

Cerca de 80 profissionais que atuam nos Caps II, IA e AD III, e Residência Terapêutica, ligados à Coordenação de Saúde Mental do município, participaram, ontem (4), de um dia de imersão sobre o cuidado em saúde mental e a atenção à crise dos sujeitos atendidos pelos serviços, no Auditório do Cemae.
O momento de formação técnica foi orientado pela equipe do Caps AD Gregório de Matos, de Salvador, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Foram trazidos e discutidos casos e situações de crise, olhando o sujeito como um todo e quais as intervenções que as equipes dos serviços poderiam pensar para gerenciar esses casos e quais as redes seriam preciso acionar.
De acordo com a coordenadora de saúde mental do município, Thayse Fernandes, no senso comum, tem-se o entendimento de que uma crise que só é manifestada por aquele sujeito agressivo, agitado, que quebra coisas e profere palavras de ameaça. Mas, é preciso ampliar esse conceito, porque a crise acontece no cotidiano dos usuários, que estão inseridos em uma sociedade que promove o preconceito, o estigma e muitas vezes estão em situação de vulnerabilidade, com famílias desestruturadas ou tem dificuldade de adesão ao tratamento.
“A clínica da atenção psicossocial é muito imprevisível. É importante também que as equipes compreendam que essas crises que se instalam, são comuns aos serviços e há essa necessidade de estar se instrumentalizando o tempo todo com conhecimentos, com experiências de outros serviços, para conseguir dentro do processo de cuidado, pensar em formas de manejar essas crises, de ofertar possibilidades para esse usuário refletir sobre que decisões que ele tem que tomar para poder diminuir os fatores de crise”, explicou Aracely Paiva, coordenadora de apoio técnico de saúde mental.
Um dos profissionais que participaram da atividade, Vinicius Reis, psicólogo no CAPS II, avaliou a formação como algo que irá agregar ainda mais a sua rotina de trabalho. “Por mais que a gente pense a crise como se fosse algo incomum, não é. É uma coisa que acontece diariamente no serviço e quanto mais oferta de cuidado no sentido de ampliar o nosso conhecimento, que a gente já tem porque somos uma equipe madura e consolidada, é sempre interessante quando a gente tem uma abertura maior para discutirmos isso teoricamente e trazer novas experiências de outros municípios”, comentou o psicólogo.
Mais atividades de formação permanente com as equipes de saúde mental já estão sendo planejadas para melhorar cada vez mais o cuidado em saúde mental dos serviços para gerenciar toda e qualquer crise que as pessoas em sofrimento mental possam manifestar.

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