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Criação de campanha nacional por doação de cabelo ganha apoio em debate na CAS

Objeto de uma proposta em análise no Senado, o incentivo à doação de cabelo para pessoas carentes em tratamento de câncer e vítimas de escalpelamen...

15/08/2024 às 18h37
Por: Redação Fonte: Agência Senado
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Lenize Baseggio, da Rede Feminina de Combate ao Câncer, e a senadora Damares Alves na audiência pública - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Lenize Baseggio, da Rede Feminina de Combate ao Câncer, e a senadora Damares Alves na audiência pública - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Objeto de uma proposta em análise no Senado, o incentivo à doação de cabelo para pessoas carentes em tratamento de câncer e vítimas de escalpelamento foi saudado pelas debatedoras ouvidas nesta quinta-feira (15) em audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O PL 610/2021 , já aprovado na Câmara dos Deputados, promove a campanha nacional de incentivo à doação de cabelo na semana do Dia Nacional de Combate ao Câncer (27 de novembro). A audiência pública sobre o projeto de lei atende a requerimento ( REQ 129/2023 — CAS ) da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do projeto na CAS, que também presidiu o evento.

Coordenadora de acolhimento da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília, Lenize Baseggio salientou que a campanha de conscientização aumentará o conhecimento sobre as providências necessárias para a doação de cabelo — é preciso um comprimento de pelo menos 25 centímetros e o cabelo deverá ser lavado e secado. Ela relatou que, muitas vezes, a falta de cabelo leva ao afastamento do convívio social e destacou as vantagens da peruca de cabelo natural sobre a de cabelo sintético.

— A gente vai poder amenizar um pouco da dor dessas mulheres que sofrem a perda dessa parte visual tão importante. (...) Elas voltam a se enxergar como eram antes (...), favorece psicológica e emocionalmente a saúde dessas pessoas (...) e também favorece maior qualidade de vida.

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Lenize ainda citou a lei do Distrito Federal que criou selo de reconhecimento aos salões preparados para encaminhamento de cabelo às instituições que produzem perucas e sugeriu que o Sistema Único de Saúde (SUS) possa fornecer próteses capilares. Damares manifestou apoio à ideia, citando o exemplo das vítimas de escalpelamento no Marajó.

— Lá não há instituições locais fazendo as perucas. Mas se fosse uma obrigação do SUS, elas teriam um acesso mais rápido (...). A demanda é grande — lembrou Damares.

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Presidente do Instituto Hera Artemisul (Casa da Mulher Paulistana), Lúcia Brugnera concordou que o acesso às perucas nas regiões ribeirinhas dos estados do Norte — nos quais há mais vítimas de escalpelamento — é muito difícil. Ela explicou que a entidade se preocupa em fornecer perucas totalmente personalizadas.

— Principalmente no caso das vítimas de escalpelamento, o acidente deforma o formato da cabeça. (...) O couro cabeludo, devido ao acidente, fica muito sensível, e por ser um ambiente muito quente e úmido, acaba machucando essa mulher.

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Lúcia Brugnera também sugeriu que as vítimas de escalpelamento possam ter benefícios específicos da legislação, da mesma forma que as pessoas com câncer têm hoje. Ela ressaltou que o problema do escalpelamento não atinge somente as mulheres, e muitas vezes as vítimas enfrentam obstáculos na capacitação e na geração de renda.

Paula Elaine Diniz dos Reis, coordenadora-geral da Liga de Combate ao Câncer da Universidade de Brasília (UnB), considera que a entrega de perucas representa empoderamento das vítimas de câncer e uma vivência emocionante para as mulheres envolvidas no processo. Porém, ela lembrou que a confecção de perucas tem alto custo e requer mão de obra especializada.

— Precisamos tentar traçar estratégias para angariar fundos para comprar telas [nas quais o cabelo é costurado] e para capacitar pessoas para a produção de perucas — explicou.

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