
As ações, a princípio, compreendem as áreas atingidas por incêndios em janeiro deste ano e em 2021
Vital para a cidade de Fortaleza, o Parque Estadual do Cocó agora conta com um plano para recuperação das áreas atingidas pelo incêndio de janeiro deste ano, bem como estudos e estratégias para prevenir futuros episódios. As ações foram detalhadas pelo Governo do Ceará na manhã deste sábado (13), no encerramento da Festa Anual das Árvores 2024. Estavam presentes o governador Elmano de Freitas; a secretária do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (Sema), Vilma Freire; além de outras autoridades.
Para o governador Elmano de Freitas, o Parque do Cocó é um patrimônio ambiental de Fortaleza e do Ceará e, portanto, deve ser cuidado por todos. “Quando cheguei em Fortaleza, na década de 1980, começou a criação do Parque do Cocó. Contudo, só depois [em 2017] foi garantida a legalidade da área do Cocó. Este patrimônio representa a garantia de termos qualidade do ar para quem aqui vive e visita. A cidade sentiu a fumaça se espalhando em seu território. Herois e heroínas colocaram sua vida em risco para a proteção do Parque e da cidade. Isso nos alertou para a discussão científica para restaurar adequadamente o Parque do Cocó”, ressaltou.

Com área de 1581,29 hectares, o Parque do Cocó é o maior parque natural em área urbana do Norte/Nordeste e o quarto da América Latina. O Parque destaca-se no cenário da capital cearense como o maior fragmento verde, atravessando 15 bairros, com extenso manguezal e dunas milenares no entorno. São mais de 2 km de trilhas interligadas, ideal para quem quer praticar esportes e contemplar a biodiversidade presente.
A titular da Sema falou sobre os impactos do incêndio ocorrido em janeiro, que atingiu uma área do Parque superior a dez hectares, e o enfrentamento que durou cerca de 13 dias de trabalho coletivo. Ela também pontuou as ações de mitigação, destacando a importância do plano.

“Não por acaso, nós tratamos neste ano na Festa Anual das Árvores a prevenção e o combate a incêndios florestais. Nós sofremos nos últimos anos com incêndios, aqui no Parque do Cocó, principalmente. O objetivo é conscientizar e sensibilizar toda a população sobre a preservação que nós devemos ter nos nossos espaços verdes, nas nossas Unidades de Conservação em todo o estado do Ceará, que já são mais de 33 unidades”, pontuou Vilma Freire.
Na oportunidade, foi realizado o plantio de mudas de plantas nativas, incluindo Ipê Amarelo, árvore símbolo de Fortaleza. A Capital completa 298 anos neste dia 13 de abril, data do encerramento da Festa Anual das Árvores 2024.
“Nós queremos ter o Parque do Cocó como foi um dia antes de ter salinas. Isso implica na recuperação de desvios de rios, desvio de corredor de água que existia dentro do Parque. A consciência ambiental que nós devemos ter é de que aqui não teremos retorno de salina, nem teremos empreendimento imobiliário. Nós teremos uma mata restaurada no Parque do Cocó como um presente para a nossa necessidade”, defendeu Elmano de Freitas.

A elaboração do plano foi conduzida pela Sema com participação de técnicos da pasta e da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), de pesquisadores do Programa Cientista Chefe e agentes do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará. A princípio, ações compreendem áreas atingidas por incêndios em janeiro deste ano e em 2021.
O documento propõe, portanto, compreender como a dinâmica do Parque atualmente é afetada pelas barreiras físicas (diques, canais, entre outros) geradas no Cocó por salinas que existiam na área e foram desativadas até o início da década de 1980. A partir disso, serão implementadas soluções de restauro ecológico, bem como estratégias de gestão participativa, para incluir e conscientizar a sociedade civil.

