
Na zona Norte de Teresina, o Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Pequena Rubim está mostrando como a educação pode ser um instrumento poderoso de inclusão e transformação. Por meio do projeto “Sementinhas das Libras”, 48 estudantes da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio estão aprendendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras) de forma leve, criativa e colaborativa, em uma iniciativa que une empatia, convivência e inovação pedagógica.
A ideia surgiu da professora Aurora do Nascimento, intérprete de Libras na escola, ao perceber o interesse crescente dos alunos em aprender a se comunicar com um colega surdo. “Vi o brilho nos olhos deles, quando acompanhavam as aulas com tradução em Libras. Muitos começaram a querer aprender também, então decidimos criar o projeto para toda a comunidade escolar, ouvintes e surdos, tornando o aprendizado acessível e divertido”, contou.

Durante as oficinas, os estudantes criam materiais e jogos didáticos para facilitar o aprendizado da língua de sinais. Surgiram ideias como o Tabuleiro de Libras, o jogo Centopeia com Valores Monetários, o Feirinha em Libras, em que os alunos simulam compras usando sinais e até uma versão adaptada do Ludo, que ensina números e expressões básicas. Tudo é feito por eles, desde as regras até as peças, o que torna a experiência ainda mais significativa.

Os materiais produzidos também serão utilizados na Sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) da escola, fortalecendo as práticas de inclusão e ampliando o acesso à comunicação entre os estudantes com deficiência auditiva e toda a comunidade escolar.
Para Rayka Navelly Medeiros, da 1ª série do Ensino Médio, aprender Libras tem sido uma experiência transformadora. “É como abrir uma nova porta para o diálogo. É o meu primeiro contato com a língua de sinais e percebi que é um universo totalmente novo. Estou muito empolgada com as oficinas”, contou.
A colega Jamylle Florêncio, da 2ª série, também destaca o impacto do projeto. “Está sendo uma experiência incrível e produtiva. Precisamos dar mais visibilidade à linguagem dos sinais e ampliar a inclusão das pessoas com surdez. Aprender Libras é aprender a respeitar”, disse.
O secretário da Educação, Washington Bandeira, destacou que o projeto é um exemplo concreto da Política de Educação Especial Inclusiva, que vem sendo fortalecida nas Escolas de Tempo Integral da rede estadual.

“Projetos como o Sementinhas das Libras mostram, na prática, o que é uma educação que acolhe e transforma. Estamos construindo uma rede que remove barreiras, amplia oportunidades e garante equidade. As escolas da rede estadual contam hoje com mais de 200 salas de atendimento educacional especializado e cada uma delas é um espaço de respeito, aprendizado e cidadania. O Piauí está no caminho certo para se tornar referência nacional em educação inclusiva”, afirmou o secretário.
Mais do que um projeto escolar, o Sementinhas das Libras é um convite para enxergar a diversidade como parte essencial do aprendizado. No Ceti Pequena Rubim, a inclusão não é apenas uma meta, é uma realidade vivida e celebrada todos os dias.
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