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Em 8 anos de atuação, Ronda no Bairro coloca Alagoas com 3ª menor taxa de crime contra o patrimônio no Nordeste

Em parceria com todas as forças de segurança, programa consolida a política de proximidade com a população e virou case de sucesso no Brasil

22/10/2026 às 18h23
Por: Redação Fonte: Secom Alagoas
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Nos últimos 8 anos, o programa contribuiu para reduzir em até 80% os Crimes Violentos Letais e Intencionais e Contra o Patrimônio nas localidades onde atua - Arquivo Agência Alagoas e Ascom Seprev
Nos últimos 8 anos, o programa contribuiu para reduzir em até 80% os Crimes Violentos Letais e Intencionais e Contra o Patrimônio nas localidades onde atua - Arquivo Agência Alagoas e Ascom Seprev
Wellington Santos / Agência Alagoas

Criado para aproximar a segurança pública da população, o programa Ronda no Bairro se consolidou em Alagoas com uma proposta que vai além do policiamento ostensivo. A presença diária dos agentes nas áreas comerciais e de grande circulação, o combate aos Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) e o atendimento social a pessoas em situação de vulnerabilidade fazem parte de uma estratégia que tem apresentado resultados positivos desde a sua implantação.

Os dados oficiais mais recentes, divulgados pela Central de Atendimento e Despacho da Secretaria de Estado da Segurança Pública, revelam que a atuação regional o programa no combate a Crimes Violentos contra o Patrimônio coloca Alagoas com a 3ª menor taxa desse tipo de delito entre todos os estados do Nordeste, ficando atrás somente de Sergipe e Paraíba.



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Em números absolutos, o roubo a estabelecimentos comerciais em Alagoas caiu de 7.261 ocorrências no ano de 2024 para 6.057 em 2025. A taxa para cada 100 mil habitantes no período saiu de 225,5 para 188,1, uma redução de -16,6 pontos percentuais. Os números apontam ainda que, de janeiro e junho deste ano, o índice de Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVP) em Maceió caiu 64% na Orla, 54% no Benedito Bentes, 50% no Jacintinho e 14% no Centro.


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Mas, para esse sucesso, o Ronda não atua sozinho. Ele trabalha em parceria com as demais forças de segurança e, na prática, quase sempre é o primeiro a chegar nas ocorrências. A partir da avaliação inicial, os agentes acionam os órgãos parceiros. O programa é mais uma peça importante dentro do Sistema de Segurança Pública de Alagoas, executando as políticas definidas para o setor.

Trabalho virou case de sucesso no país

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Nos últimos 8 anos, o Ronda no Bairro contribuiu para reduzir em até 80% os Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) e os Crimes Violentos Contra o Patrimônio (CVCP) nas localidades onde atua, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Ao longo do período, as ocorrências de assaltos em ônibus e roubos a veículos também foram zeradas.

Com esses resultados positivos, o Ronda no Bairro entrou no radar nacional e já serviu de exemplo para outros estados. Tamanho reconhecimento teve seu ápice em 2018, quando, o programa foi matéria de destaque no Jornal Nacional.

O trabalho foi apontado como um dos fatores que mais contribuíram para que Alagoas conquistasse o topo no ranking dos estados que mais reduziram a violência nos nove primeiros meses daquele ano. Os números foram levantados em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).



A experiência exitosa do programa foi destaque no Congresso Nacional de Pessoas em Situação de Rua, em Aracaju/SE; durante encontro nacional com representantes do Ministério da Justiça, em Brasília; e também no Rio Grande do Norte.

Jacintinho, a primeira experiência que deu certo

O primeiro território escolhido para a implantação do Ronda no Bairro, foi o Jacintinho, em Maceió, bairro com intenso movimento comercial. A região apresentava índices preocupantes de crimes contra o patrimônio, especialmente pequenos furtos. A implantação ocorreu em janeiro de 2018, e encontrou uma estrutura policial que já atuava na região, mas que passou a contar com a proposta inovadora de uma polícia mais próxima dos moradores e comerciantes.



Com orçamento anual de R$ 27,6 milhões, atualmente o Ronda conta com uma equipe bem diversificada: são 197 civis egressos das Forças Armadas, 101 vigilantes patrimoniais, 129 militares da reserva (bombeiros e PMs), 355 militares da ativa (bombeiros e PMs) e 253 administrativos. No total, são 1.035 colaboradores.

