
De acordo com último panorama de Resíduos Sólidos emitido pela ABREMA (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), estima-se que, em 2022, foram gerados no Brasil cerca de 45 milhões de toneladas de Resíduos da Construção Civil e Demolição (RCD). Este valor representa uma queda de 2,8% da média nacional em comparação ao ano anterior.
A redução da produção de RCDs sem dúvida é um fator que merece atenção. Porém, ainda mais importante que diminuir a quantidade é saber destinar corretamente os resíduos provenientes de obras. Em 2022, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) emitiu a Resolução 307, que define diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão de resíduos da construção civil, visando minimizar seus impactos ambientais.
O engenheiro civil e especialista em meio ambiente, Ezequiel Pinheiro de Barros, explica que todo material coletado em pontos de entulho municipais (menos de 2 m³) ou entregue nos aterros de inerte por grandes geradores é regulado pela Resolução CONAMA 307 e suas alterações, conforme decretos municipais. No caso dos pequenos geradores, a coleta feita pela limpeza urbana é levada a um pátio de triagem com diversos tipos de materiais, recicláveis ou não, oriundos de diversas construções, reformas, etc.
“Um ponto a ser salientado é que geralmente 70% dos entulhos são gerados através de construções irregulares, dispostos em pontos de coleta e são considerados como um pequeno gerador”, explica Ezequiel, que também é engenheiro de minas. “Os 30% restantes são provenientes de construções formais e legalizadas”, ressalta.
Reciclagem dos materiais da Construção Civil.
Os RCDs são classificados com categorias A, B, C ou D, dependendo da sua composição. Ezequiel explica que telhas, tijolos, areia e outros materiais trituráveis são classificados como Classe A, destinados a usinas de reciclagem de RCD, aterros de inertes e pátios de triagem. Materiais como papel, gesso, embalagens de tinta vazias, papelão, madeira e plástico recicláveis são classificados como Classe B, encaminhados a usinas de reciclagem de RCD, pátios de triagem e aterros sanitários. A Classe C inclui isopor, massa corrida e similares, além de outros materiais não recicláveis, destinados a aterros sanitários e aterros de inertes (não perigosos). Por fim, a Classe D abrange restos de tintas, vernizes, solventes e materiais perigosos, destinados a aterros de resíduos perigosos.
Impacto ambiental e social do manejo dos RCDs.
Diversos são os benefícios da reciclagem de RCDs. Porém, de acordo com Ezequiel, o principal deles é a redução da exploração de rochas e extração de recursos minerais nas áreas de pedreiras e areais para utilização de materiais mais nobres da construção e da indústria. O engenheiro de minas explica que quando elementos da CLASSE A são reciclados, quase 40% de todo o material produzido em usinas de RCC/RCD é representado pela brita corrida reciclada, um dos materiais mais utilizados nas construções.
Porém, ele vai além, afirmando que “os benefícios do uso de materiais reciclados vão desde a redução de custos de regularização ambiental, explotação, transporte, energia, redução de esgotamento dos recursos minerais e naturais, aumento de renda e trabalho, fortalecimento da economia local, redução de materiais enviados a aterros, consequente redução de trânsito de coleta de RCC nos municípios, redução do uso combustíveis, estímulo a novas tecnologias de reciclagem, inovação e competitividade”.
O uso de materiais recicláveis representa uma mudança de paradigma, especialmente na construção civil, que se destaca por oferecer um caminho sustentável sem comprometer a qualidade, a estética ou a economia a longo prazo do empreendimento. “Assim, o caro ou barato, em termos imediatos, será o resultado do que o consumidor final exigirá como qualidade (…). Tudo vai depender do paradigma que deveremos transpassar a passos longos, em prol do desenvolvimento da humanidade, pois no final das contas o que valerá mesmo não é o tempo que passamos no mundo de nossos filhos, mas como deixamos o mundo que nossos descendentes utilizarão”, conclui o engenheiro civil Ezequiel Pinheiro de Barros.
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