
Nesta semana, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Honorato Filgueiras, no bairro do Jurunas, está fervilhando de cultura indígena com a realização da I Mostra Cultural Povos Originários e o Bem Viver. A programação começou na terça-feira, 15, e segue na tarde desta quarta, 16, com exposições sobre gastronomia, artesanato e medicina indígenas, bem como rodas de conversa, oficinas, desfile e apresentações artísticas que retratam a cultura de diferentes etnias.
O evento é uma homenagem e uma forma de promover a valorização e o conhecimento dos povos indígenas, cujo dia é celebrado no sábado, 19 de abril. “O objetivo da programação é mostrar para os alunos e para a comunidade que a gente precisa respeitar os povos indígenas e incluir eles na sociedade. A gente precisa abraçar e conhecer, pois muita coisa do nosso dia a dia e muito dos nossos conhecimentos vêm dos povos indígenas”, afirma a coordenadora do evento, professora Wilma Falcão.
A professora comenta que um dos fatores que motivou a realização da mostra é a presença de dois alunos da etnia Warao matriculados, com pais que também estudam na escola pela Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai). Além disso, quiseram trazer o tema do “Bem Viver” por estarmos no ano em que Belém sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. “Aproveitando que estamos no ano de COP 30, a gente quis falar dos indígenas a partir do tema do bem viver, porque eles têm essa filosofia de vida, e a gente precisa aprender com eles esse bem viver, que é a harmonia com a natureza e com nossos pares”, explica Wilma.
Pesquisa e ação
Todas as turmas foram envolvidas na programação da escola, que começou bem antes das apresentações. Os professores abordaram o tema em sala de aula, e a partir daí os estudantes realizaram pesquisa e colocaram em prática tudo o que aprenderam para poder exibir no evento uma amostra do que é a cultura indígena.
Estudante do 7º ano, Kenzo Bravo, de 16 anos, foi um dos responsáveis pela pesquisa sobre grafismo indígena e pela apresentação do desfile de pintura corporal indígena. “Desde a sala de aula, a professora já havia falado desse assunto pra gente. Fora da sala de aula, a gente deu uma pesquisada e levamos um dever pra casa: fazer algumas pinturas, grafismos, em vasos e na mão”.
Kenzo conta que aprendeu sobre as várias etnias indígenas existentes e que a sua turma ficou responsável por pesquisar sobre os Kadiwéu. “O que a gente vive hoje aqui é um momento ímpar para a história da escola, pois além da importância cultural, a gente tem a arte visual que a gente vê pintada nos corpos dos alunos”, comentou empolgado o estudante.
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