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Homenageados pela Lei dos Mestres deixam legado histórico para a cultura sergipana

Iniciativa do Governo do Estado preserva manifestações culturais que fazem parte da identidade sergipana e valoriza as pessoas que as mantêm vivas

04/06/2025 às 08h59
Por: Redação Fonte: Secom Sergipe
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Tonho Preto mantém o Grupo de Pífano de Santo Antônio há mais de 60 anos em Boquim/Foto: Thiago Santos
Tonho Preto mantém o Grupo de Pífano de Santo Antônio há mais de 60 anos em Boquim/Foto: Thiago Santos

Em todo canto de Sergipe, as manifestações culturais dão o tom da rotina social e, em cada uma dessas manifestações, pessoas se tornam referência para a história do estado, tanto pelo seu legado quanto pela relevância de sua arte. Foi, justamente, para homenagear e deixar registrada a importância desses nomes para a cultura sergipana que o Governo do Estado lançou, em 2024, o Programa de Registro de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana, a Lei dos Mestres, que valoriza e incentiva personalidades da cultura e da história do estado.

O reconhecimento dos Mestres da Cultura representa um avanço fundamental na valorização dos saberes tradicionais do nosso estado. Segundo o presidente da Fundação de Cultura e Arte Aperipê, Gustavo Paixão, esses mestres são guardiões da memória cultural de Sergipe. “E esse reconhecimento oficial por parte do Governo do Estado é uma forma de garantir que seus conhecimentos e práticas continuem vivos e sejam transmitidos às novas gerações”, enfatiza o gestor.

Com o programa, o governo visa preservar e impulsionar pessoas e grupos que mantêm viva a produção e a continuidade de aspectos importantes das expressões culturais sergipanas. Os mestres reconhecidos recebem o direito ao uso do título de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana, uma bolsa mensal de incentivo equivalente a dois salários mínimos e prioridade na análise de projetos culturais. Em compensação, os beneficiados participam de programas de ensino e aprendizagem, e o Governo do Estado pode usar os conhecimentos dos participantes para fins de documentação e divulgação da cultura popular sergipana.

São mestres como Antônio Modesto, conhecido como Tonho Preto, que, aos 7 anos, se encantou com o som da zabumba e da gaita produzido pela festa de Nossa Senhora da Penha e tomou uma decisão: quando crescesse, seria instrumentista. Hoje, com 84 anos, mantém o Grupo de Pífano de Santo Antônio há mais de 60 anos em Boquim, cidade do sul do estado. Para ele, o reconhecimento promovido pela gestão vai além do simbolismo e faz diferença em sua vida na prática. 

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“Eu não esperava ganhar esse título de mestre, mas veio e fiquei muito feliz. Até me assustei porque não imaginei que uma pessoa como eu, que trabalhou até os 82 anos, seria reconhecida desse jeito. Me sinto artista, e eu digo: sou artista. Também tem a bolsa, que me ajuda, e consigo ajudar a família também”, declara ele, que há seis décadas também organiza cavalgadas em Boquim e a Missa do Vaqueiro do Povoado Céu, localizado no município. 

Tonho Preto ressaltou que os recursos têm contribuído, ainda, para assegurar as apresentações do Grupo de Pífano de Santo Antônio e para apoiar as expressões locais de arte e cultura. “Antigamente, eu tinha de comprar os fardamentos com o meu dinheiro. Agora, se precisar de um chapéu, de mais fardamento, eu vou lá e compro. Também fizemos o Festival Mãe Joana Preta, que tem o nome da minha mãe e que, enquanto eu for vivo, a gente vai sustentar. Tem sido muito bom”, declara.

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Cultura viva

A cerca de 27 quilômetros de Boquim, em Estância, também no sul sergipano, vive outra beneficiada pela Lei dos Mestres. Importante figura da cultura do estado, a artesã Josefa Maria Santos de Assunção, conhecida como Dona Zefinha. Ela é mestra e fundadora da Batucada Busca-pé, grupo que está em atividade desde 1985 e já se apresentou em diversas partes do estado e do Brasil. Aos 82 anos, até hoje ela é responsável por confeccionar as vestimentas, tamancos e acessórios utilizados pelos integrantes da batucada, manifestação popular tradicional dos festejos juninos de Estância.

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Dona Zefinha revelou ter ficado sem palavras quando descobriu que havia sido uma das selecionadas pelo Programa de Registro de Patrimônio Vivo da Cultura Sergipana. O sentimento de reconhecimento foi intenso, segundo ela. “Fiquei muito feliz porque há mais de 40 anos que venho nessa luta. Isso não é pouco tempo. Foi um benefício não só para mim, mas, também, para outras pessoas que seguem lutando. A costura é minha vida. A batucada é minha vida”, conta.

