
Dos 164 estudantes da Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Marta Maria Giffoni de Sousa que prestaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2023, 129 conseguiram obter 900 pontos ou mais na redação. O expressivo montante de notas altas na prova escrita corresponde a 78% do total de matrículas de 3ª série na escola, situada no município de Acaraú. Observe-se, ainda, que 15 alunos alcançaram a marca dos 980 pontos, chegando bem perto da nota máxima (1000).
Um deles foi Jancarlos Wendell Carvalho, de 18 anos, que concluiu o curso técnico em Redes de Computadores na unidade de ensino. O jovem diz que há bastante tempo alimenta o sonho de entrar na universidade, e que desde o princípio entendeu a importância de uma boa escrita para realizar o ideal.
“Sempre gostei muito de redação, e sabia que ela poderia me abrir portas. Tive bastante auxílio da escola, que fez movimentos como círculos de leitura, debates, entre outras ações criadas para nos instigar e estimular a nossa criticidade, de forma que soubéssemos nos posicionar. Logo depois, como numa ‘escadinha’, novas competências foram trabalhadas, como a estruturação da redação nos moldes do Enem, o cuidado com a gramática e a proposta de intervenção. As práticas eram semanais. Recebia muitos conselhos dos professores”, explica.

Jancarlos, que está decidindo entre as faculdades de Psicologia e Publicidade e Propaganda, afirma ser apaixonado pela leitura e pela escrita. A partir disso, dá dicas a quem sente dificuldade com ambas as práticas. “A redação ajuda muito no dia a dia, pois traz clareza na nossa comunicação, mudando a vida não só por servir como entrada para a universidade, mas também, por a gente poder aplicar o que aprendeu no cotidiano”, ressalta.
“Para quem não gosta de ler, a dica que dou é começar com livros pequenos, sobre conteúdos que são do interesse pessoal. Desenvolver esse hábito requer constância e foco. É preciso tirar as distrações do ambiente, desligar o celular, marcar o horário de começo e término, deixar o local confortável e silencioso. Com a escrita, funciona da mesma forma. O importante é começar, do seu jeito, e depois ir se moldando. Nenhuma ideia deve ser jogada fora. As referências de séries, músicas e demais produções culturais podem servir para as redações, pois os temas variam bastante e é importante ter repertório. Arriscar-se em temas nos quais não se sente tão confortável, assim como escrever sem texto motivador, também é interessante. Depois de se familiarizar com a escrita, algo importante é treinar o tempo, para quando chegar o dia do Enem, poder fazer a redação de forma confortável, sobrando tempo suficiente para as outras provas”, avalia Jancarlos.
Na redação do Enem 2023, o desempenho dos alunos da EEEP Marta Giffoni foi o seguinte:
15 alunos – 980 pontos
33 alunos – 960 pontos
39 alunos – 940 pontos
30 alunos – 920 pontos
12 alunos – 900 pontos
27 alunos – entre 800 e 899 pontos
8 alunos – abaixo de 800 pontos

Anna Álitta dos Santos, de 18 anos, foi mais uma que obteve os 980 pontos. Ex-aluna do curso técnico em Eletromecânica na EEEP Marta Giffoni, a jovem, que também revela ter prazer no ato de escrever, aproveitava os momentos livres para treinar a redação. A estrutura e o apoio oferecidos pela escola foram um impulso além.
“Minha 1ª série foi bastante voltada para a leitura, através dos círculos feitos pela escola. Havia também o ‘Litera Giffoni’, que era o compartilhamento das leituras feitas pelos alunos. Destaco, também, o fortalecimento de repertórios. Na 2ª série, teve a intensificação do trabalho com a redação, quando a gente começou a produzir com as cinco competências. Foi um trabalho muito bem acompanhado pelos professores e gestão da escola. Realizei o Enem como treineira e consegui alcançar 920 pontos naquele ano”, relembra.
As cinco competências para uma boa redação no Enem são:
1: Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa
2: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.
3: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
4: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
5: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Na 3ª série, de acordo com Álitta, a preparação foi mais focada, com mais produções e acompanhamentos por diversos professores. “Com a contribuição de todos, conseguimos esse mérito para a escola. Foram passados semanalmente temas de redação para produzirmos, com a análise de nossos erros e a correção. Também houve atividades extra-escolares que participei, como o Enem Mix, além de redações propostas pela Crede (Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação) 3, sendo que em uma delas, alcancei o 1000. Então, tudo contribuiu para eu conseguir esse mérito que tanto almejava”, relata a estudante, que deseja cursar Engenharia Elétrica no Ensino Superior.

