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Diante do genocídio cultural que vivemos, só os livros podem reconstruir nossa memória”, diz escritor palestino no encerramento da FLICA.

Escritor Atef Abu Saif encerra a FLICA 2025 com um chamado à resistência pela palavra e pela memória do povo palestino.

28/10/2025 às 21h52
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Viva Comunicação Interativa / Tatiane Freitas
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Fotos: Gustavo Rozário
Fotos: Gustavo Rozário

A última mesa da FLICA 2025, realizada na noite de sábado (25), na Tenda Paraguaçu, reuniu o escritor palestino Atef Abu Saif, autor de “Quero estar acordado quando morrer”, o filósofo e ex-reitor da UFBA João Carlos Salles e o jornalista Ernesto Marques. Sob o tema “Literatura, Memória e Gramática Profunda”, o encontro discutiu o poder das palavras em contextos de barbárie, liberdade e resistência, abrindo espaço para reflexões intensas sobre o apagamento cultural da Palestina e o papel da literatura diante da guerra.

“Só nos resta reconstruir a memória a partir da escrita. Só os livros nos levarão a cheirar aquele lugar novamente, ainda que o papel da literatura não seja trazer o passado de volta, mas levar as pessoas até ele”, afirmou Atef, ao comentar o genocídio cultural de Gaza, que, segundo ele, destrói não apenas vidas, mas também museus, teatros, igrejas e bibliotecas, “tudo o que conecta os palestinos enquanto povo”. O escritor contou que começou a escrever seu livro sem a intenção de publicá-lo, apenas para que o mundo soubesse que ele e o filho estavam vivos: “Quando escrevi, percebi que podia morrer. Meu filho me disse: ‘Se morrermos, quero que as pessoas saibam sobre nós.’ Então escrevi em inglês e árabe, ao mesmo tempo, como forma de existir”.

Apesar de dizer que não gosta de escrever sobre guerra, Atef reconheceu ser impossível escapar dela. “Quero escrever sobre amor, como o poeta Amir al-Qassim, que tentou escrever sobre o encontro com a namorada. Levava uma flor, mas os soldados a tomaram dele e jogaram fora. Então, sobre o que ele escreveu? Sobre os soldados. Às vezes queremos falar de amor, mas a guerra atravessa tudo. Mesmo quando não escrevemos sobre ela, ela escreve em nós”, disse, emocionando o público.

O filósofo João Carlos Salles destacou haver um apagamento sistemático da voz Palestina. “Durante os relatos de guerra, não ouvimos as vozes dos palestinos. É como se houvesse uma operação para silenciar, para desumanizar um povo portador de uma cultura extraordinariamente rica, que seus escritores tentam guardar como se carregassem água em um cesto de palavras”, afirmou.

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Encerrando a mesa, Ernesto Marques lembrou que quase 300 jornalistas foram mortos desde o início da guerra, a maioria palestinos, e alertou para a importância da informação como forma de resistência. “Hoje, são jornalistas cidadãos, com celulares, que registram o que podem, para que o mundo saiba o que ocorre por lá”, disse, ao reforçar a necessidade de buscar fontes alternativas e manter viva a solidariedade internacional.

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Onde tem patrocínio à cultura tem Governo do Brasil! — A 13ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado, através do FazCultura, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz), Bahiagás, Caixa, Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura — Lei Rouanet e Governo Federal. É contemplado também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada da SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). Conta com o apoio da EMBASA. A realização é da SCHOMMER, em parceria com a Prefeitura Municipal de Cachoeira e LDM (livraria oficial do evento).

 

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Cachoeira - BA
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