
Na época do Brasil República, Piavoré era um sítio localizado onde hoje é a cidade de Lucas do Rio Verde. Em outubro de 1916, aconteceu um dos crimes mais sangrentos e violentos da região.
Quando ocorreu o movimento armado, organizado pelos conservadores no norte do estado em setembro daquele ano, vários moradores de Piavoré foram obrigados a fazer parte da revolução, sob a ameaça de serem presos ou até mortos por desobediência às determinações dos coronéis. Em suas casas, ficaram apenas as mulheres e as crianças.
O movimento comandado por Chico Monteiro, sob regência de Francisco Lucas de Barros, durou apenas um dia e os revolucionários foram dominados pelas forças do Governo. Foram presos 350 homens, entre seringueiros e escravos que lutavam em favor dos coronéis da borracha. Cerca de 500 rifles Winchester e milhares de munições foram apreendidos e levados à Delegacia de Rosário Oeste.
Depois de vários dias presos, todos os rebeldes foram liberados pelas autoridades para retornarem às suas casas e continuarem os trabalhos nos seringais. Ao retornarem, foram informados por suas esposas das ações truculentas de um dos moradores de Piavoré. José Cassiano fugiu para não participar do confronto armado. Na ausência dos homens, ele teria passado a invadir as residências e estuprar as mulheres de seus companheiros da sede do seringal.
Os homens então o lincharam no pátio do barracão de Piavoré. José Cassiano foi espancado até a morte pelos seringueiros revoltados. Em Rosário Oeste, a culpa foi atribuída a Chico Monteiro por não ter determinado a punição de José Cassiano por seus atos grotescos, já que Monteiro era o responsável pela garantia da segurança no seringal. No entanto, Chico Monteiro, que foi baleado nas nádegas durante o confronto, foi isentado da culpa na Justiça por sua situação de saúde.
Essa história marcou a vida pacata de Piavoré e por muito tempo o caso foi lembrado devido ao ato da justiça feita com as próprias mãos pelos seringueiros do Norte de Mato Grosso. Essa história inclusive foi registrada pelo Coronel Arthur de Campos Borges, no jornal “O Mato Grosso”, de 06 de maio de 1917.
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