A iniciativa veio em um momento importante na vida dela. A aposentadoria que Dona Zefinha recebia do marido, já falecido, foi suspensa, o que afetou o pagamento de custos relacionados à saúde. “Então, foi um presente de Deus. E isso também vai ajudar outros artesãos, artistas, que não têm outra fonte de renda”, complementa. 

Outra relevante figura da cultura sergipana beneficiada pela Lei dos Mestre é Josué Roberto Freitas, conhecido dentro e fora de Sergipe como Beto Pezão. Natural de Santana do São Francisco, município da região do Baixo São Francisco, ele esculpe em barro desde os 6 anos de idade, e ficou conhecido pelas esculturas de pessoas com pés grandes e elementos estéticos ligados ao Sertão nordestino. Em 1970, as peças começaram a ser vendidas em Aracaju, onde ele mora há mais de 50 anos, e depois ganharam o Brasil e o mundo.

As obras em barro são produzidas em um ateliê acoplado à residência de Beto Pezão, localizada no Bairro Cidade Nova, na capital sergipana. Ele ressaltou a importância do programa para as futuras gerações. “Toda área precisa de investimento, de valorização. Então, eu agradeço muito pelo reconhecimento à minha atuação artística e de outros que tanto fazem, com a bolsa que ajuda bastante. Isso é algo que tem melhorado muito”, sublinha ele, cujo trabalho é apreciado em vários estados brasileiros e países como Chile, Portugal, Estados Unidos, México, Argentina e Uruguai.

Contemplados

Além dos mestres Tonho Preto, Dona Zefinha e Beto Pezão, também foram beneficiados pela Lei: Marilene dos Santos Moura, a ‘Mestra Marilene’, do Reisado São José, no Povoado São José, em Japaratuba; Rosualdo da Conceição, o ‘Mestre Diô’, coordenador do grupo de Samba de Coco do Mosqueiro; Josefa Santos de Jesus, a ‘Finha de Zé de Totó’, mestra da Dança de Roda do Quilombo Sítio Alto, em Simão Dias; Marizete Lessa, a ‘Mãe Marizete’, candomblecista mais antiga de Sergipe; Severo D’Acelino, integrante da fundação do Movimento Negro contemporâneo em Sergipe. É fundador e coordenador-geral da Casa de Cultura Afro Sergipana; Maria Madalena Santos, a ‘Tia Madá’, mestra do Samba de Coco da Ilha Grande, em São Cristóvão; Orlando Félix da Cruz, o ‘Orlando do Couro’, artesão de couro há mais de 40 anos em Poço Redondo.
 

Aos 84 anos, Tonho Preto vive da cultura e da arte que sabe fazer/Foto: Thiago Santos
Aos 84 anos, Tonho Preto vive da cultura e da arte que sabe fazer/Foto: Thiago Santos
Dona Zefinha é mestra e fundadora da Batucada Busca-pé/Foto: Thiago Santos
Dona Zefinha é mestra e fundadora da Batucada Busca-pé/Foto: Thiago Santos
Aos 82 anos, até hoje ela é responsável por confeccionar as vestimentas, tamancos e acessórios/Foto: Thiago Santos
Aos 82 anos, até hoje ela é responsável por confeccionar as vestimentas, tamancos e acessórios/Foto: Thiago Santos
As mãos que até são habilidosas, ajudam a manter viva uma das maiores tradições de Estância/Foto: Thiago Santos
As mãos que até são habilidosas, ajudam a manter viva uma das maiores tradições de Estância/Foto: Thiago Santos
Beto Pezão viu suas peças ganharem o Brasil e o mundo/Foto: Igor Matias
Beto Pezão viu suas peças ganharem o Brasil e o mundo/Foto: Igor Matias
As obras de Beto Pezão são conhecidas por causa do tamanho avantajado dos pés, daí, também advém seu nome artístico/Foto: Igor Matias
As obras de Beto Pezão são conhecidas por causa do tamanho avantajado dos pés, daí, também advém seu nome artístico/Foto: Igor Matias
As obras em barro são produzidas em um ateliê acoplado à residência de Beto Pezão, localizada no bairro Cidade Nova, na capital sergipana/Foto: Igor Matias
As obras em barro são produzidas em um ateliê acoplado à residência de Beto Pezão, localizada no bairro Cidade Nova, na capital sergipana/Foto: Igor Matias
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