
A Secretaria da Educação (Seduc) realizou, nesta quarta e quinta-feira (10 e 11), o Seminário Estadual de Educação Integral: caminhos para a aprendizagem e o desenvolvimento pleno dos estudantes. O evento teve a finalidade de promover a reflexão e a disseminação de práticas sobre a educação integral, concepção que preza pela construção de conhecimentos com sentido e significado, por meio de aprendizagens que sejam relevantes, acessíveis, pertinentes e transformadoras para os alunos. A iniciativa ocorreu em parceria com os Institutos Aliança, Ayrton Senna, Unibanco e Sonho Grande.
A abertura contou com a presença do secretário executivo de Equidade e Direitos Humanos, Helder Nogueira; da coordenadora de Gestão Pedagógica do Ensino Médio da Seduc, Iane Nobre; da gestora de Implementação de Projetos do Instituto Unibanco, Monalisa Lacerda; da coordenadora regional do Instituto Aliança, Eveline Corrêa; e da diretora executiva do Instituto Sonho Grande, Ana Paula Pereira.

A palestra inicial foi conduzida pela professora Maria Medeiros, consultora do Instituto Sonho Grande, que destacou a vantagem da jornada escolar ampliada, assim como a necessidade de uma intencionalidade pedagógica, a fim de desenvolver o indivíduo em sua inteireza e complexidade.
“As melhores oportunidades são as educativas, que preparam as pessoas para fazerem escolhas, e assim poderem ter liberdade. A escola de tempo e educação integral é um lugar de oportunidades, num país marcado por profundas desigualdades sociais. Temos a estratégia mais potente para mudar a vida das pessoas, que é a educação pública de qualidade”, aponta.
A programação do seminário incluiu, ainda, momentos de troca de experiências, além de um ciclo de oficinas contemplando as cinco dimensões da educação integral: intelectual, física, afetiva, social e cultural. Com isso, buscou-se nortear as propostas pedagógicas e curriculares das escolas da rede estadual de ensino do Ceará. A ação foi voltada a professores diretores de turma, professores do Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais (NTPPS); coordenadores escolares; psicólogos educacionais; além de técnicos das Regionais que atuam nesta área.

A secretária executiva do Ensino Médio e Profissional, Jucineide Fernandes, esteve presente no encerramento do Seminário. A gestora analisa que o tema da educação integral não é novidade para a rede estadual cearense, mas que neste momento foram pontuadas premissas importantes para o desenvolvimento da política.
“A educação deve visar à formação global do estudante, constituindo-se como uma ampliação da função social da escola, de modo a formar cidadãos para atuarem na sociedade complexa em que vivemos. A jornada prolongada favorece esse processo, pois permite a existência de espaços curriculares para o desenvolvimento de habilidades variadas. Queremos fortalecer essa concepção em todas as nossas escolas, incluindo as de tempo parcial. O currículo com foco na formação integral do estudante tem como direito inegociável a aprendizagem, pois esta é a principal função da escola. Mas, a escola não pode ser apenas um local para se transmitir informações. É preciso garantir que o aluno tenha criticidade sobre o mundo em que vive”, considera.

Helder Nogueira lembra que a educação integral é um sonho antigo da educação brasileira, existente desde o início do processo de institucionalização das redes públicas.
“É um sonho bonito, mas que não é fácil de realizar. Precisamos exercitar muito, errar e acertar, tendo sempre um olhar assertivo para onde queremos ir. Nosso objetivo é uma educação que considere o aluno na sua integralidade, combinando aprendizagem com equidade. A escola pública é uma grande frente social e civilizatória, com inúmeras trajetórias de vida diferentes convivendo em um mesmo ambiente. Cada escola é um organismo vivo, independentemente das padronizações que ocorrem nas redes. Precisamos considerar o nosso perfil de matrícula, customizar o currículo e a avaliação, levando em conta cada realidade”, ressalta.
Iane Nobre explica que o intuito da Seduc é transformar, cada vez mais, em prática algo que já está na narrativa da instituição e nas formações direcionadas aos docentes. “Educação integral é tempo a mais na escola, ou uma concepção pedagógica? Estamos falando das duas coisas. Uma escola de tempo parcial também pode ofertar a educação integral, à medida que trabalha as dimensões humanas para além da intelectual. Assim, o aluno vem para a escola de forma inteira. Já fazemos isso, mas precisamos de mais consciência e intencionalidade na ação”, salienta.

Eveline Corrêa, do Instituto Aliança, defende a criação de um currículo vivo, interdisciplinar, que favoreça a formação de cidadãos. “É uma felicidade poder compartilhar com este momento tão relevante, refletindo sobre a escola, seus espaços e seus processos, para que consigamos verdadeiramente vivenciar o desenvolvimento integral, dentro do tempo integral. Precisamos trabalhar com o estudante para que ele possa desenvolver mais repertório e possa lidar com esse mundo, que hoje é tão complexo e desafiante para todos”, argumenta.
Ana Paula Pereira, do Instituto Sonho Grande, observa que o tempo integral tem crescido no Brasil como um todo, e que o Ceará, especificamente, é um dos primeiros estados a se comprometer em alcançar 100% das matrículas nesta modalidade. “Isso é algo que vemos com muita admiração. Acreditamos que trará benefícios de aprendizagem e desenvolvimento para os estudantes, que são o nosso principal foco. Temos visto, por meio da avaliação de evidências, que esta política promove mais aprendizado, retenção na escola, mais chance de ingresso no Ensino Superior e maior renda média mensal a partir da formatura. Por isso, acreditamos muito nessa pauta”, frisa.
Monalisa Lacerda, do Instituto Unibanco, rememora o pioneirismo do Ceará, em 2008, com a introdução do Programa Professor Diretor de Turma (PPDT), que se tornou exemplo para o Brasil. “Em 2018, as competências socioemocionais foram inseridas na rede. E assim, o estado ampliou a sua referência nacional no desafio da educação integral. Em relação a este Seminário, entendemos que o momento de trocas de experiências e práticas é riquíssimo para cada um”, pondera.
A educação integral apresenta-se como a forma mais coerente de ressignificar a educação básica, sendo definida como uma proposta contemporânea, inclusiva, alinhada com a sustentabilidade e com a promoção da equidade. Deste modo, faz com que a escola torne-se um espaço de humanização, que contribui para a realização dos projetos de vida dos estudantes. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a educação integral tem como propósito a aprendizagem e o desenvolvimento pleno dos estudantes, compreendendo a complexidade e rompendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual ou a afetiva.
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