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Economia Negócios

Mulheres ganham maior visibilidade e assumem lideranças nas empresas

Presença feminina em cargos de gestão tem aumentado no Brasil

08/03/2024 às 14h05
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Dino
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Em meio às transformações no mercado de trabalho, a mulher tem ganhado espaço no ambiente corporativo, pelo conhecimento, habilidades profissionais, postura comportamental, capacitação e garra ao enfrentar os desafios. Pesquisas revelam que a participação feminina em cargos de chefia tem crescido no Brasil. O Panorama Mulheres 2023, elaborado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e Talenses Group, revelou que o papel das mulheres tanto nas presidências de empresas quanto em outras posições de alta liderança no país saltou de 13% para 17% entre 2019 e 2022.

No entanto, duas pesquisas da PwC concluem que o progresso para igualdade de gênero no ambiente de trabalho ainda é um desafio global. Em sua 12ª edição, o Women in Work Index revela que, no ritmo atual, levaria mais de meio século para diminuir a distância salarial entre homens e mulheres em todos os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A pesquisa mede o progresso rumo à igualdade de gênero no ambiente de trabalho em toda a OCDE, considerando cinco indicadores para a análise, um dos quais é o gap salarial entre homens e mulheres.

Apesar de alguns progressos na última década, a análise deste ano revela que ainda há um caminho longo a ser percorrido para o alcance da igualdade de gênero no trabalho em todos os cinco indicadores. A pontuação média do Women in Work Index aumentou de 56,3 em 2011 para 68 em 2022. Na última atualização, a pontuação média da OCDE melhorou aproximadamente dois pontos, passando de 66 em 2021 para 68 em 2022. 

Em relação às percepções das mulheres no ambiente de trabalho, a pesquisa Inclusion Matters confirma que o gap salarial é um problema: apenas 39% das mulheres sentem que são financeiramente recompensadas de forma justa pelo seu trabalho. A pesquisa conclui que existe um gap significativo entre a tendência de homens e mulheres pedirem promoções (-9 pontos) e aumentos salariais (-8 pontos). No entanto, as mulheres com pontuações no quadrante superior do Inclusion Index têm 1,4 vez mais probabilidade de pedir um aumento e 1,5 vez mais probabilidade de pedir uma promoção. Elas também têm 2,2 vezes mais probabilidade de recomendar seu empregador como um bom lugar para trabalhar.

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Diante desse cenário, as empresas têm investido em ações que potencializam suas lideranças, especialmente as femininas. A Ibi internet – empresa de internet fibra ótica com atuação no Vale do Rio Doce e no Vale do Aço em Minas Gerais – realiza o projeto Liderança de Fibra, que hoje é liderado por mulheres. O treinamento visa oferecer oportunidades de desenvolvimento e visibilidade para os colaboradores da organização.

Além disso, a empresa apoia e patrocina projetos, como o evento "Conexão Elas", promovido pelo Sebrae, que tem o objetivo de fortalecer o empoderamento das mulheres em todos os níveis da empresa. As políticas da empresa também são orientadas para a igualdade de gênero, o que abrange não apenas a questão salarial, mas também a distribuição equitativa de vagas e benefícios.

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Hoje, do total de 310 colaboradores, 23 ocupam cargos de liderança. Desse grupo de líderes, 60,87% são mulheres, que exercem a função em todas as áreas da organização, incluindo executivas, gerentes e coordenadoras. A gerente de Marketing, Isabela Haueisen Pechir, que está na empresa desde 2021, tem como principal desafio manter a equipe alinhada, desenvolvida, confiante e engajada, tanto com os objetivos do negócio quanto no dia a dia do trabalho, de forma saudável.

Taynan Santos, que foi contratada na empresa como auxiliar administrativo em 2015, hoje é supervisora de Backoffice. Para ela, ser líder é um aprendizado constante. "Estar à frente de uma equipe, liderando, inspirando e sendo inspirada todos os dias, é um desafio diário, mas confesso que eu gosto desse desafio".

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Há dois anos na empresa, Miriam Sodré, passou de assistente comercial para supervisora de cobrança. "No início do meu trajeto eu mergulhei no aprendizado e na prática, demonstrando uma crescente vontade de me aprimorar. Com o tempo e meu compromisso em oferecer excelência em minhas responsabilidades, fui reconhecida e promovida. Mantive-me firme em minha determinação, sempre buscando superar expectativas e contribuir positivamente para o sucesso da equipe."

Outra empresa que desenvolve projetos de equidade é a Coca-Cola FEMSA Brasil. Dentro desse pilar, a companhia desenvolve a carreira de mulheres, visando formar quadros de liderança mais diversos e representativos. A meta é ter 40% desses cargos ocupados por elas até 2030 e, atualmente, o percentual é de 25%.

Entre as iniciativas promovidas para atingir esse objetivo, o "Elas na Liderança" é um programa que fornece capacitação para que colaboradoras de média gestão assumam posições de liderança. Na sua primeira edição, realizada entre 2021 e 2022, o programa contou com 24 participantes e, até o momento, resultou na promoção e movimentação de 18 delas (75%).

A trilha do programa envolve atividades práticas e teóricas voltadas para Autoconhecimento, Marca Pessoal, Soft e Hard Skills, Negócios e Mentoria de Projetos. A partir disso, cada participante desenvolve um projeto próprio de relevância para a companhia. Em 2023, foi iniciada a segunda edição do programa, com 33 participantes. Até o momento, 27% delas foram promovidas ou mudaram de cargos.  

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