
Iniciativa promove reabilitação do assoalho pélvico e acolhimento emocional para pacientes que convivem com a perda urinária
Exercício físico, educação em saúde e escuta acolhedora. Esses três pilares estão ajudando mulheres atendidas na UPAE Carpina, na Zona da Mata Norte, a reconstruírem a relação com seus corpos e sua autoestima. Essa transformação acontece por meio de um Grupo Terapêutico de Fisioterapia para Incontinência Urinária, voltado exclusivamente para o público feminino e criado com o objetivo de romper o estigma que cerca a condição. Mais do que lidar com os sintomas físicos da perda urinária, o grupo enfrenta os impactos emocionais e sociais que a incontinência costuma provocar.
A iniciativa veio para democratizar o acesso ao cuidado especializado, oferecendo um espaço de reabilitação, apoio e troca de vivências, com encontros conduzidos pela fisioterapeuta Juliana Felipe às terças e quintas-feiras, no turno da tarde.
Implantado em março de 2025, o grupo já apresenta resultados significativos. “As participantes relatam melhorias no controle urinário, na consciência corporal e também no bem-estar emocional. Muitas falam sobre o resgate da autoestima e da segurança para retomar atividades do dia a dia que antes evitavam por medo ou vergonha”, afirma Juliana Felipe.
A atuação fisioterapêutica é peça-chave nesse processo. O grupo realiza exercícios voltados ao fortalecimento do assoalho pélvico, técnicas de respiração, alongamentos, mobilidade e dinâmicas educativas que ajudam as pacientes a compreender o funcionamento do corpo e adotar hábitos mais saudáveis. “A avaliação individual permite identificar disfunções e adaptar os exercícios para cada caso, respeitando as condições de cada mulher”, explica a fisioterapeuta.
Para participar, é necessário ter diagnóstico médico de incontinência urinária e ser encaminhada pela Regulação à especialidade de fisioterapia da UPAE Carpina. Após triagem especializada, a paciente é incluída nas atividades coletivas, desde que esteja clinicamente apta e sem intercorrências como dor aguda ou infecção urinária.
Um dos maiores desafios ainda é o estigma. “Muitas mulheres acham que perder urina é algo normal após o parto ou com o avanço da idade. Isso adia o tratamento. O grupo ajuda justamente a romper esse silêncio. Quando percebem que não estão sozinhas, elas se sentem mais confiantes para cuidar de si com leveza e dignidade”, reforça Juliana.
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