 

Ronda e a 1ª mulher no comando

Com pouco mais de cinco meses à frente do programa, a tenente-coronel Josiene Lima é a primeira mulher no comando da corporação. Ela revela como está sendo a experiência na iniciativa, que já é sucesso na segurança pública do estado.

Josiene Lima já desbravou outras frentes e desafios como policial e acumula uma trajetória marcada por funções de comando dentro da Polícia Militar de Alagoas. Ela foi a primeira mulher a comandar o Batalhão de Polícia Rodoviária e, posteriormente, assumiu o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar. Antes de chegar ao Ronda no Bairro, esteve ainda à frente da Diretoria de Comunicação da corporação.

Para a tenente-coronel, assumir o programa revelou uma dimensão que vai além do policiamento tradicional. A rotina operacional da Polícia Militar, segundo ela, costuma estar mais diretamente ligada à presença ostensiva e à resposta às ocorrências.

“No Ronda, existe a possibilidade de acompanhar mais de perto a realidade das comunidades. O policial está ali praticamente todos os dias”, resume a superintendente, ao destacar a relação construída com moradores e comerciantes. “A escolha dos territórios é precedida por estudos sobre os índices de criminalidade. “Não é tão somente o policiamento. A prevenção é bem mais ampla”, destaca a militar.



No Jacintinho, essa mudança foi percebida por comerciantes e moradores como Edvan Lima, que tem um pequeno negócio no bairro há sete anos. “A sensação de segurança melhorou muito desde a chegada do programa. Antes tinham muitos furtos aqui nessa região”, revela. Segundo ele, a presença dos agentes ajudou a reduzir os assaltos e trouxe uma relação mais próxima entre policiais e comerciantes.

A comerciante Aimée Agra, que trabalha no Jacintinho há cerca de 30 anos, também relata uma mudança significativa. “Já fui vítima de assaltos duas vezes e os crimes diminuíram após a implantação do Ronda no Bairro”, afirma.

Para a subtenente Ivone, uma das policiais que acompanharam o início do programa no Jacintinho, a aproximação com a comunidade foi um dos principais diferenciais. “O policiamento aqui no bairro passou a contar com patrulhas a pé, fato que não existia antes da implantação, além de motocicletas e viaturas, mantendo equipes em horários definidos para reforçar a presença nas áreas comerciais”, conta a policial pioneira.

Um modelo que se expandiu

A experiência inicial no Jacintinho serviu de base para a expansão do programa. Atualmente, o Ronda no Bairro está presente em oito territórios e cinco municípios alagoanos: Maceió (Jacintinho, Orla, Centro e Benedito Bentes), e as cidades de Marechal Deodoro (Praia do Francês), Rio Largo, Paripueira e Arapiraca.



Um dos exemplos mais recentes é Arapiraca. Implantado em 3 de julho deste ano, o programa registrou uma redução de 42% nos Crimes Violentos contra o Patrimônio, em comparação com o cenário observado antes da implantação, considerando o primeiro mês de atuação. Segundo levantamento apresentado pela superintendente, a escolha de Arapiraca também levou em consideração a movimentação dos centros comerciais e a recorrência de pequenos furtos.

Programa para além do ostensivo: o viés social

Um dos diferenciais na atuação do Ronda no Bairro é o viés social. Além dos agentes de segurança (os policiais), o programa conta com psicólogos, assistentes sociais e profissionais que atuam diretamente no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.



O psicólogo Álvaro Oliveira explica que a equipe realiza abordagens sociais e encaminhamentos para diferentes serviços da rede de proteção. Entre os atendimentos estão pessoas em situação de rua, usuários que precisam de tratamento para dependência química, idosos em situação de vulnerabilidade e crianças perdidas ou desaparecidas.

“Os encaminhamentos podem ser feitos para abrigos institucionais, unidades de saúde, serviços especializados, centros de atendimento à população em situação de rua e programas de tratamento para dependência química”, explica o psicólogo.

A atuação, porém, pode variar de acordo com a situação encontrada pelos profissionais. “Em casos de crise ou alteração psicológica, por exemplo, a abordagem exige uma intervenção diferenciada”, completa o profissional.

