
A 3ª edição do Prêmio Educador Transformador, realizado pelo Sebrae em parceria com o Instituto Significare e Bett Brasil, divulgou a relação de finalistas e, na categoria Gestão Educacional Transformadora, uma iniciativa liderada pela diretora Kislane Rodrigues, da Escola em Tempo Integral Mário Antônio Alves da Silva, na Folha 25, foi a vencedora e irá representar o estado na etapa nacional.
O projeto classificado diz respeito à recomposição de aprendizagem que atende os alunos da escola, com foco nas turmas do 2º ao 5º ano. Após a inscrição, o projeto passou na primeira etapa. A partir da segunda etapa, os processos foram realizados em uma plataforma online onde o projeto é sistematizado e há o suporte da inteligência artificial com sugestões de aprimoramento para torná-lo sustentável e acessível para ser reproduzido em outras escolas.
A ideia do projeto surgiu a partir do próprio currículo escolar. Antes, havia a disciplina de Orientação de Estudo que em 2024 voltou com o nome de Recomposição de Aprendizagem. Kislane Rodrigues explica como a recomposição de aprendizagem é realizada.
“É voltada tanto para matemática quanto para língua portuguesa. O foco inicial do projeto era língua portuguesa porque recebemos muitos alunos com dificuldades de leitura e escrita, o que dificulta muito a continuidade do aluno no ano seguinte. Ou seja, em vez de reprovar esse aluno, a intenção é que ele faça uma recomposição ainda durante o ano letivo. Isso diminui, principalmente, a evasão escolar, porque se a criança não reprova, ela se sente melhor para continuar estudando”, comenta.


O fato de a Escola Mário Antônio ser de tempo integral e possuir laboratório de informática é essencial para a operação do projeto, principalmente no contraturno, porque há espaço na grade para a recomposição, além de haver menor uso de materiais impressos. São três aulas de língua portuguesa e três aulas de matemática durante a semana.
Com o avanço das etapas da premiação como imersão, ideação, prototipação e desenvolvimento, o projeto passou por aperfeiçoamentos. A aplicação do projeto permite que, além de professores, colegas de turma que dominem o assunto em questão também possam ser tutores. A diretora explica o objetivo do projeto.
“É reforço, só que a intenção maior dessa recomposição está não só no ano que o aluno está estudando, mas nas deficiências que ficaram dos anos anteriores. O primeiro foco é o diagnóstico. Qual é a maior dificuldade desse aluno? Dentro dessa dificuldade, eu consigo mapear o que ele precisa. A partir daí, fazemos a recomposição da dificuldade, específica por aluno. Eles não querem ideias que sejam fora da realidade. Eles querem coisas concretas. O que você, com pouco material, pode fazer dentro da sua escola”, afirma.


Agora, a fase da premiação consiste em haver colaboração entre os projetos selecionados de estados diferentes que tenham afinidades. Até a etapa nacional, que acontece entre os dias 5 e 8 de maio, em São Paulo, os gestores passam por mentoria mediada por professores da Universidade de São Paulo (USP), da plataforma utilizada para os projetos e do Bett Brasil. A programação conta ainda com formação de gestores, por meio de palestras. Antes disso, ocorre a premiação da etapa estadual em Belém, com data a ser definida.
A diretora reforça a importância de mostrar ao mundo iniciativas que ajudam a transformar a educação.
“Nós podemos mostrar que dentro de Marabá temos projetos tão bons quanto. Dentro das nossas formações de gestores, a gente, conversando, percebe que as problemáticas são as mesmas, que as soluções que a gente tem são as mesmas. Que tal a gente influenciar os outros, mostrando o que a gente faz em Marabá? Se colocarmos isso como uma cultura, acredito que muitos mais prêmios virão”, ressalta.
A diretora Kislane Rodrigues é natural de Monte Alegre, no oeste do Pará. Formada em Pedagogia, trabalha com educação desde 2002. Em 2011, passou a fazer parte da rede municipal de ensino, atuando como professora, coordenadora e diretora, cargo que ocupa desde 2018 na Escola Mário Antônio. Anteriormente, ela trabalhou nas Escolas Jonathas Pontes Athias, João Anastácio de Queiróz, Salomé Carvalho e Martinho Motta. Na Escola Mário Antônio, o resultado do trabalho de Kislane e sua equipe pode ser percebido por resultados: em 2024, foram 24 medalhas nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática.
Ela celebra o reconhecimento do projeto. “Eu me sinto feliz, mas eu posso dizer que não é um prêmio só meu. É um prêmio compartilhado com todos os meus colegas gestores, porque é através dessa troca de experiências que surgem essas novas ideias, que surge como reaproveitar o material, como utilizar a computação. É um conjunto de coisas. A formação, inclusive, da própria Semed nos traz isso. Para ver que o que é feito em Marabá está fazendo efeito, que as outras pessoas estão vendo”, conclui.
Os projetos que se destacarem na etapa nacional representarão o país na Bett UK, em Londres.


Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Sara Lopes
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