
O grupo Bordadeiras da Caatinga, que já foi premiado como o melhor bordado em fio contado do mundo, está expondo suas peças no 19º Salão do Artesanato, que ocorre no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A exposição segue até domingo (25) e é uma oportunidade que esse coletivo tão representativo da cultura piauiense tem de apresentar a riqueza do artesanato produzido no sertão para o mundo, já que, pelo local, passam turistas e artistas de todo o planeta.
As mulheres que desenham a história da cidade de Dom Inocêncio, incrustada na microrregião de São Raimundo Nonato, desafiam a seca tão característica com as flores e folhagens bordadas em uma técnica conhecida como fio contado, semelhante ao ponto cruz. Os bordados são produzidos com fios de algodão em tecidos de algodão ou linho. Entre as peças mais comuns estão jogos para cama, mesa e banho, além de vestuário.

Os desenhos criados recebem os nomes de suas próprias criadoras, como Ivandete, Odete, Gracinha, e também das plantas mais comuns na região, como palma, facheiro e cacto. Além disso, refletem as características da cidade de Dom Inocêncio e fazem homenagem à Fundação Ruralista, idealizada pelo Padre Manuel Lira Parente, que reuniu essas mulheres e as organizou para transformar o bordado na alternativa mais acessível de geração de renda, permitindo que elas pudessem viver de forma digna.
A qualidade dos Bordados da Caatinga é reconhecida no Brasil e no mundo. As peças produzidas em Dom Inocêncio já foram expostas em estados como Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal, além de países como Estados Unidos e França. Em 1983, o bordado foi considerado o melhor do mundo em um congresso de artesanato da Unesco, realizado em Paris, e, em 2005, o grupo foi contemplado com o prêmio Petrobrás Fome Zero.

A Fundação Ruralista já tem mais de 50 anos de existência. Em todo esse tempo, mais de 1000 mulheres já passaram pela qualificação profissional e puderam ter na arte do bordado muito mais do que o sustento de suas famílias, ressignificando os laços da população com sua cultura e ancestralidade.

O secretário de Estado da Cultura do Piauí, Rodrigo Amorim, destaca a importância estratégica do setor. “O artesanato piauiense é um dos segmentos que merecem atenção especial, por reunir milhares de produtores, uma rede tradicional e informal de comercialização, formas coletivas de produção e produtos criativos impregnados de identidade cultural, com ampla aceitação no mercado nacional e internacional. Este setor é, ao mesmo tempo, um preservador da cultura, gerador de emprego, renda e uma potente ferramenta de promoção do turismo no estado”, disse.
19º Salão do Artesanato
A exposição, que segue até domingo (25), tem entrada gratuita e reúne mais de 300 expositores. O evento é uma vitrine da diversidade do artesanato brasileiro, reunindo técnicas tradicionais, mestres artesãos e novas gerações de artistas populares de todo o país.
Além das Bordadeiras de Dom Inocêncio, participam outros artesãos piauienses, com apoio da Secretaria Estadual de Cultura, expondo peças como joias em opalas, biojoias, trançados em palha e a arte santeira.
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