
Um estudo inédito no Brasil, realizado pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), alerta para a importância do motorista ficar atento aos recalls anunciados pelas montadoras. A pesquisa é resultado de um levantamento bibliográfico e análise de casos de acidentes com óbitos, ocorridos em Fortaleza, entre setembro de 2022 e dezembro de 2023. Nas situações analisadas, as mortes foram resultado da fragmentação e arremesso de parte da peça do insuflador do sistema do airbag dos veículos, que tinham solicitação em aberto de recall relacionados ao componente.
O primeiro acidente estudado aconteceu em setembro de 2022, no bairro Mondubim – Área Integrada de Segurança 9 (AIS 9) de Fortaleza. Um homem de 38 anos morreu em uma ocorrência envolvendo um carro modelo Corolla. O corpo foi encontrado na posição do condutor, com uma perfuração no pescoço que, no local da ocorrência, acreditava-se se tratar de uma lesão provocada por arma de fogo. A perfuração chamou a atenção do perito criminal da Pefoce, Fernando Viana, do Núcleo de Perícias em Engenharia Legal e Meio Ambiente (NPELM/Pefoce). “Durante os estudos e processamento dos vestígios, constatamos que a causa da morte foi em decorrência de um fragmento oriundo do sistema de airbag. Durante a colisão frontal, essa peça foi ao encontro da vítima, sendo a causa exclusiva da morte. Começamos a pesquisar e tomamos conhecimento de casos pontuais no mundo e decidimos aprofundar nosso conhecimento técnico-científico sobre o assunto”, detalha o perito criminal.
“Após minuciosa análise constatou-se que o objeto retirado do corpo da vítima trata-se de um fragmento do dispositivo de acionamento (insuflador) do sistema para inflar a bolsa do airbag, cuja referida peça fica localizada na região central da direção (volante)”, diz trecho do laudo da Pefoce relacionado ao caso. A peça tinha dimensões aproximadas de 23mm de diâmetro e 22mm de comprimento.
O outro acidente aconteceu em 11 de dezembro de 2023, no bairro Dionísio Torres (AIS 10), em Fortaleza. A vítima, uma mulher de 30 anos, ainda foi socorrida para um hospital na Capital, mas seu óbito foi confirmado dois dias após o acidente, em razão da gravidade dos ferimentos. A diferença entre os casos, conforme os laudos periciais, está no ponto do corpo atingido pela peça. Na situação anterior, o homem foi atingido no pescoço. Neste, o fragmento, com dimensões aproximadas de 24 mm de diâmetro e 20 mm de comprimento, foi retirado do crânio.
A empresa fabricante já foi denunciada anteriormente pelo problema. Para o perito da Pefoce, Fernando Viana, é possível que existam outros acidentes, que aparentemente teriam menor potencial de risco, resultaram em óbitos por conta do mesmo problema, mas não foram catalogados por falta de conhecimento específico. Os problemas afetaram veículos com airbags instalados entre 2005 e 2018, conforme publicado pelos veículos de imprensa à época.
“Percebemos que é um serviço de utilidade pública realizado pela nossa Perícia Forense, pois os veículos tinham recall a ser realizado e não foi feito. Nosso papel é alertar a população para, existindo a solicitação de recall, a população deve atender, até para evitar um acidente fatal”, finalizou.
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