
Em apenas dois anos, a Polícia Científica de Alagoas (PolC) registrou um salto histórico na participação feminina em seu quadro efetivo. Com um crescimento de 100%, a instituição alcançou índices que superam, com folga, a média nacional das forças de segurança pública.
O avanço se consolidou após a nomeação dos aprovados no último concurso realizado pelo Governo do Estado. O contingente feminino saltou de 58 para 116 servidoras, promovendo uma mudança profunda no perfil do órgão e fortalecendo a representatividade feminina em áreas técnicas e periciais de alta complexidade.
Segundo levantamento da Supervisão Executiva de Valorização de Pessoas da PolC, as mulheres ocupam hoje 37,9% dos cargos efetivos. São peritas criminais, médicas-legistas, odontolegistas, papiloscopistas, técnicas forenses e auxiliares de perícia, atuando diariamente na produção de provas técnicas e no combate à criminalidade em todo o estado.
Vanguarda nacional
O percentual alagoano é mais que o dobro da média brasileira. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no ano passado, revelam que as mulheres representam apenas 16,4% do efetivo das forças de segurança estaduais no Brasil.

A presença feminina é marcante em áreas estratégicas da instituição. Nos Institutos de Criminalística de Maceió e Arapiraca, mulheres ocupam 33 das 91 vagas de peritos criminais em atividade, com papel fundamental na perícia de campo e laboratorial. A perita criminal Maria Neuma de Oliveira Souza iniciou no setor de fonética e depois migrou para a perícia externa, área pela qual se apaixonou.
“É um trabalho dinâmico, em que cada ocorrência revela uma história diferente. Saber que, por meio da ciência, nosso trabalho pode ajudar a esclarecer os fatos e contribuir para que a verdade venha à tona é o que torna essa profissão tão significativa para mim”, disse Neuma.

No Instituto de Identificação, a representatividade feminina também é alta: 10 das 22 vagas de papiloscopistas são ocupadas por mulheres. Simone Ribeiro é um exemplo. Mesmo com a estabilidade como técnica judiciária no Tribunal de Justiça do Estado, buscava novos desafios na área do Direito e encontrou na PolC uma oportunidade de renovação e aprendizado.
“Tem sido uma surpresa enriquecedora atuar como papiloscopista. Atualmente, como plantonista, posso contribuir com as identificações papiloscópicas e prosopográficas realizadas nos IMLs de Maceió e Arapiraca, bem como atender solicitações dos órgãos de Alagoas e demais estados. Assim, sinto-me realizada e orgulhosa em desempenhar função de tamanha relevância para o serviço público”, afirmou Simone.
Nos Institutos Médicos Legais (IMLs), a presença feminina também é expressiva, ocupando 12 dos 31 postos de técnico forense. “A mulher técnica forense tem um papel essencial na produção de provas; com sensibilidade e precisão, ela transforma ciência em justiça”, afirmou Núbia Vanessa.
Já na Odontologia Legal, as mulheres detêm a maioria absoluta: dos 10 peritos odontolegistas, sete são do sexo feminino, atingindo 70% do efetivo da área — o maior percentual por cargo na instituição. Sâmia Lima é uma dessas profissionais que aplicam os conhecimentos da odontologia forense para auxiliar investigações, atuando principalmente na identificação de pessoas e na análise de vestígios da arcada dentária.
Crescimento proporcional
Embora a Medicina Legal ainda apresente predominância masculina, o crescimento feminino no setor é o que mais chama a atenção. O número de médicas-legistas atuantes nos IMLs da capital e do Agreste subiu de sete para 16 em 2026, representando o maior avanço proporcional entre todas as carreiras nos últimos anos.
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“Ser médica-legista é exercer uma função que exige ciência, rigor, coragem e sensibilidade. Durante muito tempo, esse espaço foi predominantemente ocupado por homens, mas hoje vemos cada vez mais mulheres assumindo com excelência o papel de peritas médicas-legistas, contribuindo de forma decisiva para a justiça e para a verdade dos fatos”, destacou a perita médica-legista Plúvia Cristalina.
O cargo de auxiliar de perícia, criado no último concurso, também reforça essa tendência de inclusão: das 64 vagas preenchidas, 26 são ocupadas por mulheres. Klyvia Fireman, que tomou posse recentemente, explicou que escolheu a Polícia Científica porque sempre teve o desejo de contribuir com a verdade e ajudar as pessoas por meio do conhecimento e da ciência.
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“A perícia tem um papel muito importante na busca por respostas e na construção da justiça. Como mulher, sinto muito orgulho de fazer parte dessa área e espero exercer meu trabalho com responsabilidade, sensibilidade e dedicação, contribuindo para a sociedade e mostrando que nós, mulheres, podemos ocupar qualquer espaço”, afirmou a policial científica.
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Além dos cargos de carreira, a PolC também conta com mulheres que fazem a instituição funcionar no dia a dia, atuando como assistentes e auxiliares administrativas de Perícia, em funções terceirizadas e comissionadas — como Edna Rocha, que há 44 anos se dedica ao atendimento ao público.
Para o perito-geral Kleber Santana, esses indicadores evidenciam não apenas uma ampliação numérica, mas uma transformação estrutural na Polícia Científica de Alagoas. Ao promover a equidade de gênero, a instituição se consolida como referência nacional na valorização da mulher dentro da segurança pública.
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