
No mesmo dia, 27 de abril último, o canal hiperpartidário de Youtube Folha Política repercutiu o episódio para sua audiência de 2,64 milhões de inscritos —mais do que tem boa parte dos veículos tradicionais de imprensa.
Acompanhar esses e outros dados relativos ao comportamento de grupos e agentes políticos faz parte da rotina de jornalistas. Mas, com o aumento significativo de estratégias de campanha via redes sociais, os profissionais de imprensa precisaram se adaptar às novas plataformas digitais.
Citado aqui como exemplo, o vídeo da Folha Política, que não é assinado por um responsável e recebeu mais de 490 mil visualizações, foi um dos gatilhos de uma série de ataques à profissional de imprensa da CNN nas redes sociais. A Abraji escolheu não deixar o material em hiperlink como faz de praxe para não dar visibilidade ao seu conteúdo nocivo.
Apenas a este vídeo, no qual a jornalista afirma que ameaça é crime, houve 2.849 respostas, das quais a maioria constitui ataque à atuação jornalística de Lima.
Mesmo assim, a Folha Política não teve vídeos deletados nos últimos três meses por infração às regras da comunidade do Youtube, de acordo com levantamento da Novelo Data.
Conteúdos como esse recirculam, via links ou trechos recortados do vídeo original, por Facebook, Twitter, Telegram e WhatsApp, em caminhos não triviais e difíceis de serem acompanhados sem algum conhecimento técnico.
Por isso, a Abraji reúne nesta matéria seis iniciativas que monitoram o comportamento de políticos e seus apoiadores nas redes sociais e em aplicativos de mensagem, que podem ser fontes úteis para jornalistas na cobertura das eleições de 2022.
De olho nos dados
Pelo que especialistas em desinformação têm levantado nos últimos meses, o pleito será disputado em meio a desinformação pungente e um ambiente hostil nas redes sociais que fomentam a desconfiança do eleitorado. Ataques às instituições eleitorais, uma suposta fraude nas urnas eletrônicas e a reivindicação de voto impresso auditável foram citadas por 27.840 contas, entre páginas, perfis pessoais e grupos públicos no Facebook entre nov.2020 e jan.2022, em 394.370 postagens.
Os dados foram obtidos pelo estudo “Desinformação on-line e contestação das eleições”, desenvolvido pelo projeto Digitalização e Democracia no Brasil, uma parceria entre a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV DAPP) e a Embaixada da Alemanha em Brasília. O relatório aponta que essas publicações atraíram mais de 111 milhões de interações.
Outro resultado obtido pelo estudo mostra as contas que concentraram maior volume de interações, a partir de 1 milhão cada, nas postagens no Facebook. A maior parte deriva de representantes eleitos, entre eles o presidente Jair Bolsonaro (PL) e as deputadas federais Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF).
Para Amaro Grassi, coordenador da FGV DAPP, as experiências anteriores das eleições nos Estados Unidos e agora na Colômbia indicam algumas tendências para o Brasil neste ano. Ele destaca quatro estratégias que podem ser utilizadas por políticos nas campanhas eleitorais para engendrar seus discursos nas redes e para as quais jornalistas devem atentar:
Grassi também avalia que a política das empresas de redes sociais em relação ao combate à desinformação e ao discurso de ódio têm mostrado uma postura mais proativa de moderação dos conteúdos, sobretudo com a Justiça Eleitoral. “Por outro lado, existe um atraso muito grande em termos de transparência dessas empresas. É urgente que atores externos tenham acesso a dados e informações que permitam maior compreensão sobre o que ocorre e circula nesses espaços”, afirma.
Primeira ferramenta de monitoramento automático e em tempo real do ecossistema de desinformação brasileiro, o Radar Aos Fatos localiza, qualifica e dá contexto aos principais vetores desinformativos nas redes.
A plataforma facilita a identificação de campanhas articuladas que influenciam o debate público, especialmente se essas ações estiverem acontecendo simultaneamente em várias redes sociais ou aplicativos de mensageria, explica a diretora de tecnologia de Aos Fatos, Carol Cavaleiro. O Radar monitora Instagram, Facebook, Twitter, Web, WhatsApp e Youtube.
A equipe do projeto, formada por oito profissionais, também faz reportagens analíticas disponíveis neste link.
