
No Piauí, a valorização da cultura afro-brasileira, o combate ao racismo e a promoção da igualdade começam pela escola. Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) destaca o conjunto de ações que consolidam uma política pública estruturada e permanente para a construção de uma educação verdadeiramente antirracista.
Criado em 2023, o Educar para Respeitar é hoje a principal frente da Seduc para promover equidade racial, ampliar a representatividade e enfrentar o racismo estrutural dentro do ambiente escolar. O programa atua em quatro pilares: valorizar a diversidade cultural e fortalecer a identidade afro-brasileira, indígena e quilombola; capacitar professores e gestores para práticas pedagógicas antirracistas; estimular a autodeclaração de raça/cor/etnia para orientar políticas afirmativas; e garantir representatividade nas políticas educacionais.

As ações envolvem palestras, oficinas, formação continuada, seminários e a aquisição de livros didáticos afro-brasileiros, africanos e indígenas, integrando essas discussões à formação integral dos estudantes.
No Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Solange Viana Area Leão, em Teresina, o projeto artístico-pedagógico “Círculos de Saberes”, desenvolvido por estudantes e professores, promoveu rodas de conversa, oficinas artísticas, sarau literário e uma feira cultural, resultando em uma cartilha educativa antirracista que transformou o cotidiano escolar. O projeto foi destaque na Olimpíada Brasileira de Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (OBERERI), a primeira do país dedicada exclusivamente à temática.

A professora Maria Valme de Souza, coordenadora do projeto, destacou que o desenvolvimento da iniciativa foi fundamental para instrumentalizar o debate étnico-racial na escola e a estudante Emanuella Vitória Neves revelou que, por meio das atividades, passou a enxergar sua identidade com mais orgulho. “A consciência negra se constrói todos os dias, com protagonismo e transformação”, destaca.
Em 2025, o programa promoveu 20 formações sobre educação antirracista, alcançando 1.000 profissionais e mais de 69 mil estudantes da rede estadual. No primeiro ano do programa, 1.800 professores e gestores foram formados.

Além disso, o tema da equidade foi integrado às formações do Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa (PPAIC) por meio do eixo “Educar Mais Cedo para Respeitar”, em parceria com o Pacto pelas Crianças, ampliando práticas antirracistas desde a primeira infância. Quinze mil professores das redes municipais de educação infantil e alfabetização passaram a receber formações com carga horária média de 64 horas por módulo.

Entre as iniciativas estruturantes, a Seduc também lançou a Campanha de Autodeclaração de Raça/Cor ou Etnia, reforçando o reconhecimento identitário dos estudantes e garantindo dados reais para políticas mais inclusivas. Outro marco foi a criação do Selo Escola Antirracista, que reconhece boas práticas implementadas nas escolas da rede. Em 2024, 21 escolas, uma por cada GRE, foram certificadas.

O secretário Washington Bandeira reforça a dimensão do programa. “O Educar para Respeitar é o maior programa de educação antirracista da história da escola pública do Piauí. A gestão do governador Rafael Fonteles valoriza profundamente o movimento negro. Vamos levar cada vez mais estudantes para vivenciarem a história, a cultura e as matrizes africanas, afro-brasileiras e afro-piauiense que formam o nosso povo”, afirma.

Parcerias e expansão da formação acadêmica
A política antirracista da Seduc também avança com o comitê interinstitucional, composto por 13 entidades, entre universidades, movimentos sociais e órgãos públicos, além da adesão ao Programa Estadual Pró-Equidade de Gênero, Raça e Diversidade, coordenado pela Secretaria das Mulheres.
Na formação superior, foi criado o Curso de Especialização em Histórias, Culturas e Literaturas Africanas, Afro-brasileiras e Indígenas, ofertado pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi). São 50 profissionais da Seduc e da própria universidade em formação ativa, em um curso de 480 horas, voltado a ampliar a compreensão dessas temáticas no ensino básico.

Piauí conquista 19 premiações na OBERERI
Como resultado dessa política robusta, estudantes da rede estadual conquistaram 19 premiações na Olimpíada Brasileira de Relações Étnico-Raciais, Afro-Brasileiras, Africanas e Indígenas (OBERERI), a primeira do país voltada exclusivamente ao ensino das relações étnico-raciais.
Piauí lidera avanços nacionais na equidade racial
As ações da Seduc têm produzido resultados concretos. O estado ficou em 1º lugar no Brasil na melhoria do desempenho de estudantes pretos, pardos, indígenas e de baixa renda, segundo o Instituto IEDE, com base nos dados do Saeb (2019–2023).
O Piauí também foi premiado pelo Ministério da Educação pela liderança na inclusão de estudantes pretos e pardos na educação profissional e tecnológica, registrando o maior percentual de matrículas desse público no ensino médio integrado à Educação Profissional e Tecnológica (EPT).

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