
A comunicação é construída de diferentes formas e, para algumas crianças e adolescentes, desenvolver a fala pode exigir estratégias específicas e acompanhamento especializado. Na Casa do Autista de Maceió, as sessões de Fonoaudiologia utilizam a abordagem PROMPT como uma das ferramentas para auxiliar pacientes na organização dos movimentos necessários para a produção dos sons da fala.
Aplicado pela fonoaudióloga Alice Fonseca, o método utiliza toques direcionados em regiões como lábios, língua e mandíbula. Os estímulos funcionam como pistas táteis para ajudar o cérebro e os músculos a compreenderem e organizarem os movimentos envolvidos na produção dos sons. A proposta é favorecer o planejamento motor da fala e auxiliar o paciente durante o processo de produção.
“O PROMPT trabalha a organização dos movimentos necessários para a fala. Por meio dos estímulos táteis, conseguimos oferecer ao paciente uma referência para que ele compreenda melhor como deve movimentar estruturas como língua, lábios e mandíbula. É um trabalho que respeita o tempo e as necessidades de cada pessoa”, explica Alice Fonseca.
A abordagem não se limita aos aspectos motores. O método considera três dimensões no processo terapêutico. A primeira é a motora e sensorial, relacionada à coordenação e organização dos músculos envolvidos na fala. A segunda envolve os aspectos cognitivos e linguísticos, como compreensão, vocabulário, formação de frases e utilização da linguagem. Já a terceira contempla os aspectos sociais e emocionais relacionados à comunicação e à interação.
O PROMPT pode ser utilizado em casos de Apraxia de Fala na Infância, disartria associada a alterações neurológicas, atrasos importantes de linguagem e alterações de articulação que permanecem, mesmo com a utilização de outras abordagens terapêuticas.
Na rotina de atendimento, a aplicação da técnica leva em consideração as características individuais de cada paciente. A proposta é trabalhar não apenas a produção de sons isolados, mas a comunicação de forma funcional, considerando a capacidade de compreender, expressar necessidades, interagir e participar de situações do cotidiano.
Para Fabiana Lisboa, gerente-geral da Casa do Autista, a utilização de diferentes recursos terapêuticos é importante para garantir que o acompanhamento seja adequado às particularidades de cada paciente.
“Não existe uma única forma de desenvolver a comunicação. Cada criança apresenta necessidades e características próprias, e o nosso papel é oferecer estratégias que possam contribuir para esse processo. O trabalho da equipe busca justamente ampliar as possibilidades de comunicação e acompanhar cada evolução, mesmo quando ela acontece em pequenos passos”, pontua.
A utilização de abordagens especializadas faz parte da proposta de atendimento da Casa do Autista, que reúne profissionais de diferentes áreas para acompanhar as demandas das pessoas atendidas e de suas famílias. Nesse contexto, a Fonoaudiologia tem papel importante no desenvolvimento das habilidades de comunicação e linguagem.
Segundo Camila Porciúncula, diretora-presidente do Maceió Saúde, a qualificação dos atendimentos passa pela oferta de recursos que considerem as diferentes necessidades dos usuários.
“Quando falamos em cuidado, precisamos olhar para a pessoa de forma integral. A comunicação está diretamente relacionada à autonomia, à interação e à participação social. Por isso, oferecer um acompanhamento especializado e utilizar estratégias adequadas para cada paciente é também uma forma de ampliar as possibilidades de desenvolvimento e inclusão”, destaca.
Como ter acesso
Administrada pelo Maceió Saúde, organização social sem fins lucrativos voltada à modernização e à eficiência na gestão das unidades municipais de saúde, a Casa do Autista trabalha para integrar boas práticas de governança, inovação e assistência humanizada.
Para ter acesso aos serviços, o primeiro passo é reunir a documentação necessária e levá-la ao Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, na Avenida Fernandes Lima, 2335, no bairro Farol, onde será aberto o processo. Entre os documentos exigidos estão RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência e encaminhamento médico da criança ou do adolescente, além dos documentos do responsável legal.
A partir daí, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria Municipal de Saúde realiza a análise e a regulação dos casos. São priorizadas pessoas que ainda não estão inseridas na rede pública de saúde, como os Centros Especializados em Reabilitação (CER) ou serviços contratualizados, e que se encontram em fila de espera na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência.
Após a avaliação, os pacientes são encaminhados gradualmente para os serviços disponíveis, entre eles a própria Casa do Autista. Quando a demanda ultrapassa a capacidade de atendimento, os solicitantes permanecem em fila de espera, seguindo critérios técnicos e de prioridade.
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