
A Secretaria Municipal de Educação (SME) de São José do Rio Preto encerrou o primeiro ciclo do projeto Almanaque da Saúde, iniciativa desenvolvida ao longo do ano com alunos do Ensino Fundamental atendidos nos projetos de contraturno escolar. O encontro foi realizado na Faceres e reuniu coordenadores das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) responsáveis pelas atividades, para o compartilhamento das experiências desenvolvidas a partir do material.
Ao longo do projeto, o Almanaque da Saúde foi trabalhado em 30 projetos de contraturno. Cerca de 1 mil exemplares foram utilizados diretamente por alunos dos 4º e 5º anos, que também atuaram como multiplicadores das informações junto aos familiares e estudantes dos demais anos do Ensino Fundamental. Dessa forma, a iniciativa alcançou aproximadamente 4 mil crianças, direta e indiretamente.
A ideia foi levar o Almanaque para trabalhar as questões da saúde com as nossas crianças no contraturno, para que temas importantes, como vacinação e prevenção de doenças, fossem absorvidos e multiplicados para as famílias e as comunidades. Ao longo do projeto, percebemos esse envolvimento das crianças e também reflexos na comunidade escolar e nas famílias”, afirma a coordenadora do Departamento de Parcerias da Secretaria Municipal de Educação, Aline Lourenço.
Desenvolvido pela Faceres em parceria com o Instituto Superior de Ciências de Saúde (Iscisa), de Maputo, em Moçambique, o Almanaque da Saúde usa histórias em quadrinhos, jogos, receitas e outras atividades para abordar temas relacionados à educação em saúde, como vacinação, alimentação, hábitos saudáveis e prevenção de doenças. A iniciativa também contou com a participação da Faculdade Instituto Ivoti, responsável pela formação dos profissionais dos contraturnos, e da Secretaria Municipal de Saúde.
A professora Raquel Dilly Konrath, da Faculdade Instituto Ivoti, avalia positivamente a primeira experiência. Segundo ela, o material ultrapassou a proposta de ser apenas um recurso pedagógico. “O objetivo foi muito além de oferecer um recurso pedagógico. Ele tem um propósito muito claro na área da saúde e na educação e dialoga com competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular de uma forma lúdica e muito bem contextualizada”, afirma. Raquel destaca ainda que o retorno das instituições permite identificar ajustes e possibilidades para uma próxima edição.
A professora Ângela Musskopf, também do Instituto Ivoti, observa que algumas práticas desenvolvidas pelas OSCs já produziram mudanças de hábitos entre os estudantes. “Já existem sementes para a continuidade desse trabalho, que está reverberando nas famílias e trazendo essas famílias para dentro das OSCs”, relata. Para ela, a iniciativa também contribuiu para ampliar o acesso a informações confiáveis sobre saúde, inclusive diante da circulação de informações falsas.”
Na avaliação da professora doutora Tamara Veiga Faria, pesquisadora e coordenadora do Comitê de Ética e Pesquisa da Faceres e do projeto Almanaque da Saúde, a formação dos profissionais foi fundamental para transformar o material em prática pedagógica. “Nós encerramos esse primeiro ciclo com a valorização do Almanaque como um produto educacional voltado para a área pedagógica. A capacitação dos multiplicadores e dos professores fez toda a diferença para que eles tivessem condições de aplicar esse material na prática”, afirma. Segundo Tamara, os resultados obtidos também abrem perspectivas para os próximos ciclos do projeto. “A pesquisa começa no papel, no projeto, mas precisa chegar à comunidade e produzir impacto social”, completa.
Entre as experiências desenvolvidas ao longo do projeto, está a da Casa da Criança, OSC situada no Jardim Ana Célia, a qual permitiu relacionar os conteúdos do Almanaque ao currículo e a situações do cotidiano. “Trabalhamos a questão da alimentação, do exercício físico, do movimento e de sair de trás das telas, além da saúde com as famílias, em relação à vacinação e ao diabetes. Conseguimos atingir pontos sensíveis que não ficaram somente no currículo, mas chegaram à vida dos alunos”, afirma a coordenadora Vanessa Floro.

Na Associação Anjo da Guarda, no Jardim Nazaré, a coordenadora Márcia Denise Esteves Andreu também relata a participação das famílias. “A parceria foi muito assertiva. As crianças gostaram muito e o trabalho envolveu toda a instituição”, afirma. Entre as ações desenvolvidas, estão a conferência das carteiras de vacinação, atividades sobre alimentação saudável, cuidados com a saúde mental, avaliação de glicemia e orientações sobre saúde bucal.

Para a secretária municipal de Educação, Rosicler Quartieri, a experiência demonstra a importância de articular o trabalho pedagógico desenvolvido nos diferentes espaços de aprendizagem. “O Almanaque da Saúde mostrou que a educação em saúde pode fazer parte do cotidiano das crianças de maneira significativa, chegando também às famílias. Essa articulação de atores permite dar condições para que o conhecimento produzido em diferentes espaços se transforme em prática e alcance a comunidade. O encerramento deste primeiro ciclo também nos permite olhar para os resultados e pensar nos próximos passos do projeto”, destaca.
A primeira etapa do projeto começou em abril, quando coordenadores dos contraturnos participaram de formação conduzida pelo Instituto Ivoti. Em julho, cerca de 130 profissionais — entre coordenadores, pedagogos e monitores — participaram de nova formação sobre o material, no Teatro Municipal Paulo Moura. A proposta foi alinhar as estratégias utilizadas nos contraturnos às diretrizes educacionais e possibilitar que os profissionais adaptassem as atividades às características dos estudantes atendidos.
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