
Celebrado anualmente em 2 de abril, o Dia do Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, para conscientizar acerca da temática que, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-5), trata-se de um transtorno neurológico onde há comprometimento da interação social, comunicação verbal e não verbal, além de comportamentos repetitivos. Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente no decorrer da infância, os quais podem ser observados desde bebês e também por profissionais da educação no aprendizado da criança. É necessário pontuar que Transtorno do Espectro Autista (TEA) não pode ser chamado de doença e os níveis, que antes eram denominados de leve, moderado e severo, passam a ser chamados de 1, 2 e 3.



Em Marabá, a Rede Municipal de Ensino dispõe de suporte para detectar o diagnóstico e dar assistência aos alunos com o TEA, por meio do Departamento de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), onde as escolas públicas dispõem de uma equipe multiprofissional que faz com que a unidade de ensino tenha esse papel fundamental de detectar precocemente os sinais, acionando o Departamento para que encaminhe aos especialistas da equipe clínica de saúde.
Atuante há 15 anos na rede pública municipal, a professora pedagoga Lucineide Barbosa relata que a prioridade sempre é a evolução do aluno, observando o aprendizado constantemente.
“No decorrer da convivência com os alunos, a gente observa e percebe de forma imprescindível o comportamento daquela criança, as dificuldades em aprender, mesmo com as diversas metodologias. Além do psicológico e do afetivo, pois muitas vezes eles não conseguem se relacionar com outros colegas. Dessa forma, a gente logo procura a direção e as equipes multiprofissionais para que possam detectar se aquele aluno possui algum grau de autismo e, assim, poder ajudá-lo a se desenvolver da melhor forma, pois o nosso papel como professor é trabalhar a evolução no aprendizado de forma igualitária para os nossos alunos”, explica.

De acordo com a coordenadora de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Marabá (Semed), Thais Martins, o diagnóstico é feito por meio de uma triagem. Primeiramente, uma equipe do Departamento de Educação Especial, composta por Terapeuta ocupacional, Fonoaudiólogo, Psicólogo e Assistente Social, realiza o procedimento e, conforme o resultado, encaminha para a equipe médica da SMS, que devem finalizar o diagnóstico por meio de instrumentos de rastreio, além da presença dos responsáveis, por conviverem diariamente com a criança.
“Após a conclusão dessa avaliação criteriosa por meio das nossas equipes clínicas, aí sim poderemos ofertar um dos profissionais de apoio mediadores, auxiliares de sala e até mesmo cuidadores de PcD (Pessoa com Deficiência), se assim for necessário a este aluno com TEA”, destaca a coordenadora.

Os níveis de autismo são avaliados a partir da necessidade de suporte para cada caso. Os alunos diagnosticados com o nível 1 são atendidos pelas salas de recursos das escolas da e acompanhados por professores especializados. Já os alunos dos níveis de suporte 2 e 3 têm direito a um profissional mediador.
Além disso, a Rede dispõe do Núcleo de Atendimento Especializado para Alunos do Espectro Autista (Naetea) , que atende cerca de 100 crianças e adolescentes entre 3 e 14 anos, no contraturno do ensino regular, e funciona com o atendimento educacional especializado “que faz intervenções apropriadas para que o aluno, lá no ensino comum, consiga potencializar o ensino e aprendizagem. Os professores e profissionais de dentro da escola recebem as orientações e intervenções que os profissionais do Naetea fazem de acordo com a especificidade que esse aluno apresenta”, declara Thais Martins.
O Núcleo é dividido em espaços pedagógicos e espaços clínicos. Na parte pedagógica, há a sala de estimulação precoce, sala de psicomotricidade, sala de robótica e informática e as salas TEA I (crianças de 3 a 6 anos) e II (de 6 a 14 anos).
Amilizane Rodrigues, 36 anos, recebeu o diagnóstico da filha Valentina, de 7 anos, ainda na Educação Infantil, no NEI Marluse Ferreira, Folha 6. A mãe afirma que o ambiente escolar foi o lugar que mais a acolheu e ajudou diante dos desafios de ser “mãe atípica”, como são chamadas as mães de crianças com TEA.
“Quando eu coloquei a Valentina no NEI, pontuei sobre a necessidade da fala que ela ainda não havia desenvolvido bem, mas nem passava pela minha cabeça a questão do Autismo. Mas já na primeira semana, eu já havia recebido uma possível hipótese da professora de que a minha filha seria autista. Aquilo me deixou bem triste, mas depois eu vi que era necessário fazer uma triagem com ela, e tudo foi feito pela equipe da Semed e ela recebeu o apoio necessário para se desenvolver da melhor forma”, afirma a mãe.

Atualmente, a Valentina estuda na Escola Mirian Moreira dos Reis, na Folha 7, e frequenta o Naetea três vezes por semana. Para Amilizane, os bons resultados são perceptíveis.
“Ela começou frequentando a sala de recursos da escola, e quando veio para o Naetea, passou a receber tanto a parte pedagógica quanto a parte médica, com o fono, psicólogo e terapeuta ocupacional, além do TEA 2, como se fosse a sala de recurso”, descreve.
Assim como a pequena Valentina, todos os 365 alunos com TEA recebem a assistência necessária para o desenvolvimento destes. Amilizane deixa um recado importante e de conscientização aos pais.




Texto: Sávio Calvo
Fotos: Sara Lopes
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