
Os corredores do Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA) foram ocupados por gravações nesta semana. Uma parte da família Schuck se reuniu com o diretor Luís Gustavo Vidal e a coordenadora do espaço, Cristiane Kusmann, para conversar sobre detalhes de um artista da família: Lauro Schuck. Eles são de Porto Alegre e estão em Curitiba para remontar a trajetória do pintor e desenhista gaúcho, cuja trajetória esbarra no pai da pintura paranaense.
Com a proximidade do centenário de Lauro Schuck, em julho de 2025, o casal Fernando e Josi Schuck, juntamente com o filho Gyan, decidiu produzir um documentário que resgata a memória do artista e da própria família. “As cores e as luzes de Lauro Schuck”, título provisório, terá sua estreia em maio de 2025 e será disponibilizado on-line após a temporada de festivais.
Filho de imigrantes alemães, Lauro nasceu em 1925 e sempre retratou o campo. Fazia desenhos com carvão nas paredes de casa e estatuetas de argila. O menino do distrito de Passo Fundo, Rio Grande do Sul, utilizava o desenho como sua principal linguagem.
Após completar o colégio, Lauro se mudou para a capital paranaense em busca de novas oportunidades. É durante sua estada em Curitiba, de 1943 a 1949, que ele conhece Thorstein Andersen, filho de Alfredo Andersen. Nesta época, Thorstein utilizava a casa como residência própria e também continuava o legado de seu pai como professor de desenho, pintura e escultura. Entre 1943 e 1945, foi Thorstein quem ensinou Lauro a pintura à base de óleo, algo que revolucionou a produção artística do gaúcho.
Em pouco tempo, Lauro tornou-se assistente de Thorstein, auxiliando em obras e no próprio ensino. A escola de desenho e pintura de Alfredo Andersen foi o único lugar em que Lauro Schuck estudou pintura em toda sua vida.
Lauro Schuck teve sete filhos e sustentou sua família com seu trabalho artístico. Além das obras exclusivas de sua autoria, fazia retratos por encomenda e fotos retocadas, algo que Andersen também realizava.
Fernando tem memórias do pai pintando até pouquíssimo tempo antes de falecer, em 2007, devido a um câncer identificado tardiamente. A família estima Lauro Schuck tenha 2.500 quadros espalhados pelo mundo, mas com destaque no Brasil e Estados Unidos, devido às obras sacras encomendadas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja Mórmon).
Formado nas áreas de História e Filosofia e atualmente parte do setor administrativo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Fernando cuida das entrevistas e Josi da direção do documentário. A família fez questão de gravar no Museu Casa Alfredo Andersen, espaço de preservação da arte paranaense.
“É maravilhoso ver em quem meu sogro se inspirava na utilização de cores, sombras e pinceladas. Ele é realmente filho desta escola”, diz Josi. Dentre as obras de Lauro Schuck, pode-se observar paisagens que se inspiram nas montanhas azuis e araucárias de Andersen, além dos retratos. “A valorização da história aqui no museu é algo único. Em um país onde vemos tanto apagamento no centro histórico, ter este lugar tombado, conservado e reformado, é uma alegria imensa”.
“Meu pai nem sabia se o lugar ainda estava de pé, mas sempre falava com muito carinho sobre as experiências que viveu aqui”, afirma Fernando.
Além de Lauro Schuck e Thorstein Andersen, Alfredo Andersen ensinou Theodore De Bona, Gustavo Kopp, Isolde Hötte Johann, Maria Amélia D’Assumpção, Raimundo Jaskulski, entre outros. O Museu Casa Alfredo Andersen é uma instituição administrada pelo poder público estadual, vinculada à Coordenação do Sistema Estadual de Museus da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
Ele tem sua origem na Sociedade de Amigos, criada por pessoas que conviveram com Alfredo Andersen e o admiravam. A sociedade, instituída em 3 de novembro de 1940, tinha como principal objetivo criar na edificação onde Andersen viveu e trabalhou como artista e educador (localizada na Rua Mateus Leme, nº 336, do bairro São Francisco) uma unidade museológica para preservação de sua obra que desse continuidade aos seus ideais. Essa proposição foi concretizada em 1959, com a abertura da Casa de Alfredo Andersen – Escola e Museu de Arte.
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