
Quem cuida também precisa de atenção especial. Por isso, a equipe multiprofissional do Programa de Reabilitação Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), tem promovido encontros com cuidadores. A iniciativa busca promover escuta e diálogo com personagens indispensáveis na vida dos pacientes.
A ocasião, realizada mensalmente, permite que o grupo compartilhe experiências e libere emoções. Segundo a terapeuta ocupacional Alina Gonçalves, busca-se promover autocuidado e saúde mental.
“Nós ouvimos o cuidador. Sabemos que não é fácil cuidar de um paciente, sobretudo quando há uma espera por um transplante pulmonar. Nosso objetivo é garantir amparo a quem contribui com todo esse suporte”, explica.
A mãe de Sara Campos, acometida por fibrose pulmonar, aguarda por um novo órgão. Nesse contexto, a filha, aos 23 anos, na condição de cuidadora, aderiu aos encontros desde o início do ano.
“Apesar de fazer tudo por amor, a mudança mexe bastante com o psicológico. Eu saí de Manaus, onde eu tinha um emprego fixo, uma carreira, para morar em Fortaleza, onde eu trabalho por conta própria, em casa. Ter esse momento de acolhimento, quando falamos o que sentimos e aprendemos a lidar com esses sentimentos, tem sido enriquecedor e fundamental”, afirma Campos.
A oportunidade possibilita, ainda, o intercâmbio de informações com pessoas mais experientes. “Nós nos ajudamos e nos damos força. Eu faço tudo para não perder as reuniões”, reforça.
Maria Auxiliadora Rocha, 55, acompanha a irmã, que tem hipertensão pulmonar e também aguarda um transplante. “Essa iniciativa é uma bênção na nossa vida. Aqui, não falamos do paciente. Dividimos o que estamos passando. É maravilhoso ter esse espaço e poder compartilhar os nossos medos sem prejudicar o psicológico de quem já está enfrentando um problema de saúde. Dessa forma, aprendo a administrar minhas emoções e saio sempre renovada”, explica.
Nessa perpectiva, o acolhimento integrado ocorre por meio da discussão de diversos temas. Dentre eles, autocuidado, promoção da saúde mental e sensibilização para importância do bem-estar biopsicossocial. Sete cuidadores integram o grupo e são acompanhados por psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social e residente.
Geralmente, são utilizados textos, frases, desenhos, vídeos ou músicas como disparadores do diálogo. “Pactuamos o sigilo para que eles fiquem mais à vontade. As falas vão surgindo e nós vamos mediando. Tudo de forma lúdica e leve”, argumenta a psicóloga Luana Moreira.
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