
Um dos festivais mais antigos da Amazônia, a festa do “Çairé”, será o tema deste ano da “Junina Arrastão do amor”, que promete mostrar da forma mais bela possível a festa que acontece na vila balneária de Alter do Chão, em Santarém, oeste do Pará, pouco conhecida em Marabá.



Segundo o marcador e integrante da organização da junina, Will Alencar, a temática “Sagrado e Profano” pretende mostrar ao público desde quando tudo começou, na época do Brasil colonial, quando as ordens religiosas se integraram aos povos indígenas, compartilhando culturas e rituais, o que fez surgir várias manifestações religiosas, como a festa do Çairé, que une o sagrado, por meio das procissões em honra à Santíssima Trindade, e também o profano, com as danças indígenas e a disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-rosa.
“Foi uma pesquisa aprofundada, na vontade de fazer algo inédito, porque se fala muito nas juninas do nordeste, mas nós quisemos mostrar a nossa cultura paraense e nessa pesquisa das manifestações folclóricas do nosso estado, conseguimos encontrar o Çairé e decidimos apresentar isso. Vamos contar tudo, desde as origens da festa entre os indígenas e a igreja católica, bem como a proibição, em 1943, a retomada, que completou 50 anos em 2023 e, claro, a disputa dos botos”, destaca o marcador.

A musicalidade será uma mescla entre o ritmo junino e a disputa dos botos, com vários elementos que representarão a festa. As cores que representam a festa serão a base para os dois figurinos, um da parte sagrada e outro do momento profano. Com entusiasmo em relação ao tema, Will declara a ambição pelo título de campeões.
“Ficamos em terceiro lugar no ano passado, fomos campeões em outros municípios e isso nos trouxe muita experiência, por isso a gente pretende fazer um espetáculo melhor ainda este ano e, principalmente, que esse tema se faça conhecer entre o público”, reitera.




Atualmente, a Junina Arrastão do Amor é composta por 39 pares, 1 marcador e 15 pessoas no apoio.
Para a professora de balé Narair Renata Silva que atua no papel de noiva desde que entrou na Junina adulta, em 2011, dançar é um dom que já está na veia e vai além da diversão, é um sério ofício em entregar o melhor na Arena Junina.
“Eu danço quadrilhas desde pequena e eu já brincava na Arrastão desde sempre, já que a minha mãe é a diretora. Dancei na mirim e quando chegou a oportunidade de entrar na adulta, em 2011, eu entrei e desde sempre fui a noiva. Para mim, a dança é vida, passa da diversão, pois é um compromisso e o que eu amo fazer, principalmente no papel em que estou, pois a gente sabe que tudo gira em torno dos noivos e isso é uma responsabilidade enorme, para que a gente entregue o que a junina e o público merecem”, comenta a noiva.

Outro apaixonado no mundo junino é o noivo Wanderson Rego, que dança desde os 9 anos e está em destaque na Arrastão do Amor desde 2021.
“Sou noivo desde que entrei e é um papel que eu encaro com muita responsabilidade, tanto para mostrar ao público, quando para fazer um bom trabalho na junina, com meses de ensaio e anos de preparação dos figurinos, por isso eu defino tudo isso aqui como satisfatório para mim”, aborda o noivo.
O tema
A festa do Çairé ou Sairé é uma manifestação de caráter religioso e profano que foi introduzida pelos jesuítas no século XVII aos nativos indígenas Boraris da Vila de Alter do Chão e acontece durante 5 dias, sempre em setembro. O nome se refere ao arco carregado nas procissões que remete à Santíssima Trindade e à Arca de Noé. As principais características da festa são o hasteamento dos mastros com frutas regionais, a festa dos barraqueiros e a famosa disputa entre os botos tucuxi e cor-de-rosa. A festa recebe cerca de 100 mil pessoas anualmente.
Texto: Sávio Calvo
Fotos: Sara Lopes
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