
Com intuito de inserir a cultura de paz entre as mulheres privadas de liberdade, o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre (TJ/AC), disponibilizaram um curso de Justiça Restaurativa para 30 detentas, que durou duas semanas na Divisão de Estabelecimento Penal Feminino de Rio Branco, e se encerrou nesta sexta-feira, 31, com uma solenidade.

A Justiça Restaurativa tem como objetivo inserir a cultura de paz dentro do sistema prisional, com diversas metodologias, buscando sempre uma comunicação não violenta para a construção de um espaço de escuta, diálogo, a ressignificação de conflitos e formação de novas narrativas pessoais e coletivas.
O curso foi dividido em três etapas, é o que explica a psicóloga, Sabrina Paroli, uma das instrutoras: “uma das práticas da justiça restaurativa são os círculos de construção de paz. Nós fizemos três etapas. A primeira é a entrevista inicial, para fazer um diagnóstico, conversar com elas e elas conhecerem a gente. A segunda etapa, nós fizemos um círculo com elas divididas em grupos, porque são 30 mulheres. E a última etapa é a etapa da formação”, ressaltou.

A apenada A. S. J. que participou da atividade, relata que o curso impactou de forma positiva em sua saúde mental: “A gente aprendeu muitas coisas, botar muitas coisas para fora, que a gente vivia reprimindo. A gente aprendeu no curso a falar na primeira pessoa. Ajudou muita gente na questão do psicológico, a gente soube exercitar algumas funções que até então, estavam adormecidas”, relatou.

A advogada e pesquisadora, Paloma Graf, que também foi instrutora do curso, ressaltou que o trabalho se estendeu também para as servidoras da unidade: “esse processo que foi construído com elas foi gradual. Ao mesmo tempo que envolveu as internas, também as policiais penais. Porque o trabalho é coletivo, não adianta trabalhar só um dos pilares que estão aqui. Então, a gente também fez com as policiais penais para que tivesse essa integração entre elas, saber o que são essas práticas e, principalmente, integrar mulheres que estavam em posições separadas”, explicou ela.

Gabriela Silveira, diretora de Reintegração Social do Iapen em exercício, explica que o projeto Justiça Restaurativa impacta grandemente no futuro dessas mulheres: “o Tribunal de Justiça, é um grande parceiro do Iapen. Eles investem recursos no nosso público. E nesse caso, esse projeto da Justiça Restaurativa, ele está trazendo uma esperança para essas mulheres de um futuro melhor, um futuro diferente. É um projeto que traz ferramentas de impacto na saúde mental, no autoconhecimento e dá habilidades para elas trabalharem com o erro do passado e ressignificar para escrever um novo futuro”.
Durante a solenidade, a presidente do TJ/AC, Regina Ferrari, ressaltou que o curso é importante para saber como lidar com conflitos, que sempre vão existir, e ressaltou que eles são oportunidades para transformação: “O conflito vem como uma oportunidade para a gente restaurar e transformar para melhor”.
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