
O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde (GEVS), iniciou, nesta quarta-feira (9), uma capacitação voltada à vigilância do óbito materno e infantil. A atividade acontece no Littoral Hotel, em João Pessoa, e segue até a sexta-feira (11), com foco na qualificação de profissionais responsáveis por investigar e notificar os óbitos de mulheres durante a gestação, parto ou puerpério, e de crianças com menos de um ano de vida.
A ação integra a estratégia de educação permanente da SES, que promove anualmente capacitações voltadas à qualificação da resposta municipal à saúde materno-infantil. Na edição deste mês, 50 municípios foram selecionados com base em critérios técnicos que incluem a localização fora da Região Metropolitana de João Pessoa, a existência de pendências no banco de dados de investigações de óbitos e a necessidade de qualificação do sistema local. A logística da formação, que envolve hospedagem com pensão completa para os participantes, também foi considerada na escolha.
De acordo com a técnica da Vigilância Epidemiológica da SES, Cristiani Moura, que também atuou como facilitadora da capacitação, o trabalho de investigação dos óbitos é essencial para identificar fragilidades e orientar ações que contribuam com a melhoria da assistência. “Todos os anos são promovidas capacitações para que os nossos colaboradores dos 223 municípios da Paraíba sejam habilitados a investigar óbitos maternos e infantis. Cerca de 98% dos óbitos são por causas evitáveis, o que torna ainda mais importante o olhar técnico, qualificado e permanente. Quando conhecemos as causas, conseguimos identificar fragilidades nos serviços e, a partir disso, propor ações que evitem novas mortes”, destacou.
A capacitação ocorre em um contexto de fortalecimento da atenção à saúde das gestantes e dos recém-nascidos na Paraíba. Em 2024, 73% das gestantes iniciaram o pré-natal ainda no primeiro trimestre da gestação, segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB). Já em relação ao número de consultas, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) aponta que 76,2% das gestantes realizaram sete ou mais atendimentos durante o pré-natal. A cobertura do pré-natal odontológico também se destaca, alcançando 85% das gestantes em 2023, e a atenção aos casos de sífilis na gestação teve um índice de 85,2% de tratamento adequado também neste ano.
Durante os três dias de capacitação, os profissionais participam de atividades que abordam as etapas da investigação, o correto preenchimento dos sistemas de informação, a interpretação qualificada dos dados e a transformação das informações em ações de saúde pública nos territórios. A expectativa da Secretaria é que os participantes repliquem o conhecimento adquirido nos seus municípios e contribuam para o fortalecimento da rede de cuidados e para a consolidação de boas práticas na atenção materno-infantil.
A vigilância do óbito materno e infantil é uma diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como lema “toda morte materna e infantil precisa ser investigada”, reforçando a importância do cuidado qualificado e do acompanhamento permanente das gestantes e crianças.




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