A ideia de criar a ferramenta veio para facilitar o desafio da equipe de checadores de Aos Fatos em procurar padrões desinformativos e acompanhar redes articuladas durante campanhas de desinformação. “Se nossos jornalistas têm essa dificuldade, podemos imaginar como outros profissionais e empresas não especializadas lidam com a difusão de um conteúdo de baixa qualidade”, declara Cavaleiro.
O Radar Aos Fatos faz uma avaliação da qualidade do debate nas redes sociais nos últimos sete dias para três temas que estarão em debate nas eleições de 2022 —coronavírus, democracia e Judiciário. Essa última pauta, por exemplo, recebe nesta terça-feira (10.mai.2022) uma nota 3,1 entre 10 pontos possíveis. Cada plataforma também é avaliada.
Para chegar ao resultado, o aplicativo, a partir de 30 critérios, dá uma nota de um a dez a cada publicação avaliada —quanto menor a nota, maior as chances de o conteúdo ser desinformativo ou conter erro. Descarta, então, tudo o que tem nota acima de cinco e disponibiliza para visualização o que tem baixa qualidade.
Dos três assuntos acompanhados na semana em que foi realizada a entrevista, de 24.abr.2022 a 30.abr.2022, Judiciário foi o que teve mais correspondências. Foram 153.015 publicações coletadas em Youtube, Twitter, Instagram e Facebook, das quais 14.595 não passaram no crivo de qualidade.
Nos últimos meses, de acordo com a diretora de tecnologia de Aos Fatos, a quantidade de desinformação relacionada à pandemia teve uma queda considerável com o avanço da vacinação e a redução dos casos de covid-19. “Por outro lado, Judiciário e democracia apontam um crescimento à medida que alianças políticas são feitas e o período eleitoral se aproxima”, apontou.
O Radar ganhará ainda o tema Eleições no futuro próximo. “Estamos, no momento, organizando em bases de dados internas informações sobre os potenciais candidatos e eventuais hubs desinformativos”, adianta Cavaleiro.
Ao jornalista que se interessar pelas informações do Radar, Aos Fatos permite a publicação dos dados desde que seja citada fonte com hiperlink para a ferramenta. Mais detalhes sobre as condições de uso estão disponíveis aqui.
Para mapear conteúdos de baixa qualidade, o algoritmo tem mais de 30 regras para cada rede social, explica a diretora de tecnologia de Aos Fatos, que ainda informa que a metodologia da ferramenta é aberta ao público.
Criado em 2021 com o objetivo de medir a temperatura das redes sociais de políticos brasileiros, o Monitor Nuclear identifica as principais tendências de engajamento e interações de postagens no Twitter, Facebook e Instagram. O projeto é uma aplicação de dados do Núcleo Jornalismo e conta com apoio do International Center for Journalists (ICFJ).
Atualmente, o Monitor acompanha diariamente o perfil de 695 políticos entre estadistas, ministros, pré-candidatos às eleições de 2022 e atores políticos - figuras relevantes para a política nacional ou autoridades sem cargos eletivos. Os dados coletados indicam o “humor” do momento quanto a mobilização de bases de apoio ou de oposição em relação a certo ator político ou assunto.
Para medir a temperatura das redes, o monitor utiliza um índice próprio: o ISP. Quanto maior o valor do ISP, mais ativos estão os debates dos perfis monitorados. O medidor varia de 0 a 100, combinando o número de usuários que publicaram, o número de publicações e o engajamento das últimas 12 horas. Quanto mais próximo de 100, mais quente está a conversa nessas redes. Nesta terça-feira (10.mai.2022), o Monitor registrou 17.2 pontos.
Para Jade Drummond, gerente de estratégia do Núcleo Jornalismo, um dos desafios de monitorar as redes sociais é conseguir organizar o montante de informações. “É muito diferente você fazer uma lista no Twitter de forma manual para acompanhar os políticos do que ter uma análise automatizada como a do Monitor para conseguir tirar algum insight do comportamento político nas redes”, afirma.
Além de indicar os posts em alta, é possível realizar uma busca avançada no próprio monitor e identificar, por exemplo, tweets antigos ou até mesmo apagados de políticos. O recurso é útil para a checagem de informações, como foi o caso apresentado nesta matéria publicada pelo Aos Fatos, que indicou como falso um tweet em que Lula diz que vai cortar benefícios de igrejas.
O Monitor Nuclear também conta com o chatbot Weber, um robô que compartilha a cada três horas os tweets mais populares de políticos brasileiros via Twitter e Telegram.
Entre muitos outros, segundo o site da Abraji aqui matéria reproduzida. Veja intagra no https://www.abraji.org.br/
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