Na orla, um dos diferenciais são os agentes bilíngues

Na orla de Maceió e no município de Marechal Deodoro, o Ronda no Bairro ganhou uma característica específica por atuar em uma região frequentada diariamente por turistas. A 1ª tenente Cristina Barbosa, uma das precursoras da implantação do Ronda no bairro na orla de Maceió, acompanha a evolução do programa. “O Ronda chegou à orla em 2018 e conta atualmente com equipes bilíngues por conta do apelo turístico com a chegada de navios de cruzeiro. Nessas localidades contamos com agentes que falam espanhol, inglês e francês”, explica a policial.


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Sensação de segurança, o olhar de quem vem de fora

A percepção de segurança também aparece entre os visitantes que circulam pela orla de Maceió. O turista Geraldo Martins, de Divinópolis, Minas Gerais, afirmou ter encontrado um ambiente tranquilo durante a viagem.

“Essa sensação de segurança permite que a gente caminhe e aproveite os espaços públicos com mais tranquilidade”, avalia Geraldo, ao se deparar com uma guarnição do Ronda durante visita ao Marco dos Corais, na praia de Ponta Verde, acompanhado da esposa, Helena Belém.



“A gente percebe uma certa tranquilidade ao andar na rua. As pessoas não ficam naquela sensação de insegurança agarrando o celular, a bolsa, justamente por causa dessa confiança, observando que há policiamento por perto”, completa a turista mineira.

Imprensa também atesta eficiência do programa

O repórter policial Aarão José, com quase 20 anos de profissão, considera que o programa trouxe uma nova dinâmica para a segurança pública, ao combinar prevenção, policiamento e atuação social. “É nítido o respeito mútuo que há entre os agentes e a população, gerando confiança e proximidade e inibindo os delitos nas áreas atendidas”, atesta o jornalista.

Ele também destaca a participação de policiais da reserva e profissionais oriundos de outras áreas, como uma forma de aproveitar experiências acumuladas e, ao mesmo tempo, renovar as equipes.

O também jornalista e repórter policial Maílson Franklin, que acompanha há anos a rotina da segurança pública em Alagoas, avalia que um dos principais efeitos do programa é justamente a sensação de proximidade. “O cidadão encontra os agentes em diferentes modalidades de patrulhamento nas ruas, quer seja a pé, de moto ou em viaturas, ofertando a sensação de segurança”, completa

Ronda Mirim e projetos futuros

A atuação social também inclui iniciativas voltadas para crianças e famílias. Entre elas está o Ronda Mirim, que oferece atividades esportivas e acompanhamento a crianças de famílias em situação de vulnerabilidade. A iniciativa já conta com participantes que tiveram a oportunidade de viajar para competições esportivas, mostrando que a proposta do programa não se restringe à segurança, mas também busca criar oportunidades.


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O Ronda Mirim foi implantado em setembro de 2024, como uma iniciativa pioneira e social da Secretaria de Prevenção à Violência (Seprev), por meio da Superintendência do Programa Ronda no Bairro. Executado em parceria com o Batalhão da Rotam, o projeto visa incentivar a prática esportiva do Taekwondo, entre as crianças matriculadas em escolas localizadas nas áreas de atuação do Ronda no Bairro e em unidades de ensino do entorno da base no Poço.

As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas, pela manhã e à tarde, no Centro de Treinamento do Ronda no Poço, e são ministradas por mestres graduados. Para participar, a criança deve ter entre 6 e 14 anos, estar matriculada e estudando, estar apta para atividades físicas e ter autorização dos pais ou responsáveis.

Alguns dos menores já participaram de campeonatos, conquistando medalhas, mas a competição não é obrigatória e depende da vontade do próprio aluno e da autorização dos responsáveis. Os atletas do Ronda Mirim já conquistaram medalhas no Alagoano, Nordeste e Brasileiro. Em competição recente, os alunos conquistaram duas medalhas de bronze no Campeonato Brasileiro de Taekwondo, realizado em Brasília.

Perspectivas futuras de ampliação

Segundo a superintendente Josiene Lima, novos projetos estão sendo planejados para ampliar esse trabalho. Uma das propostas envolve as mães das crianças atendidas pelo Ronda Mirim, com a possibilidade de oferecer capacitação profissional e oportunidades de geração de renda. A ideia é trabalhar não apenas com a criança, mas, também, com o núcleo familiar.

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