
A gagueira é um distúrbio neurobiológico involuntário do neurodesenvolvimento que afeta a fluência e a cadência da fala. Comum em muitas crianças e podendo ocorrer até na fase adulta, o distúrbio da fluência, como clinicamente é chamado, tem seu dia internacional de conscientização nesta quinta-feira (22).
A fonoaudióloga da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), Rayné Melo, salienta que a data é importante para desmistificar os preconceitos sobre a gagueira, por meio da disseminação de informações técnicas. A especialista diz que o problema tem solução, mas é necessária a intervenção do profissional da fonoaudiologia.
“A gagueira é um transtorno da fluência da fala que geralmente começa na infância e se caracteriza por repetições de sons e sílabas, prolongamentos de sons e bloqueios durante a comunicação. Sua origem é complexa e envolve principalmente fatores genéticos e neurológicos. Não é causada simplesmente por nervosismo, timidez ou falta de inteligência”, explica.
Fatores de Risco
A fonoaudióloga da Sesau destaca que muitos fatores aumentam o risco de desenvolver gagueira, destacando-se o histórico familiar. Há também como influência, as situações de estresse, sustos e mudanças emocionais que podem coincidir com o aparecimento dos sintomas ou influenciar sua manifestação.
“A pressão para falar corretamente, as críticas e o preconceito também podem aumentar o sofrimento e contribuir para a manutenção das dificuldades”, ressalta Rayné Melo, lembrando que não existe uma forma comprovada de prevenir todos os casos. Entretanto, a família possui um papel fundamental, oferecendo um ambiente tranquilo, ouvindo a criança com atenção, respeitando seu tempo de fala e evitando interromper, completar frases ou exigir que fale perfeitamente.
“Como algumas disfluências são naturais durante o desenvolvimento da linguagem, é importante procurar um fonoaudiólogo para avaliar os sinais e orientar a família”, pontua a fonoaudióloga da Sesau. Ela destaca que o tratamento fonoaudiólogo é individualizado e busca favorecer a fluência, reduzir o esforço durante a fala e melhorar a comunicação e a qualidade de vida. “A participação da família é fundamental nesse processo”, enfatiza.
A fonoaudióloga da Sesau destaca que a pessoa que gagueja merece ser ouvida com respeito, ensinado que não se deve interromper, imitar ou completar suas palavras. “A informação, o acolhimento e o acompanhamento especializado são essenciais para combater o preconceito e promover a inclusão”, frisa Rayné Melo.
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