
Oscar Wilde dizia: “A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte”. Ele engrandecia a força das mulheres, no entanto, elas sempre foram deixadas às margens dos acontecimentos. Não foi diferente com Mariana Leite de Barros, esposa do maior desbravador das terras do Rio Verde, Coronel Francisco Lucas, um dos homens mais ricos do Mato Grosso no período do Brasil República.
Mariana Leite era sobrinha de Francisco Lucas, filha do seu irmão Manoel Wenceslau de Barros. Mariana casou com o próprio tio e a sogra dela, que se chamava Mariana Marques de Barros, era sua avó. Era uma tremenda confusão. O casamento foi algo fora do padrão religioso da época, mas, como se tratava de uma família extremamente tradicional e de alto poder aquisitivo, ninguém contestou o matrimônio.
A sobrinha e esposa de Francisco Lucas tinha o espírito de mulher guerreira. Mariana vivia com a família em Cuiabá, ajudando o irmão a gerenciar o armazém gigantesco de Francisco Lucas, no bairro do Porto, enquanto o marido administrava os negócios da borracha em Rosário Oeste e em Piavoré.
O casal Francisco Lucas e Mariana Leite de Barros tiveram seis filhos, sendo quatro homens e duas mulheres: Augusta Leite de Barros, Maria Marques de Barros, Antônio Lucas de Barros, José Lucas de Barros, Benedito Lucas de Barros e Lucas de Barros. As duas meninas do casal faleceram jovens, vítimas de tuberculose, doença incurável na época. De acordo com o neto de Mariana, Carlos Eduardo Miranda de Barros, que atualmente é médico gastroenterologista em Cuiabá, as meninas eram muito bonitas. Mariana Leite jamais conseguiu superar as perdas e passou a sofrer de depressão até o fim de sua vida.
Dos seis filhos do casal, somente Antônio Lucas deixou descendentes. No andamento da nossa pesquisa, ainda não encontramos o exato motivo dos outros filhos de Francisco Lucas não terem casado.
Durante toda a vida, Mariana foi uma católica fervorosa e sempre esteve envolvida em sua comunidade religiosa, contribuindo financeiramente com valores significativos para a Paróquia de São Gonçalo, a qual fazia parte.
Mariana morreu no dia 22 de junho de 1947, dois anos após a morte de Francisco Lucas. No dia 20 de julho de 1947, a Irmandade Nossa Senhora da Conceição fez um convite e divulgou no Jornal O Mato Grosso, que dizia: “De ordem da priora Dona Maria de Ciqueira Diamantino, convido todas as associadas, os parentes e amigos da Irmã Fundadora Dona Maria Leite de Barros, para assistirem a missa do 30º dia do seu passamento, que esta irmandade fará celebrar no dia 22 do corrente, (terça-feira), às 6 horas, na igreja São Gonçalo, em sufrágio de sua alma”.
A pesquisa do Museu Histórico de Lucas do Rio Verde ainda está em andamento e não chegou ao tempo de vida de Mariana, nem na data de seu nascimento. O que se tem certeza é que ela foi uma das mulheres mais fortes em todos os aspectos da história mato-grossense.
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