
Cirurgias de captação de órgãos são realizadas em hospitais da Rede Sesa
Conscientizar sobre a importância da doação de órgãos é algo muito importante e que salva vidas o ano inteiro. Nas unidades hospitalares, um dos grupos que fomenta e acompanha esse processo entre pacientes e colaboradores é a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott). Até chegar à doação, é feito um percurso que une segurança e humanização com as partes envolvidas.
No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a comissão tem um importante papel atuando na identificação de possíveis doadores, acolhendo os familiares de pacientes falecidos e oferecendo a eles a possibilidade da doação de órgãos e tecidos para transplantes. Na unidade, as principais doações são de córnea e múltiplos órgãos.

Coordenadora do Cihdott no HGWA fala sobre atividades do grupo
Coordenadora do Cihdott no HGWA, a enfermeira que atua na Unidade de Tratamento-Intensivo (UTI) Adulto, Denise Martins, conta que, para que o doador esteja apto para captação, é necessário analisar faixa etária, condições clínicas do paciente, dos órgãos e dos tecidos. A última doação realizada no HGWA foi realizada em novembro de 2023, quando foram coletados córnea e fígado. “Nós somos uma Cihdott tipo 2, classificada pelo Conselho Federal de Medicina, de acordo com o perfil de óbitos [instituições com referência em trauma e/ou neurologia ou neurocirurgia e que tenham menos de mil óbitos no ano]. Somos formados por profissionais da assistência, ao todo sete membros”.
Ela explica o passo a passo do trabalho. “Para iniciar os trâmites de uma doação, fazemos um acompanhamento dos óbitos. Se não estiverem dentro da faixa etária (2 a 70 anos) e não tiverem sepse como causa, é feito o acolhimento da família. Falamos da suspeita de morte encefálica e aguardamos os resultados finais. O paciente sendo elegível, a família é convocada para informarmos o óbito. Nesse momento, damos a possibilidade para doação dos órgãos. Caso a família concorde, são coletados todos os exames, identificados adequadamente e encaminhados para o Hemoce e, por fim, ocorre a captação”.
O trabalho da comissão também envolve a disseminação da importância de se tornar doador. Todos os anos a equipe participa de cursos ofertados pela Sistema Estadual de Transplantes (Cetra) da Sesa, capacitando os médicos, enfermeiros e demais integrantes.

Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do HRVJ
No interior do Ceará, os hospitais Regional Norte (HRN), do Sertão Central (HRSC) e Vale do Jaguaribe (HRVJ) também contam com a comissão. Em Limoeiro do Norte, a Cihdott é formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais capacitados para conduzi-la de forma ética, de modo a fornecer informações acerca da morte encefálica e o processo de doação, assegurando que houve a compreensão adequada, de modo a garantir o consentimento voluntário da doação.
É essencial que os familiares mais próximos do paciente sejam acolhidos durante a internação do paciente e informados adequadamente de seu quadro clínico, a fim de facilitar a comunicação de morte encefálica e entrevista para doação de órgãos. A diretora administrativa do HRVJ, Sabrina Becker, lembra da importância desse ato de solidariedade e empatia da família do doador para com o próximo.
“É uma ação de extremo amor. Em um momento de dor, a oportunidade de outras pessoas viverem é oferecida. É muito gratificante que o serviço de saúde de alta complexidade fornecido pelo HRVJ possa proporcionar atos grandiosos como esse, de tanta relevância para a população”, ressalta Sabrina.
É de suma importância, ainda, que se avalie questões emocionais e psíquicas dos familiares envolvidos que interfiram no entendimento da morte encefálica e na decisão pela doação de órgãos. Essencial ainda que sejam considerados valores, crenças, vínculos familiares, a fim de que a decisão pela doação seja, de fato, um ato altruísta e solidário.
Logo, a presença do profissional de psicologia é muito importante nesse momento. “A psicologia hospitalar se constrói como ponte entre a tríade paciente-família-equipe, sendo, muitas vezes, quem facilita o processo de comunicação entre estas partes, de modo a tornar a comunicação mais facilitada e, por sua vez, colaborar positivamente para a decisão pela doação de órgãos”, destaca a psicóloga hospitalar, Nara Silveira.
O serviço social hospitalar também tem um papel fundamental no contato com a família, desde a entrada do paciente na unidade. “Na admissão social é conhecida a realidade dele e de seus familiares, em que é criado um vínculo com a família, importante, posteriormente, para a fase de contato, comunicado e entrevista, trâmites esses necessários para o processo de doação de órgãos”, explica o coordenador do serviço social e integrante da Cihdott, Felipe Freitas.
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