
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quarta-feira (10), após sabatina, o nome de Rafael de Mello Vidal para chefiar a embaixada do Brasil na Ucrânia e na Moldávia. Vidal recebeu 16 votos a favor e nenhum contrário. O diplomata agora precisa ser aprovado em Plenário.
Relator da indicação ( MSF 23/2024 ) do governo federal, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a experiência do sabatinado em nove embaixadas ou consulados-gerais o credenciam para o cargo. Vidal, que iniciou a carreira diplomática em 1991, é o atual embaixador brasileiro em Angola, cargo que ocupa desde 2020.
— Como se vê, ocupou várias funções representando o governo brasileiro, sendo extremamente credenciado para mais uma função — disse o relator.
Para o sabatinado, o conflito entre Rússia e Ucrânia evidencia uma “segunda guerra fria” global, em que países orientais como a Rússia buscam subverter a hegemonia dos Estados Unidos da América.
— É mais perigosa do que a primeira [Guerra Fria], porque a primeira tinha alguma motivação ideológica que a justificava, comunismo de um lado e capitalismo do outro. Hoje vejo que é mais perigosa porque se tornou uma grande disputa pela hegemonia do poder mundial entre os dois lados do planeta.
Segundo o diplomata, a guerra iniciada em 2022 encontra-se no melhor momento para as negociações em razão do equilíbrio de forças entre os dois países. Para ele, o Brasil deve manter a postura de neutralidade com relação ao conflito e atuar pela negociação de paz.
— Se abandonássemos a neutralidade, que é um princípio constitucional, perderíamos a capacidade de sermos interlocutores com os dois lados do conflito, pois há a necessidade de um terceiro fazer a ponte entre os países.
Mas para o senador Flávio Arns (PSB-PR), que preside o Grupo Parlamentar Brasil-Ucrânia no Senado, o governo federal deve ter uma posição mais clara com relação aos ataques a civis.
— Eu sinto que o Brasil está claudicante... É uma situação super complexa, mas é impensável o Brasil não tomar uma posição contra o ataque de mísseis que aconteceu em Kiev [capital ucraniana], inclusive atingindo um hospital pediátrico. Tem que fazer uma nota de repúdio.
A reunião foi conduzida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CRE.
Vidal apontou que a Ucrânia é o maior país em dimensões territoriais da Europa continental e é um “celeiro do mundo”, responsável por prover relevante parte dos alimentos para outras nações. O país possui um produto interno bruto (PIB) estimado em torno de 3% em 2024, apesar da guerra.
Para o sabatinado, essa é uma oportunidade para retomada nas relações comerciais entre Brasil e Ucrânia. Em 2023, o Brasil exportou U$ 37,8 milhões para o país e importou U$ 21,3 milhões, uma queda de 58%, em relação a 2022, período em que a retração havia sido de 67,33%.
Os principais produtos exportados pelo Brasil foram amendoim (41%), máquinas (17%) e café não torrado (7,1%). Já os produtos mais importados pelo Brasil foram medicamentos (22%), equipamentos de distribuição de energia elétrica (20%), tubos, canos e mangueiras (11%) e equipamentos de telecomunicações, peças e acessórios (11%).
A Ucrânia é o oitavo país mais populoso da Europa. República semipresidencialista, o país fez parte da antiga União Soviética e declarou sua independência em 1991. No entanto, foi invadida pelos russos em larga escala em 2022, depois de perder a Crimeia também para a Rússia em 2014.
Brasil e Ucrânia possuem 26 acordos bilaterais em vigor.
A Moldávia (oficialmente chamada de República da Moldova) também integrou a União Soviética e se tornou independente em 1991. Considerado o país mais pobre da Europa, tem o IDH (índice de desenvolvimento humano) mais baixo do continente. De governo parlamentarista, sua economia é baseada na produção de vinho, frutas e tabaco e depende integralmente do fornecimento de energia vinda da Rússia e da Ucrânia.
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