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Tradições, fé e resistência: programa Arte e Cultura mostra a rica história da Lapa

Em entrevista à TV Assembleia, o historiador e pesquisador Márcio Assad fala sobre o Cerco da Lapa, a visita de Dom Pedro II, o Teatro São João, a ...

02/10/2026 às 17h12
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
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Praça General Carneiro, no centro histórico da Lapa. - Foto: Divulgação/Turismo Lapa
Praça General Carneiro, no centro histórico da Lapa. - Foto: Divulgação/Turismo Lapa

A riqueza cultural da Lapa, um dos municípios mais tradicionais do Paraná, é o tema do programa Arte e Cultura desta sexta-feira (2), da TV Assembleia. O entrevistado é o historiador, pesquisador e empresário do setor de turismo Márcio Assad, que dedica a vida a preservar a memória lapiana e a manter vivas as tradições que atravessam gerações.

Logo no início da conversa, Assad rebate a ideia de que falta identidade ao Estado. “Se fala muito que o Paraná não tem uma identidade, e eu discordo peremptoriamente”, afirma. Ele explica que o legado da Lapa se apoia em um tripé: “do caminho das tropas aos caminhos de ferro, nas trilhas de São João Maria”. O historiador lembra como o tropeirismo transformou a cidade em um importante entreposto de tropas, sob a liderança do Barão dos Campos Gerais, Davi dos Santos Pacheco, e como os ciclos da erva-mate e da madeira ajudaram o Paraná a se emancipar de São Paulo.

Um dos momentos mais marcantes da entrevista é o relato sobre o Cerco da Lapa, episódio de relevo nacional durante a Revolução Federalista. Segundo Assad, o comandante maragato Gumercindo Saraiva calculava que a cidade não resistiria 48 horas, mas ela aguentou 26 dias. Entre os detalhes pouco conhecidos, ele conta que, quando o governo da província enviou um trem para retirar as esposas dos defensores, nenhuma embarcou. Todas ficaram ao lado dos maridos.

O convidado também fala da visita de Dom Pedro II à cidade, em 1880, quando o imperador se encantou com o Teatro São João. Naquele dia, o Barão dos Campos Gerais libertou seus escravizados, oito anos antes da Lei Áurea, e ainda lhes deu terras para sobreviver. Sobre o teatro, que dirigiu por mais tempo do que qualquer outra pessoa, Assad não esconde o carinho. “Falar do Teatro São João é falar da minha segunda casa”, diz. Ele relembra que o espaço serviu de enfermaria durante o cerco, foi um dos primeiros cinemas do Paraná e abrigou a primeira rádio católica do Estado.

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A fé popular tem destaque especial na conversa. Assad explica a história dos dois monges João Maria, o italiano João Maria de Agostini e João Maria de Jesus, conhecidos pelos conselhos, pelas ervas medicinais e pelo cuidado com a natureza. Para ele, a devoção ultrapassa fronteiras religiosas. “Ele não é um santo da Igreja Católica, é um santo do povo”, resume. O historiador defende a retomada do caráter religioso do Parque do Monge, hoje unidade de conservação, e o fortalecimento do turismo religioso na cidade.

Outro ponto de destaque é a inclusão da história do Paraná nos currículos escolares. A lei foi sancionada em 2001, mas nunca havia sido regulamentada. Após articulação de entidades culturais com a Secretaria de Estado da Educação, a implantação começa neste ano, e a Lapa já recebe grupos de professores de várias regiões do Estado em busca de subsídios para as aulas.

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Para encerrar, o entrevistado dá dicas a quem pretende conhecer o município, que tem roteiro histórico e cultural consolidado, turismo rural, gastronomia e a receptividade do povo lapiano. E deixa uma mensagem sobre o Estado: “É a identidade que dizem que nos falta, e eu acho que não nos falta nada, nos sobra.”

Para acompanhar a entrevista na íntegra, clique aqui.

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