
Uma qualidade de vida adequada, associada a boas condições de higiene e cuidado, é resultado de múltiplos fatores. O Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março, suscita importantes reflexões acerca da temática, incluindo o acesso a medidas preventivas e assistenciais. Nesse sentido, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), em parceria com os municípios, segue aprimorando as estruturas voltadas para o atendimento à população.
“É muito importante que as pessoas compreendam os impactos positivos que a saúde bucal traz para nossas vidas, pois é parte integral da saúde geral. Conforme evidenciado em pesquisas, está relacionada ao bem-estar e à autoestima”, introduz Paola Calvasina, orientadora da Célula de Atenção à Saúde Bucal (Cebuc) da Sesa.
No âmbito da Atenção Primária, 2.133 equipes, compostas por dentistas, auxiliares e técnicos, estão distribuídas pelas cidades cearenses, fortalecendo a Estratégia Saúde da Família (ESF) e garantindo 73% de cobertura em todo o Estado. “Esses profissionais são vinculados às gestões municipais, que realizam a coordenação, a gerência e as orientações gerais sobre a logística, enquanto o Governo do Ceará oferece o apoio técnico”, esclarece Calvasina.
A partir da estratificação de risco e da compreensão da realidade familiar e socioeconômica de cada paciente, diversas atividades são realizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), incluindo a prevenção às doenças bucais e a promoção à saúde. “As ações englobam orientações sobre alimentação saudável e higiene oral em todos os ciclos de vida. As equipes também ofertam assistência odontológica básica”, exemplifica a gestora.
Após a primeira avaliação, com o diagnóstico estabelecido, são definidas as condutas e os tratamentos mais adequados. “Em alguns casos, procedimentos simples, como uma extração, uma limpeza ou uma restauração podem ser suficientes. Em outros casos, não”, pondera.

O Ceará abriga, hoje, 25 CEOs, distribuídos pelas 22 Áreas Descentralizadas de Saúde (ADS)
No caso de situações mais complexas, em que uma atenção especializada se torna indispensável, os pacientes são encaminhados, pelas equipes de saúde bucal da ESF, via Centrais de Regulação dos municípios, aos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs).
O território cearense abriga, hoje, 25 CEOs, distribuídos pelas 22 Áreas Descentralizadas de Saúde (ADS).
Em Fortaleza, a população conta com três unidades. “Os CEOs do Centro e do Joaquim Távora possuem um serviço de urgência odontológica 24 horas. Já o do Rodolfo Teófilo, a exemplo dos demais, atende, exclusivamente, via encaminhamento”, enfatiza.
“Os serviços ofertados nos CEOs incluem, além de tratamento de canal, tratamento da gengiva, próteses dentárias, cirurgias mais complexas e até diagnóstico de câncer de boca”, detalha.
Diante de traumas faciais, da existência de deficiências ou de transtornos mentais, algumas pessoas podem necessitar de cuidados a níveis hospitalares, incluindo anestesia geral. Nesses casos, a assistência é assegurada pelo Estado.
“Após a avaliação dos dentistas dos CEOs, os pacientes recebem um encaminhamento e devem se dirigir às Centrais de Regulação dos seus municípios. Uma dentista reguladora está responsável pelo direcionamento de pacientes às unidades que realizam o procedimento, a exemplo do Hospital Waldemar de Alcântara (HGWA), do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e do Hospital José Martiniano de Alencar (HMJMA)”, informa.

Paola Calvasina, orientadora da Célula de Atenção à Saúde Bucal da Sesa, elenca cuidados indispensáveis à manutenção da saúde bucal em todas as idades
Calvasina alerta, ainda, para a possível associação entre doenças odontológicas e outras condições. “Já existem evidências de que doenças na gengiva, denominadas periodontites, têm uma correlação muito próxima com a diabetes. Ao controlar um problema, automaticamente, torna-se possível melhorar o outro”, explica.
Ao longo da gestação, os cuidados com a saúde odontológica também precisam ser mantidos de maneira responsável. “Existe um período seguro para realizar tratamentos em grávidas. É fundamental a visita ao dentista para realizar o pré-natal odontológico, aprender como cuidar da boquinha do bebê e da saúde bucal da mãe, impactando positivamente as próximas gerações”, orienta.
De acordo com profissionais do ramo, mesmo com a ausência de sintomas, é indicada, pelo menos, uma visita anual ao dentista. “É importante realizar a limpeza, a aplicação tópica de flúor, além de incentivar o autocuidado diário, com o uso de fio dental e a escovação em, pelo menos, dois momentos do dia: pela manhã e, especialmente, antes de dormir”, diz.
Para assegurar a eficácia da higienização, em todas as idades, o creme dental precisa ser composto por flúor, devendo-se controlar a quantidade do produto em cada faixa etária, evitando a ingestão excessiva pelas crianças.
Em termos comparativos, até os três anos, o volume indicado equivale a um grão de arroz. A partir do quinto ano de vida, pode-se chegar a um grão de ervilha. “A função da escova é remover a placa dentária e doenças periodontais. Já o flúor previne as cáries”, finaliza Paola Calvasina.
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