O biólogo, professor e coordenador do Cientista-Chefe para o Meio Ambiente na Sema, Luís Ernesto Arruda, falou sobre o desafio do trabalho.
“Essas estruturas físicas, durante essas décadas, impediram que a regeneração natural ocorresse a contento. Então, por exemplo, a área que sofreu o incêndio é um brejo que se forma durante o período de chuva. Lá, agora, a água está na cintura, toda a área que foi incendiada virou um grande lago”. Isso cria um capim. No segundo semestre, o capim seca e vira combustível para incêndios”, explicou.“Essas estruturas físicas, durante décadas, impediram que a regeneração natural ocorresse a contento. Então, por exemplo, a área que sofreu o incêndio é um brejo que se forma durante o período de chuva. Lá, agora, a água está na cintura, toda a área que foi incendiada virou um grande lago. Isso cria capim. No segundo semestre, o capim seca e vira combustível para incêndios”, explicou.
Para isso, acrescentou o pesquisador, o projeto conta com uma equipe multidisciplinar, com biólogos, oceanógrafos, geógrafos, cientistas ambientais, entre outros. “Tenho certeza que os dados que vão ser gerados nesse ambiente tão desafiador e complexo, como é o Parque do Cocó, vão servir para que outros lugares do mundo reproduzam a experiência que vamos fazer”, completou Luís Ernesto Arruda.
– Batimetria e modelagem da hidrodinâmica (batimetria é o estudo e análise das superfícies subaquáticas, sejam elas fundos de rios, lagos ou outros corpos d’água);
– Topografia e aerofotogrametria;
– Recuperação hidrológica com abertura de canais;
– Plantio de mangue;
– Acompanhamento da regeneração natural;
– Manejo ecológico da área de brejo
– Implementação de ações de gestão democrática e participativa
Gestor do Parque e agrônomo, Narciso Mota reforça que a educação ambiental é fundamental para que os cearenses possam viver e proteger o Parque.

“O ecossistema do Cocó faz um serviço ambiental para a população. Além da produção de oxigênio, de área verde para contemplação, para passeio, ele produz uma diminuição no clima. O calor de Fortaleza da cidade é aplacado em 1, 2 até 3 graus por a gente ter esse Parque que pega o vento que vem do nascente e espalha para toda a cidade. Essa diminuição da temperatura, esse microclima, é o nosso Parque propício para a cidade”, disse.
Para o fortalecimento da proteção ambiental, foi assinado, ainda, um Acordo de Cooperação Técnica para formalizar a parceria entre Sema e o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará. O objetivo é qualificar e capacitar brigadistas do Programa Estadual de Prevenção, Monitoramento, Controle de Queimadas e Combate aos Incêndios Florestais (Previna) para prevenção e combate a incêndios, primeiros socorros e demais competências relacionadas à atuação de brigadistas.

O evento também homenageou com certificados pessoas e organizações que trabalharam nas ações de combate ao incêndio de janeiro. Conheça os agraciados:
– Lourival Martins Carvalho, responsável pelo Viveiro do Parque Estadual do Cocó;
– Prof. Hugo Fernandes Ferreira, pesquisador integrante do Programa Cientista Chefe Meio Ambiente Sema/Funcap;
– Tenente Marcílio Quixadá, do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA);
– Fábio Teixeira Gusmão, fiscal ambiental da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Estado do Ceará (Semace);
– Capitão Fábio Ximenes Plutarco, do Corpo de Bombeiros Militar;
– Capitão Gilvan da Silva Nascimento, da Defesa Civil do Ceará
– Fernando Viana da Silva Queiroz, perito criminal da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

O tema do evento neste ano, realizado de 31 de março a 13 de abril, foi “Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais”. A Festa Anual das Árvores é coordenada pela Sema, em com municípios cearenses, organizações do Terceiro Setor, universidades, escolas, movimentos ambientalistas e entidades privadas.
Foram realizadas 981 atividades, em 146 municípios, contemplando 27 unidades de conservação e 106 escolas estaduais. Ações de educação ambiental, palestras, cursos, rodas de conversas, trilhas ecológicas, doações de mudas, plantio para reflorestamento e oficinas temáticas.
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