
Aulas virtuais e contatos mediados por plataformas e aplicativos de mensagens. A comunicação digital entre estudantes foi acelerada nos últimos dois anos, com as transformações provocadas em razão da pandemia da Covid-19. Em meio à transformação no processo de ensino e de aprendizagem, as práticas discriminatórias de bullying também convergem para o mundo digital, no chamado cyberbullying. Embora a denúncia seja importante, educar é um fator de prevenção. Pensando nisso, as Forças de Segurança do Ceará, por meio de suas vinculadas, realizam ações constantes para uma sociedade livre de discriminação.

De acordo com o inspetor Cláudio Marques, diretor da Divisão de Proteção ao Estudante (Dipre) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), mesmo com o retorno das aulas presenciais, o uso de ferramentas digitais como aplicativos de mensagens, com finalidade didática, é uma tendência que veio para ficar. O policial civil, no entanto, alerta sobre o uso indevido das plataformas, com finalidade de promover bullying entre os colegas. “Passamos dois anos isolados, em uma pandemia. As escolas retornaram agora ao ensino presencial e muita coisa mudou. As redes sociais fazem parte do cotidiano dos estudantes. E isso pode ser bom ou ruim, a depender da situação. Publicações jocosas ou que difamem um colega, por exemplo, podem tomar proporções perigosas e transformam negativamente a vida de uma pessoa”, alerta o diretor.

O cyberbullying e o bullying não são tipificados criminalmente, mas as violências que podem ser resultados da ação, sim. Os casos, a depender da situação, podem ser investigados como violência psicológica, perseguição, ameaça, entre outros. Palestras educativas são realizadas pela Dipre nas escolas particulares e públicas, além de um diálogo constante com as secretarias municipais de Educação e Segurança. Os encontros são uma maneira de escutar os estudantes e educá-los sobre respeito e empatia. “Durante o período das aulas remotas, realizamos alguns encontros virtuais, mas aos poucos, retornamos às palestras presenciais. É muito importante esse contato. Já tiveram situações em que as palestras acabaram e os alunos nos procuraram, individualmente, para relatar situações que passaram e acabam identificando como sendo bullying. É um diálogo que transforma e aproxima a Polícia dos jovens”, detalha a inspetora Roberta de Mendes, da Dipre.
O Batalhão de Policiamento de Prevenção Especializada (BPESP) da Polícia Militar do Ceará (PMCE) também faz um trabalho educativo nas escolas em Fortaleza e no interior, como forma de aproximação com a comunidade estudantil, por meio do Grupo de Segurança Escolar (GSE). De acordo com o major Messias Mendes, comandante do batalhão especializado, uma das atribuições do GSE está na conexão com as escolas para prevenção às situações que possam vulnerabilizar as crianças e adolescentes em formação.

“O GSE é formado por policiais militares que recebem uma formação diferenciada, para gerar uma aproximação, um contato com alunos, pais, diretores, professores e toda estrutura escolar, que acaba sendo muito sensível à potencialização de atos de indisciplina que afetam a qualidade do ensino, uma vez que o ambiente escolar é eclético, formado por pessoas de idades e classes diferentes. Os agentes que atuam nesses ambientes precisam compreender comportamentos por outras perspectivas que não sejam reprimir por reprimir, mas de construir, com a comunidade escolar, um ambiente de paz e harmonia”.
Compartilhar memes ou outras publicações de cunho ofensivo, em relação aos colegas, deve ser problematizado. No Colégio da Polícia Militar do Ceará General Edgard Facó (CPMGEF), a conscientização é a palavra de ordem.

“A comunidade escolar deve estar sempre atenta e envolvida num trabalho constante de acompanhamento dos alunos e famílias visando prevenir ou intervir na prática de agressão física e moral na escola, que precisa ser um local não só de ensino, mas também de consciência cidadã de direitos e deveres, cooperação e empatia. Combater o bullying e o cyberbullying é evitar a propagação da violência em uma sociedade futura”, explica a cabo Mônica Oliveira, do Serviço de Apoio Educacional e Psicossocial (Soep) do CPMGEF.
O Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola foi instituído pelo Governo Federal em 2016, como iniciativa para discutir sobre os problemas causados pelo bullying. A data foi escolhida em referência ao fato ocorrido em Realengo (RJ), cinco anos antes.
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