
O Perímetro Irrigado Califórnia, administrado pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, vem ampliando a produção de milho e sorgo destinados à alimentação animal. Com a previsão de estiagem prolongada associada ao fenômeno El Niño, a produção irrigada ganha relevância para garantir o fornecimento de silagem aos criadores da região.
Em 2025, os agricultores do Perímetro Califórnia produziram mais de 9,3 mil toneladas de milho e sorgo. Desse total, foram mais de 4,6 mil toneladas de milho e quase 4,7 mil toneladas de sorgo. A produção foi destinada integralmente à alimentação animal, enquanto parte significativa do milho também foi aproveitada para a fabricação de silagem, incluindo caules, folhas e palhas resultantes da colheita das espigas.
Em 2026, a procura pela produção para alimentação animal já apresenta crescimento. Segundo o técnico agrícola da Coderse, Ozeias Beserra, a produção de silagem aumentou aproximadamente 60% em relação ao volume que vinha sendo produzido anteriormente.
“A produção de silagem foi ampliada por conta das informações que estão chegando de que haverá uma grande seca neste ano e no próximo, por conta do El Niño. Aumentou aproximadamente 60% do que a gente já produzia, muito por conta da estiagem que já estamos enfrentando aqui no município”, disse.
Silagem
O milho cultivado no Perímetro Califórnia tem múltiplas finalidades. Além da comercialização das espigas de milho verde, a parte restante da planta é aproveitada para a produção de silagem, utilizada na alimentação de bovinos, caprinos, ovinos e animais de carga.
É o caso da produção do irrigante Ednaldo Pereira da Silva, que cultiva milho há cerca de dez anos. Atualmente, ele mantém quatro hectares divididos em sete parcelas com diferentes idades de cultivo — estratégia que permite realizar a produção de silagem de forma contínua.
“Colhemos a espiga do milho verde e o resto a gente aproveita para fazer a silagem para o gado. Tenho clientes que criam vacas de leite nos povoados Capim Grosso e Curituba e nos assentamentos”, relatou.
A silagem é produzida a partir da forragem ainda verde, que é picada, compactada e vedada para conservação por meio de fermentação anaeróbica. Após aproximadamente 30 a 40 dias, o material está pronto para o consumo e, quando armazenado adequadamente, pode ser conservado por até dois anos sem perder suas características nutricionais.
No Perímetro Califórnia, uma das formas utilizadas é o armazenamento em sacos plásticos, o que facilita o transporte para outras propriedades. Atualmente, um saco de silagem com aproximadamente 35 quilos é comercializado por R$ 25. No ano passado, o preço médio era de R$ 18.
Ednaldo também realiza a entrega da silagem aos produtores. A relação com os criadores gera outro benefício para a produção agrícola: o esterco dos animais retorna ao perímetro para ser utilizado como adubo nas áreas de cultivo de hortaliças.
“O cliente junta o esterco e eu já trago de volta para dentro do terreno. Um ajuda o outro. Mas a água é essencial para a gente aqui. Se não tivesse água, não produziríamos nada no sertão. A Coderse ajuda muito”, destacou o produtor.
Sorgo
Além do milho, o sorgo produzido no Perímetro Califórnia tem como principal destino a alimentação animal. Uma das vantagens apontadas pelos técnicos é a possibilidade de obter mais de um corte da mesma plantação, desde que as condições de solo, manejo e sanidade sejam adequadas.
“A silagem do sorgo é melhor do que a do milho em questão de custos, porque você faz o plantio, o corte e ele rebrota. Dependendo do solo e se não houver problemas com doenças, chega a dar quatro ou cinco cortes. Para o produtor, é muito viável porque, quanto mais você corta, mais ele rende”, informou Ozeias Beserra.
A característica torna o sorgo uma alternativa importante para ampliar a oferta de volumoso para os rebanhos, especialmente em períodos de menor disponibilidade de pastagem.
Irrigação
O produtor José dos Santos também aproveita integralmente o milho cultivado no perímetro. As espigas são comercializadas como milho verde, enquanto a palhada é destinada à produção de silagem para alimentar o próprio rebanho.
Diante da expectativa de aumento da demanda por alimento animal, ele pretende ampliar a produção de silagem também para comercialização.
“Plantamos o milho para estar maduro em 65 dias. Depois disso, colhemos o que estiver maduro e o resto vai para a silagem. Mas a demanda vai aumentar e eu quero trabalhar com milho também para vender a ração. Sem irrigação, não se produz nada aqui em Canindé”, afirmou.
A disponibilidade de água para irrigação é, portanto, um dos fatores que permitem ao Perímetro Califórnia manter a produção agrícola mesmo diante de condições climáticas adversas. Além de abastecer o mercado de alimentos, a produção irrigada passa a desempenhar um papel fundamental no fornecimento de matéria-prima para a alimentação dos rebanhos regionais.
Com a possibilidade de períodos prolongados de estiagem, a produção de milho e sorgo para silagem tende a ganhar ainda mais espaço entre os agricultores locais, fortalecendo o Califórnia como uma fonte regional estratégica de alimento animal.






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