
O Fevereiro Roxo é uma campanha nacional voltada à conscientização sobre o lúpus e outras doenças crônicas e sem cura. Segundo a reumatologista do Ipesaúde, Olívia Regina, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) ainda gera muitas dúvidas, receios e até preconceitos, sobretudo por se manifestar com sinais e sintomas que variam em intensidade e evolução.
Olívia informa que o lúpus é uma doença autoimune sistêmica, caracterizada por alterações no funcionamento do sistema de defesa do próprio organismo. “Os nossos soldados de defesa, que compõem o sistema imune do organismo, passam a atacar as nossas próprias células, e assim levam aos sinais e sintomas que a gente observa na doença”, pontua.
O quadro clínico do lúpus é amplo e varia bastante entre os pacientes. “O que a gente vê, principalmente, são lesões de pele. Uma pele mais sensível ao sol, dores nas articulações, fadiga, febre, xixi espumoso e falta de ar são múltiplas manifestações”, detalha a médica.
No Brasil, estima-se que entre 150 mil e 300 mil pessoas convivam com o lúpus, sendo a maioria mulheres jovens, na faixa etária entre 20 e 45 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). No entanto, a condição pode afetar pessoas de qualquer idade, gênero e raça.
O diagnóstico exige atenção e uma avaliação cuidadosa. Conforme ressalta Olívia, não se trata de um exame isolado, mas de um conjunto de fatores. “O diagnóstico do lúpus é complexo, porque envolve um exame clínico apurado, sabendo tudo o que aconteceu na vida do paciente, além de alterações laboratoriais compatíveis com o quadro clínico”, diz.
A beneficiária do Ipesaúde, Eliane Santos, teve o diagnóstico de lúpus em 2006. “Na época, me disseram que eu morreria logo. Eu tinha uma filha pequena e minha maior preocupação era deixar minha filha com alguém. Pedi a Deus que me deixasse, pelo menos, ver minha filha completar 15 anos. Hoje, ela tem 26 e está formada”, compartilha.
Durante este processo, Eliane contou com acompanhamento profissional e apoio contínuo, fundamentais para enfrentar os desafios e seguir em busca de mais saúde e bem-estar. “Eu pratico atividade física, pedalo, gosto de fazer aula de dança e, por meio do Ipesaúde, consigo todas as especialidades que preciso. Desde 2012 estou em remissão”, celebra.
Neste contexto, o Fevereiro Roxo cumpre um papel fundamental ao ampliar o acesso à informação e estimular a busca por ajuda especializada. Embora o lúpus não tenha cura, o tratamento adequado faz toda a diferença na vida dos pacientes. “O lúpus tem tratamento. Contamos com medicações cada vez mais modernas, que ajudam a melhorar muito a qualidade de vida e a longevidade do paciente”, pontua a reumatologista Olivia Regina.
A médica reforça que, diante de qualquer sintoma suspeito, é essencial procurar um reumatologista. “A modernidade hoje permite que a paciente lúpica viva muito bem com qualidade de vida e por muito tempo”, orienta.

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