
Histórias, memórias e muita emoção marcaram o encerramento da 22ª Semana Nacional de Museus, no Museu dos Povos Acreanos (MPA), em Rio Branco, na noite de domingo, 19, com a apresentação da peça Fiandeiro de Tempos, no Átrio Catraia. A produção do Coletivo Iluminar, com o monólogo do artista Victor Onofre, fez um resgate da vida de ribeirinhos acreanos, valorizando o patrimônio histórico e imaterial da identidade amazônica.

Durante cinco dias, o MPA realizou palestras, minicursos, oficinas, mesa-redonda, apresentação de documentário e de peças, graças à parceria da Fundação Elias Mansour (FEM) com a Universidade Federal do Acre (Ufac). Sob o tema Museus, Educação e Pesquisa, a programação cumpriu o objetivo de promover uma reflexão sobre a fundamental atuação dos museus como impulsionadores de educação e pesquisa.

O presidente da FEM, Minoru Kinpara, destaca que todos os eventos realizados durante a Semana Nacional de Museus no MPA fazem parte do processo de valorização dos espaços de memória. “Além da preservação de memórias, os museus são educativos, para que a nossa população possa admirar nossa história, que é muito rica e bonita”, afirmou.
O coordenador do MPA, Ferleno Ferreira, enalteceu as atividades voltadas para a pesquisa e a participação dos professores da Ufac. “Tivemos uma semana bastante produtiva, com grande participação do público durante esses cinco dias, com atividades que uniram pesquisa, educação e cultura. A peça Fiandeiro de Tempos fechou com chave de ouro nossa programação, porque retrata bem o povo acreano”, disse.
Emocionado com a performance de Victor Onofre, o professor Evaldo Ribeiro, que participou de várias programações ao longo da semana, fez questão de reforçar a importância desse resgate cultural.

“A Semana Nacional de Museus trouxe para mim uma grande surpresa, porque mostrou detalhes do prédio quando era um orfanato, depois o documentário sobre a ponte, da Alcinete Damasceno, e por último a peça, que trouxe lembranças de histórias que minha mãe contava. Gostaria de parabenizar todos os envolvidos, principalmente o coordenador Ferleno Ferreira e a curadora do MPA, Paola Ribeiro”, enfatizou o professor.

O artista Victor Onofre já levou Fiandeiro de Tempos para vários estados, mas diz que é sempre emocionante atuar “em casa”, por conta da reação da plateia. “Esse trabalho é fruto de uma pesquisa que iniciei em 2015, em um seringal entre Tarauacá e Jordão, quando encontrei um ribeirinho e percebi que as suas histórias deveriam ser contadas. A dramaturgia do ribeirinho acreano é muito rica e um dia, quem sabe, o Fiandeiro pode virar filme”, observa Victor.
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