
Vinte grupos (bandeiras) do Divino Espírito Santo reuniram-se na tarde deste domingo, 05, na orla de Marabá, para a 10ª Caminhada de Abertura das Festividades do tradicional movimento cultural e religioso da cidade. O cortejo saiu da Praça São Félix de Valois em direção à Capela do Divino Espírito Santo, no bairro Santa Rosa, na Marabá Pioneira.






“Essa manifestação cultural e religiosa é uma das mais antigas do nosso município. Só a nossa divindade, que a nossa família festeja, tem mais de 150 anos e a gente fica muito feliz em dar continuidade a essa cultura religiosa. Esse é um momento em que todas as bandeiras se encontram, todos os imperadores, imperatrizes e devotos. Tem esse momento de oração, tem o momento de encontro das bandeiras”, explica Ademar Gomes Dias, presidente de honra da Associação dos Grupos do Divino Espírito Santo de Marabá.

A orla foi tomada pelas cores vermelha e branca, características da festa, junto com os personagens como os imperadores, imperatrizes e anjos. À frente da caminhada estava o andor do Divino Espírito Santo, bem como os instrumentos musicais como pandeiros, violão e tambores, que são as caixas do Divino. Outro forte componente da manifestação são as rezas e orações, como o Pai Nosso e Ave Maria e as músicas próprias da tradição.
As bandeiras de cada grupo são um detalhe à parte, que têm um significado importante. Todas são vermelhas e com a representação da pomba branca, uma referência aos Evangelhos quando, no batismo de Jesus, o Espírito Santo desceu sobre Ele em formato de pomba.
Dionatan Gomes participa de um dos grupos de Divino Espírito Santo e toca a caixa. Um sentimento de fé e devoção que ele revive desde à infância.
“Eu via as minhas avós festejando a divindade, eu tinha seis anos de idade e venho acompanhando até hoje. Eu sou caixeiro do Divino, cantador. É uma coisa que eu amo, que eu gosto. A caixa e a bandeira do Divino representam duas peças fundamentais na festa. É o que dá o ritmo e chama o povo a participar da festa. Temos um verso que cantamos assim: ‘Meu Divino quando vem, de longe vem avisando. Vejo uma caixa batendo e uma bandeira girando'”, conta.

Um fator relevante da manifestação, segundo a presidente da Associação dos Grupos do Divino Espírito Santo de Marabá, Maria Luiza Kluck, é a presença de crianças e adolescentes, que são o futuro da festividade.
“Eu vejo como uma caminhada que está seguindo. É uma hierarquia. Vai passando de pai para filho. E as crianças que vêm já no cortejo imperial, têm as crianças que querem ser já foliões. Ao longo da caminhada, a gente vê crianças com bandeirinhas. Tudo isso já é o Espírito Santo agindo”, afirma.

A caminhada termina com a chegada do andor do Divino Espírito Santo à Capela, no bairro Santa Rosa, e o encontro das bandeiras, que adentram o local. Ali, são realizadas rezas e vivas. E, ao final, houve um lanche para os fiéis.
O apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Marabá (Secult) deu-se por meio da infraestrutura para a realização da caminhada, uma forma de fortalecer a manifestação religiosa e cultural, como reitera Genival Crescêncio.
“É um imenso prazer mais uma vez a secretaria contribuir para o desenvolvimento da programação cultural do ciclo do Divino 2024. Desde a primeira caminhada, dez anos atrás, nós estivemos presentes, fomentando essa atividade, contribuindo também com as necessidades que o grupo tem para desenvolver suas atividades ao longo desses três meses de manifestação”, pontua o secretário.

O presidente de honra da Associação dos Grupos, Ademar Gomes, ressalta “a importância da Secretaria de Cultura, que está participando, ajudando, resgatando. O município sem cultura é um município sem identidade. E quando se fala em questões religiosas, é uma identidade que tem uma importância muito grande porque tem a fé, tem a devoção, tem as pessoas que pagam as promessas dos milagres alcançados. A gente fica feliz, emocionado, em fazer parte dessa história que é tão linda e que envolve muitas famílias”.
História
As fontes históricas apontam que a festa do Divino Espírito Santo começou no século XIV, em Portugal, em torno de uma promessa feita pela Rainha D. Isabel. A tradição chegou ao Brasil por meio da colonização, se espalhando por diversas regiões do país.

























Texto: Ronaldo Palheta
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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