
As redes municipais e estadual de ensino de Londrina e Tamarana (Norte) receberam na última semana exemplares do livro “Os Kaingang do Apucaraninha e suas histórias”, escrito por moradores da terra indígena no município de Tamarana. A publicação foi editada pelo Centro de Memória e Cultura Kaingang (CMCK) como parte das ações do Programa Venh Kar (nome em Kaingang), financiado pela Copel pela indenização dos impactos das instalações de geração de energia parcialmente localizadas no território. O livro passou a compor também o acervo aberto para consulta na biblioteca do Museu Histórico de Londrina.
De acordo com a gestora de implantação do programa, Franciele Alves, a importância do livro é proporcionar às escolas a inclusão de uma diversidade cultural nos conteúdos ensinados. “É um material formativo, construído com a fala dos indígenas e feito por eles. As pessoas terão a oportunidade de conhecer e aprender com o livro e torná-lo parte dos seus conhecimentos”, explica. Na ocasião do lançamento em Apucaraninha , um dos autores, o ancião Tapixi, ressaltou que a publicação do livro será um importante meio de diálogo da comunidade com os não índios.
O livro é um registro bilíngue sobre histórias e memórias dos Kaingang mais velhos, sobre as danças, músicas, comidas e atividades que são importantes para os indígenas. As fotos e desenhos trazem o olhar da própria comunidade sobre a sua cultura. De acordo com o sociólogo Eduardo Tardelli Andrade, que acompanhou a estruturação do centro de cultura e todo o processo e confecção do livro, a obra é uma junção de produções dos próprios indígenas, realizadas durante oficinas de fotografia e cinema. “Percebemos que tinha um acervo bem grande de fotografias da comunidade e de gravações de histórias dos mais antigos. Por isso, decidimos juntar tudo isso em um livro para que outras pessoas pudessem ter acesso”, diz.
MUSEU DE LONDRINA– Ao longo dos anos, a atuação do Centro de Memória e Cultura Kaingang se aproximou também do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, administrado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Entre os trabalhos feitos em parceria com a instituição, estiveram a identificação de fotos do acervo doado pela professora Kimiye Tommasino ao museu, o compartilhamento das produções audiovisuais do grupo e a reformulação do espaço de entrada da exposição permanente do museu, que antes afirmava existir um vazio demográfico na região onde Londrina se constituiu e agora possui uma exposição trazendo luz sobre essas populações.
A sala deu lugar a uma exposição da história e cultura dos povos originários que vivem na região Norte do Paraná, inaugurada no final de 2019 e agora, com a retomada das visitas presenciais, visitada pela primeira vez por turmas escolares, pesquisadores e visitantes ocasionais do museu. A diretora Edméia Ribeiro afirma que a inauguração da sala foi um ato de justiça histórica. “Era urgente mudarmos essa concepção parcial e não verdadeira da história, porque, antes dos imigrantes virem para cá, o que nós tínhamos? Nós tínhamos os Xetá, Guarani, Kaingang, enfim. Nós tínhamos os povos originários”, explica Edméia.
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