A professora Josiane Costa, que leciona Língua Portuguesa e Redação na escola, pontua como espaço fundamental o “REDLAB”, laboratório de redação que se propõe a fazer oficinas semanais para orientação, escrita, reescrita e devolutiva do que está sendo produzido. “É evidente que esse processo de orientação está atrelado à consolidação de muitas competências, pois algumas delas exigem uma vivência leitora bem fortalecida para a construção de repertório sociocultural, por exemplo”, esclarece.
“Outrossim, há uma integração bem edificada entre a base comum e base técnica. Esses profissionais vivenciam uma formação anual para orientação e troca de ideias sobre a matriz de correção Enem, para que de maneira unificada o trabalho de condução da escrita da redação Enem se fortaleça. Essa formação também se estende ao grupo discente e através dessa ação a aprendizagem entre pares tem contribuído, significativamente, para o resultado atual. Tal integração é essencial, pois os alunos entendem que o propósito da escola é o deles, e nisso, a formação integral acontece, uma vez que o processo exige mais do que a matriz, pois trabalha aspectos como a responsabilidade, a empatia, o foco, a autoconfiança, entre outras competências”, complementa a professora
Josiane destaca, ainda, o “apadrinhamento” para as produções textuais semanais. “Felizmente, temos um quadro de alunos que escrevem muito, exigentes com sua própria produção e atentos à sua evolução pessoal. Essa demanda despertou a logística do apadrinhamento por alguns profissionais, que se desdobram e orientam, extra produção da sala de aula, algum grupo de alunos. Esse trabalho é liderado pela gestão escolar, que se envolve de corpo e alma em todo o processo para obtenção desse resultado. E não posso deixar de ressaltar o trabalho das professoras de língua portuguesa, que de forma muito alinhada, conduzem a construção das competências em cada etapa do processo”, frisa.
“É um trabalho árduo, mas vivenciar esse resultado é motivador. Quero continuar conduzindo minha prática docente nessa perspectiva: sentindo-me bem pelo que consigo fazer na vida do outro. Espero comemorar muito e com muitos. Eu acredito na educação pública de qualidade e quero fazer parte dessa história”, finaliza Josiane.

Mirele Rodrigues, diretora da EEEP Marta Giffoni, considera o resultado alcançado como “o sonho de uma escola pública pautada na equidade”. O bom desempenho dos alunos, na visão da gestora, é consequência de uma proposta pedagógica construída coletivamente, além de um clima escolar favorável, em que o espírito de pertencimento à instituição é sentido tanto pelos profissionais, como pelos alunos e pais.
“Aqui, todos trabalham com o mesmo propósito. Essa sensação de dever cumprido é muito positiva. Nossos alunos estão preparados não apenas para o mundo do trabalho ou para a universidade, mas também para a vida. O nosso resultado excelente em redação – que teve como média 914,7 – é fruto de um trabalho desenvolvido a várias mãos. Os alunos não produzem sem que tenham feedback. Muitos dos nossos estudantes da 2ª série já fazem a prova como treineiros, para identificarem as dificuldades e assim poderem potencializar o aprendizado. É um conjunto de ações desenvolvidas de maneira comprometida e responsável, por toda a equipe da escola, não só pelos professores de Língua Portuguesa. Por exemplo, vemos educadores da área da Física fazendo devolutivas sobre redações. Tudo isso é muito bonito. Acredito que essa união é o diferencial”, aponta.
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