Essa mesma herança de valores encontra eco em sua neta, Caroline Silva. Para ela, o avô não foi apenas uma figura de autoridade, mas alguém que a ajudou a construir sua própria identidade e independência.

“Hoje enxergo meu avô como um alicerce de força e coragem, servindo como o combustível para que eu desempenhasse meu papel de mãe e mulher”, enfatizou.

Homenagem em vida

O soldado mais antigo da Polícia Militar foi um dos homenageados em evento organizado pela Corporação em alusão ao Dia do Veterano nessa quinta-feira (12). Na ocasião, ele esteve acompanhado de seus familiares durante a exibição de um vídeo institucional protagonizado por ele, além de receber um certificado de agradecimento pelos serviços prestados à Instituição.


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Além disso, o veterano possui acompanhamento especial realizado pela Diretoria de Proteção Social (DPS), núcleo responsável pela gestão dos inativos na PM-AL. Os cuidados são complementados por equipes médicas da Diretoria de Saúde, com acompanhamento clínico constante.

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