
Maceió vive um processo de transformação urbana marcado por investimentos em infraestrutura e pela execução de obras que eram aguardadas há décadas. Uma delas é o Renasce Salgadinho, iniciativa que vem transformando o cotidiano de quem mora nos bairros que margeiam o riacho.
A maior obra de recuperação ambiental da capital era historicamente marcada pela poluição e abandono. Mas hoje, representa o símbolo do compromisso da atual gestão com o desenvolvimento urbano, tornando-se um espaço de convivência e lazer que beneficia mais de 300 mil moradores, como a Dona Maria Teresa Vasco.
Residente na região há 60 anos, ela conta que a transformação vivida pela família e vizinha foi um ressurgimento. “Essa rua é minha vida. Choramos na inauguração com as vizinhas. Quando cheguei aqui, o Salgadinho era transparente e tinha peixes. Agora, estamos ressurgindo. Foi muita emoção acompanhar a obra do início ao fim. Quando meus netos chegam, vamos até lá tomar banho na fonte e andar de bicicleta”, relata emocionada.
Ao longo da área revitalizada são cerca de quatro quilômetros de ciclovia e um quilômetro de calçadão que contornam o novo Parque Linear Douglas Lins de Araújo.
O espaço equivale a quatro campos de futebol e conta com academia ao ar livre, parque infantil, fontes interativas de água, mobiliários modernos e com o plantio de 300 árvores entre palmeiras, ipês, goiabeiras e pata-de-vaca.
Sistema de Saneamento
O sistema de saneamento do Renasce Salgadinho está em funcionamento e mudou o caminho percorrido pelos efluentes na bacia do riacho. A estrutura, implantada pela Secretaria de Infraestrutura de Maceió, intercepta o esgoto que chega aos principais afluentes, bombeia o material por uma rede de 7,4 quilômetros de tubulações e o conduz até a Estação de Tratamento de Esgoto, antes da destinação pelo Emissário Submarino.
O saneamento é complementado por outras soluções ambientais. Os jardins filtrantes utilizam pedras, areia e plantas aquáticas para auxiliar na melhoria da qualidade da água e favorecer a biodiversidade. Já as ecobarreiras ajudam a reter resíduos sólidos antes que avancem pelos riachos.
O funcionamento envolve cinco Estações Elevatórias de Esgoto, instaladas nos riachos Sapo, Gulandi, Reginaldo, Águas Férreas e Pau d’Arco. Elas recebem os efluentes e fazem o bombeamento necessário para que o material percorra a rede até a estação de tratamento. Depois desta etapa, o efluente segue para o Emissário Submarino, na região da Praia do Sobral.
Na prática, o sistema estabelece um percurso estruturado para os efluentes, integrando coleta, bombeamento, transporte e tratamento.
Canalização
A estrutura é capaz de bombear cerca de 30 mil litros de esgoto por minuto para tratamento, impedindo que os resíduos cheguem às praias e garantindo a destinação correta pelo emissário submarino.
A recuperação também passou pela requalificação dos canais. Na Avenida Humberto Mendes, no Poço, cerca de um quilômetro do Riacho Salgadinho recebeu canalização com peças pré-moldadas de concreto no piso e nas paredes.
A intervenção aumenta a resistência e a estabilidade da estrutura, melhora o escoamento das águas e contribui para a redução de processos erosivos. O trecho também recebeu limpeza, desassoreamento e preparação do leito.
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