
Durante o reencontro com o pai, jovem conheceu também um irmão
O tempo e o acaso do destino separaram pai e filha. Porém, agora em 2024, 16 anos depois, o pai ganhou de presente, no último dia 9 de agosto, uma ligação da filha. Neste dia 30 de agosto, “Dia Internacional de Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas”, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) traz a história de Thayná Muniz, que reencontrou seu pai, André Luís, após buscar a 12ª Delegacia do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), unidade da PCCE responsável pelo desaparecimento de pessoas em Fortaleza.
“A última vez que vi meu pai, tinha dois anos e meio de idade, não tinha lembranças dele, e o que tinha era uma foto”. O desejo de reencontrar o pai sempre existiu em Thayná. “Sempre tive vontade de procurar meu pai, mas não sabia como fazer”, conta. Após ser orientada a procurar a 12ª DHPP, a jovem registrou o máximo de informações que tinha a respeito do pai. “Eu não sabia que essa delegacia procurava pessoas desaparecidas, eu apenas queria de alguma maneira reencontrá-lo”, explica.
A jovem, que atualmente está com 19 anos, conta que morava em Fortaleza, e foi embora com a mãe quando tinha dois anos. Desde quando saíram do Ceará, Thayná não tinha mais contato com o pai. Mãe e filha moraram em Belém, no estado do Pará, e retornaram para a capital cearense quando a Thayná tinha seis anos. Ela sabia que tinha familiares em Goiás, mas não tinha certeza onde o pai estava.
A partir do registro do Boletim de Ocorrência (BO) e de uma escuta atenta, os policiais civis saíram em campo em busca de encontrar André Luís. Após realizar diligências e trocas de informações com as Forças de Segurança de outros estados, a equipe encontrou o pai da jovem em Goiânia, no estado de Goiás. Após 16 anos, o reencontro aconteceu por meio de uma videochamada via WhatsApp. “Estou muito, muito feliz. Me sinto anestesiada, sem acreditar que encontrei meu pai. E foi tudo tão rápido! Quando eu recebi a ligação da Polícia Civil do Ceará com essa informação tão boa, eu chorei. Apenas consegui chorar de felicidade”, conta emocionada.

Além de reencontrar o pai, Thayná também encontrou o irmão. “Eu sabia que tinha um irmão, mas eu achava que ele estava com meu pai, e descobri que ele mora aqui em Fortaleza. Foram dois reencontros que encheram meu coração de alegria. Nem sei mensurar o tamanho da felicidade que sinto”, disse Thayná. Agora, o próximo passo é encurtar a distância de mais de 2.300 km para abraçar o pai. “Em breve iremos nos reencontrar pessoalmente”, finaliza.
Entre muitas histórias de localização e reencontros, a PCCE localizou, no início desse mês, uma mulher, de 51 anos, com deficiência, que desapareceu no bairro Presidente Kennedy, em Fortaleza, quando tentava encontrar sua casa. A mulher foi localizada dois dias depois no bairro Praia do Futuro e entregue aos familiares. “É uma sensação muito gratificante quando encontramos as pessoas e devolvemos para suas famílias. Os familiares enviam mensagens de agradecimentos. E isso nos motiva a trabalharmos cada vez melhor”, conta a delegada Patrícia Aragão, titular da 12ª DHPP.

Somente de janeiro a julho deste ano, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) 932 pessoas que estavam desaparecidas no Ceará. Desse número, 805 pessoas foram encontradas com vida. O total de pessoas localizadas representa um aumento de 7,1%, se comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram localizadas 870 pessoas. Os dados foram compilados pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Em Fortaleza, 554 pessoas foram localizadas de janeiro a julho deste ano. Destas, 512 foram encontradas com vida. O total de pessoas localizadas representa um aumento de 1,6%, se comparado ao mesmo período do ano passado. As investigações da PCCE em busca de pessoas desaparecidas seguem até a localização das vítimas.

O governador Elmano de Freitas sancionou, em maio deste ano, a Lei Estadual N°18.800, em que reconhece a inexistência de prazo mínimo para registrar um Boletim de Ocorrência (BO) de desaparecimento de pessoa. Além disso, a lei criou o “Dia Estadual de Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas no Estado do Ceará”, que está sendo comemorado, anualmente, na data do dia 30 de agosto.
A PCCE reforça que para reportar o desaparecimento de uma pessoa não é necessário aguardar 24 horas. Repassar o maior número de informações sobre a vítima, auxilia os trabalhos policiais. Em Fortaleza, o registro pode ser feito na 12ª DHPP. Já os casos registrados na Região Metropolitana e nos demais municípios do Estado ficam sob a responsabilidade das delegacias que atuam na circunscrição onde ocorreu o desaparecimento. Com autorização da família, os casos registrados são publicados nos perfis da 12ª Delegacia do DHPP no Facebook e Instagram. Os banners também são exibidos em telões espalhados em vias públicas da Capital e na TV Ceará, a partir de parcerias firmadas com uma empresa e com a direção da emissora de televisão.
O desaparecimento pode ser comunicado, também, por meio da Delegacia Eletrônica. Para isso, o denunciante pode acessar o campo Desaparecimento de Pessoa, fornecer o máximo de informações possíveis sobre o desaparecido e enviar uma fotografia recente.
A população também pode colaborar com o trabalho policial enviando mensagem para o número (85) 3257-4807, que é o WhatsApp do DHPP, por onde podem ser enviadas fotos, áudios e vídeos. O sigilo e o anonimato da fonte é garantido.
Assim como é importante o registro do desaparecimento, é fundamental que os casos de encontro de pessoas sejam reportados à Polícia. Esse fluxo de informações serve para fins de análise dos casos e formulação de uma política pública de prevenção ao desaparecimento de pessoas.
Para auxiliar na localização de crianças e adolescentes, a PCCE aciona o Amber Alerts, sistema de alertas urgentes estabelecido nos Estados Unidos da América (EUA) – e adotado pelo Brasil – que é ativado em casos de desaparecimento, rapto ou sequestro de crianças e adolescentes. Este sistema dispara publicações nas plataformas da Meta para anunciar a descrição da vítima, além de descrições de qualquer indivíduo suspeito de envolvimento no desaparecimento da vítima. Somente este ano, a ferramenta já auxiliou na localização de três crianças desaparecidas no Ceará.
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio doendereço eletrônico. O sigilo e o anonimato são garantidos.
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