
Professora e aluna do Colégio Estadual do Campo Rui Barbosa, em Agudos do Sul, no Sul do Estado, ganharam destaque nacional ao receberem o Prêmio Capes Futuras Cientistas. A docente Jéssica Valüthky integra o grupo de dez educadoras premiadas no Brasil inteiro, e a estudante Letícia Marinho, 18 anos, está entre as 19 alunas reconhecidas na premiação.
Ofertada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a premiação celebra os projetos mais promissores e o engajamento de alunas, professoras e tutoras que fazem parte do programa Futuras Cientistas, desenvolvido pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Professora e estudante integram o programa Futuras Cientistas desde 2024, quando se inscreveram em iniciativas de popularização da ciência. Jéssica participou da imersão científica "Isto é Física", que incentiva educadoras a conectar conceitos complexos da ciência ao cotidiano das estudantes. "O incentivo à participação feminina na pesquisa me levou a fazer a inscrição. Acredito no poder da representatividade feminina na ciência como agente de transformação", afirma.
Com apoio do programa, as aulas da educadora exploraram campos variados da Física existente no dia a dia, do calor presente no preparo do café à ciência dos filmes, séries e histórias em quadrinhos. O projeto também incluiu experimentos com fluidos, estudos sobre trânsito e aplicações práticas de conceitos como massa e velocidade média. A imersão também buscou destacar a participação das mulheres na história da ciência, enfatizando contribuições femininas importantes, mas frequentemente ignoradas.
“Pude ampliar meu repertório teórico e prático, ressignificando minha relação com o ensino e a aprendizagem. Poder representar o Paraná e compartilhar essa conquista com uma estudante minha torna essa experiência especialmente significativa”, diz a educadora.
Hoje graduanda em Ciências Ambientais na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Letícia Marinho foi uma das jovens impactadas pela iniciativa, quando cursava a 3ª série do Ensino Médio, em 2024. Além de frequentar as aulas de Jéssica, a jovem fez inscrição no programa Futuras Cientistas para participar de iniciativa chamada "Usando a Química para resolver problemas do cotidiano".
Ela participou de aulas síncronas diárias e recebeu materiais práticos, como jaleco, provetas, placas de petri e tubos de ensaio. Durante as atividades, foi incentivada a perceber a presença da química em situações corriqueiras, bem como soluções oferecidas por ela. As participantes do programa também foram encorajadas a fazer experiências práticas e a utilizar a criatividade na escolha e no preparo dos materiais, despertando o aspecto questionador da ciência.
A experiência não apenas aprofundou seus conhecimentos, mas também a motivou a seguir a carreira científica. “O programa incentiva meninas do Brasil inteiro a ingressar na carreira científica, que é historicamente dominada por homens. É com orgulho que participei e agora ocupo uma vaga em uma universidade federal, reafirmando a presença feminina nos espaços geradores de conhecimento”, acrescenta Letícia.
AMBIENTE PROPÍCIO- O duplo destaque em nível nacional reforça o protagonismo do Colégio Estadual do Campo Rui Barbosa no incentivo à iniciação científica. Conforme a diretora-auxiliar, Luciana Pires, a gestão escolar trabalha para que professores e estudantes encontrem espaços propícios para o desenvolvimento da ciência. “A direção tem investido continuamente para criar um ambiente fértil. Oferecemos infraestrutura adequada, apoio institucional sólido e incentivo constante às docentes e discentes que desejam se aventurar pelo universo da pesquisa”.
A escola também organiza feiras científicas e visitas a museus, centros de pesquisa e ao Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, os alunos são frequentemente incentivados a participar de projetos de pesquisa e olimpíadas do conhecimento.
As iniciativas têm dado frutos. Além de Jéssica e Letícia, que participaram do Futuras Cientistas 2024, a escola contou com uma representante na edição 2025 do programa. Alana Pires, de 16 anos, aluna da 3ª série do Ensino Médio, se inscreveu na iniciativa “Desafio ODS: Luz na Educação”. O projeto da estudante envolveu a criação de um jogo educativo na plataforma Roblox, no estilo sala de escape, no qual o usuário é convidado a refletir sobre desafios da educação pública brasileira.
“Os feedbacks que recebemos mostraram que o jogo conseguiu despertar o pensamento crítico e engajar os participantes com os desafios educacionais”, diz a estudante. “Aprendi que a educação não é só uma ferramenta de aprendizado, mas sim um meio poderoso de transformação social”, afirma.
De acordo com a direção escolar, a tradição do colégio continuará em 2026. Motivadas pela experiência das colegas, alunas e professoras já fizeram inscrição na próxima edição do programa. “Sabemos que cada participação abre caminhos, planta sementes e inspira outras meninas a também acreditarem no seu potencial”, afirma Luciana Pires.
FUTURAS CIENTISTAS- O programa Futuras Cientistas foi criado em 2012 pelo Cetene e expandido para todo o Brasil em 2022, com apoio do CNPq. A iniciativa visa promover a equidade de gênero e a participação feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
Por meio da ação, alunas de Ensino Médio da rede pública de todo o Brasil têm a oportunidade de vivenciar o ambiente científico por meio de imersões e atividades preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o ingresso no Ensino Superior.
Neste contexto, o Prêmio Capes Futuras Cientistas 2025 reconheceu o destaque de 19 alunas, 10 professoras e 13 tutoras participantes do programa, anunciadas no final de setembro. As alunas vencedoras receberão certificado e medalha. Para as professoras e tutoras, a premiação consistirá no apoio financeiro para a participação em congresso nacional relacionado à área de seu projeto de trabalho, com valor máximo de R$ 6 mil, a ser pago pela Capes.
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