
O paciente José da Silva, de 47 anos, passa, atualmente, por um processo de reabilitação com uma equipe multiprofissional no HGWA
Um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um grande susto para quem passa por esse problema. De fato, a sensação é de um acidente, algo inesperado. O pedreiro José da Silva, de 47 anos, conhece bem esse sentimento. Internado no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), ele estava em casa, com os familiares, no último mês de setembro, quando foi acometido pelos primeiros sintomas de um AVC.
“Estava deitado na rede, por volta das 23h, quando levantei e sofri uma queda. Comecei a sentir uma fraqueza nos membros. Graças a Deus, estava na casa da minha filha com minha esposa, que me socorreram rapidamente”, relembra.
Inicialmente encaminhado ao Hospital Geral de Fortaleza (HGF), ele foi transferido para o HGWA, onde continua com o processo de reabilitação. A doença deixou uma sequela no lado esquerdo do corpo. Com o trabalho da reabilitação, ele está, aos poucos, retomando a independência.
“Eu estou recuperando minha força no braço esquerdo e evoluindo aos poucos. Tenho voltado a dormir e com a certeza de uma mudança de vida. Sou hipertenso, não tomava as medicações corretamente, estava acima do peso e sentia muitas dores de cabeça. Agora é cuidar da saúde, da alimentação e fazer atividade física”, diz o paciente.
O terapeuta ocupacional do setor de AVC, do HGWA, Fábio Henrique do Amaral, explica que o trabalho de reabilitação é feito em conjunto com a equipe multi, formada por fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas e serviço social. Tudo dentro do que é passado pela enfermagem e pelos médicos.

Um dos trabalhos, feitos no processo de reabilitação, é a introdução alimentar e a forma de pega nos utensílios
“Meu foco é trabalhar a reabilitação funcional dos pacientes. É feita a primeira avaliação, em que são observados os componentes alterados e que estão influenciando nessa retomada da funcionalidade. São feitos treinos funcionais e da reabilitação, seja sensorial, motora, cognitiva e psicossocial. O nosso principal objetivo é que o paciente volte a ter funcionalidade das atividades”, explica.
A fisioterapeuta Tânia Paiva destaca que a atuação inicia desde a admissão do paciente. São observados força, articulações, padrões respiratórios, se utiliza oxigênio, entre outros. É a partir do plano terapêutico que se inicia o processo de retomada.
“Trabalhamos via exercícios respiratórios, exercícios motores, ajuste de ventilação mecânica, se necessário. Queremos sempre acelerar, com cuidado, a reabilitação para que o paciente se recupere dentro das suas comorbidades e consiga chegar em casa para que ele possa continuar sua rotina, mesmo que alterada, mas no seu melhor. Damos ainda um encaminhamento para que ele seja acompanhado após a alta”, afirma.

A fisioterapeuta Tânia Paiva atua com técnicas que colaboram na alta segura do paciente para casa
A neurologista, coordenadora médica do setor de AVC, do HGWA, Joyce Benevides, destaca que o tratamento do AVC é feito através de dois pontos: identificando o motivo que levou ao AVC e a reabilitação. Ela pontua que quanto mais precoce for esse estímulo, maior é a chance do paciente recuperar em até 100% as suas funcionalidades, dependendo de cada caso.
A profissional explica alguns cuidados importantes que podem prevenir a doença. Alertando para os sintomas da doença, dentre eles, a perda súbita da força, da fala ou do movimento da face.
“Existe um perfil mais comum de pacientes acometidos por AVC. O AVC é uma doença que acomete principalmente pessoas mais velhas, acima dos 65 anos e que tenham comorbidade, como hipertensão, colesterol alto, com sobrepeso, diabetes descontrolada e pessoas que fumam têm um risco mais alto de ter um AVC ao longo da vida. O que recomendamos são cuidados como atividades físicas, evitar o cigarro e fazer acompanhamento com o uso regular das medicações, além da alimentação saudável, sem tanto sal, açúcar e menos gordura”, recomenda.
Em alusão ao Dia Mundial do AVC (29 de outubro), o HGWA promove uma programação especial aos pacientes e cuidadores presentes na unidade. Nesta terça-feira (22), ocorre uma roda de conversa sobre direitos previdenciários e sociais da pessoa acometida por AVC. Já na quarta (23), é a vez de uma conversa sobre AVC, com o tema “Mitos e Verdades”. Na quinta, a equipe médica e de enfermagem faz uma ação de educação sobre os fatores de risco do AVC destinada aos acompanhantes dos pacientes. Na sexta-feira (25), a programação será encerrada com a exibição de um filme.
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